Ex-sócio do Master, Augusto Lima teve ascensão meteórica e vida curta como banqueiro


Ex-sócio do Master, Augusto Lima teve ascensão meteórica e vida curta como banqueiro
- Empresário ganhou espaço na Faria Lima com modelo de cartão consignado para servidores públicos
- Trilha que o colocou no centro do caso Master inclui teias societárias complexas e costuras políticas
São Paulo
A carreira de Augusto Lima, dono do Banco Pleno, liquidado nesta quarta-feira (18), foi meteórica no setor financeiro. A partir da criação do cartão consignado para servidores públicos, o Credcesta, em 2018, saiu da Bahia, fez parceria com o Banco Master, de Daniel Vorcaro, e levou seu negócio a 24 estados e 176 municípios. A autorização do Banco Central para ele ter sua própria instituição veio em julho de 2025.
Lima ficou com o Voiter, que fazia parte do grupo Master, quando o conglomerado já era investigado pela suspeita de fraudar carteiras de crédito vendidas para o BRB (Banco Regional de Brasília). Quatro meses depois, o cenário de ascensão mudou.
Em 17 de novembro, ele foi preso na Operação Compliance Zero. O executivo está em casa, com tornozeleira eletrônica. O Pleno passou a ter problemas para fazer captações. Lima buscava um investidor para entrar como sócio. O banco, porém, já não conseguia cumprir suas obrigações, e não foi possível sustentar a operação até uma solução de mercado.
Nascido em uma família de classe média de Salvador, Guga, como é chamado entre amigos, cursou economia em uma universidade particular. Formou-se em 2002 com um trabalho final sobre a indústria do Carnaval.
Trabalhou com venda de abadás e, em 2001, criou a empresa Terra Firme, na Bahia, para atuar como correspondente de instituições financeiras.
Segundo reconstituição da Folha, com base em documentos e relatos de pessoas próximas ao executivo, a trilha que o colocou no centro do maior escândalo financeiro em décadas inclui estruturas empresariais opacas, teias societárias complexas e costuras políticas. A defesa não comentou detalhes da reportagem.
Lima utilizou muitos fundos em seus negócios e criou fortes laços com a Reag, a gestora de recursos que foi alvo, em agosto de 2025, da Operação Carbono Oculto, por suspeita de operar para o PCC, e foi liquidada pelo Banco Central.
A PKL One, por exemplo, empresa dona do Credcesta, recebeu aumento de capital de um fundo chamado Reag 34, depois rebatizado de Diamond. Esse fundo detém o controle da empresa e está sob a gestão da WNT, que depois foi citada na segunda fase da operação Compliance Zero.
A virada com o Credcesta veio com a privatização da Ebal, estatal da Bahia responsável pela rede de supermercados Cesta do Povo, que operava com um cartão de compras. O governador, então, era Rui Costa, hoje ministro da Casa Civil, e o agora senador Jaques Wagner era secretário de Desenvolvimento Econômico.
Wagner conduziu a privatização. Os dois primeiros leilões ficaram vazios, e Lima levou a Wagner a solução para tornar o negócio mais atraente: de mero instrumento para compras, o cartão passaria a agregar um combo de benefícios para os servidores, inclusive de serviços financeiros.
O ministro já disse em mais de uma ocasião que Lima resolveu um problema para o governo do estado da Bahia, e que apesar de terem se conhecido no ambiente profissional, com o tempo, tornaram-se próximos.
Como precisava de uma instituição financeira para colocar o Credcesta na rua, Lima procurou o BMG, referência em consignado. No entanto, não teve sucesso. Bateu na porta da equipe do Master, que gostou do produto e aceitou trabalhar com a marca. A parceria se estreitou quando, em maio de 2020, Lima se tornou sócio do Master.
Em maio de 2024, ele acertou a sua saída da sociedade. O que se conta no mercado é que, como Vorcaro não quitou o combinado, Lima voltou ao Master, sempre cuidando do Credcesta. Só teria efetivamente deixado o dia a dia no Master depois de o BC dar sinal verde para ele ficar com o Voiter. O novo banco, que ele rebatizou de Pleno, também ficou com a operação de consignado para servidores.
Enquanto ainda estava à frente do Master, Lima foi ampliando as relações com o mundo político. Ficou próximo de João Roma, entre 2021 e 2022, ministro da Cidadania de Jair Bolsonaro. Em 2022, emplacou a ideia do crédito consignado para o INSS, o que, por tabela, colocou o Credcesta num negócio com escala nacional. Ele também atraiu a atenção do senador Ciro Nogueira, presidente do PP, e do presidente do União Brasil, Antônio Rueda.
Em dezembro de 2024, junto com Vorcaro, Lima integrava o grupo que representou o Master no encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Vorcaro foi ao Planalto acompanhando o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega.
Segundo interlocutores, Lula chamou para conversa os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Alexandre Silveira (Minas e Energia), além do hoje presidente do Banco Central Gabriel Galípolo, à época diretor da autoridade monetária.
Nesse meio tempo, o empresário conheceu Flávia Péres, deputada federal pelo PP e, então, ministra de Bolsonaro. Pessoas próximas contam que foi um match instantâneo. Lima deixou a esposa em 2023. O casamento com Flávia foi celebrado na Ilha dos Frades (BA), em janeiro de 2024, e os convidados não puderam fazer fotos ou postagens em redes sociais.
Ainda em novembro de 2023, o casal lançou o Instituto Terra Firme. Participaram da cerimônia secretários, deputados, procuradores, conselheiros de contas, empresários e artistas. O governador Jerônimo Rodrigues (PT) anunciou uma parceria com a entidade, e o prefeito Bruno Reis (União Brasil) lembrou que ele e Lima estudaram no mesmo colégio.
O evento foi uma demonstração de poder e prestígio de um banqueiro embalado pelo sucesso de sua sociedade no Master.
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📰 Fonte: UOL Notícias
🔗 Link original: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/02/ex-socio-do-ma…
Publicado automaticamente pelo Sistema Itaquera News em 18/02/2026 às 23:16

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