Também de olho na China, Rede Globo quer presença em Xangai

Também de olho na China, Rede Globo quer presença em Xangai

📅 19/02/2026 10:41
📰 Fonte: Geral – rss.uol.com.br

Com a pandemia, a China entrou em 2023 com apenas um correspondente brasileiro, do jornal O Globo. Agora somos cinco, com mais um a caminho: a Rede Globo decidiu enviar Felipe Santana, hoje correspondente em Nova York, e que deve ficar baseado em Xangai, centro econômico e cultural. Ele fez uma série sobre o país para o Fantástico no ano passado.

O movimento acompanha outros veículos estrangeiros, como o jornal The Wall Street Journal, que não só ampliou sua equipe no país e passou a ter como correspondente-chefe a chinesa Lingling Wei, mas voltou a investir em veículos de jornalismo na China. A empresa que controla o WSJ retornou ao mercado no último ano com o Barron’s em mandarim, em joint venture com o grupo TMTPost.

O magnata Rupert Murdoch fez mais. Ao reorganizar o controle de sua corporação no ano passado, concentrou o legado no filho mais velho, Lachlan, afastando outros três filhos. E manteve no grupo resultante as duas jovens filhas que teve com Wendi Deng, executiva chinesa que dirigia a Star TV, seu canal chinês na virada do século. Murdoch voltou a apostar na China para o futuro do conglomerado.

No caso do Brasil, o movimento vai também na direção oposta. O canal de notícias da CCTV, a principal rede de televisão da China, está investindo em sua versão para o mercado brasileiro, inclusive correspondentes. A CGTN em português começou como um novo nome para a Rádio China Internacional — esta formada à imagem do serviço mundial da BBC.

Foi na RCI, então chamada Rádio Pequim, que começou a trabalhar um correspondente histórico do Brasil na China, Jayme Martins, nos anos 1960, 1970 e parte dos 1980. Escreveu para o Jornal da Tarde e outros veículos. Conheceu e chegou a atuar como intérprete de Mao.

Espelhando a nostalgia por jornalismo no exterior, ex-profissionais de redação como Cao Lin, professor na Universidade Huazhong em Wuhan, alertam que também na China as métricas de audiência e mídia social diluem a qualidade da reportagem, da edição e da redação. Ou ainda, que a fixação em vídeo e no tráfego vertiginoso corroeu a profissão: os repórteres permanecem em suas mesas, o copia-e-cola substitui a pesquisa de campo, as manchetes priorizam emoção em detrimento da precisão e a escrita torna-se prolixa e imprecisa.

Outro problema é que Liu Hu, que a revista Caixin descreve como “proeminente jornalista, conhecido por expor a corrupção de autoridades”, voltou a ser preso em Chengdu, retomando episódios que enfrenta há mais de uma década. A justificativa é que ele fez “acusação falsa”. Liu é pouco conhecido ou apoiado fora da China.

Uma passagem pouco lembrada na trajetória de Jimmy Lai, o magnata do tabloide Pingguo Ribao ou Apple Daily, ajuda a compreender como ele terminou condenado em Hong Kong com base na lei de segurança local — e, para o conteúdo que publicou, na legislação local. Como reportou a NBC, o primeiro escândalo atribuído a Hunter, filho de Joe Biden, pouco antes da eleição de 2020, veio de um relatório falso de inteligência encomendado pelo Apple Daily, que apoiava Donald Trump. A partir daí, defender Lai deixou de ser prioridade.

O relatório apontava supostos vínculos entre Hunter e o Partido Comunista Chinês. Outra passagem do Apple Daily, ainda mais típica, foi uma acusação contra a atriz Zhang Ziyi, por supostamente se vender para um líder do partido. Ela entrou com ação e venceu, mas Hollywood se afastou.

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📌 Fonte original: https://noticias.uol.com.br/colunas/nelson-de-sa/2026/02/19/…

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