Bad Bunny reacende debate sobre o uso do termo ‘América’

Bad Bunny reacende debate sobre o uso do termo ‘América’

📅 19/02/2026 14:27
📰 Fonte: Geral – rss.uol.com.br

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A apresentação do porto-riquenho Bad Bunny no Super Bowl reacendeu um debate antigo que nunca perdeu a atualidade. Ao usar o termo “América” para se referir ao continente, e não como sinônimo exclusivo para o país de nome Estados Unidos da América [que se trata de uma banalização incorreta], o artista tocou num nervo histórico que vai muito além da cultura pop.

O termo “América” vem do nome do explorador italiano Amerigo Vespucci (1454-1512). Contratado tanto pelos governos da Espanha como de Portugal, consequentemente, seu nome foi por ambos “traduzido” para Américo Vespúcio. Nomear o chamado novo continente com esse nome foi uma homenagem a suas descobertas na região, em duas viagens diferentes.

Sobre sua história, vale ler Amerigo: The Man Who Gave His Name to America. Nele, estão descritas paisagens, nativos, a natureza da América pela primeira vez aos europeus, cativando muitos leitores.

Nesta semana carnavalesca, a newsletter Cercanías recomenda ainda mais dois livros que tratam desse tema.

Um deles é mais atual: “The End of the Myth” (2020), de Greg Grandin, ganhador do Pulitzer. O historiador também é autor de “Fordlândia – Ascensão e Queda da Cidade Esquecida de Henry Ford na Selva”, que narra a tentativa fracassada do industrial Henry Ford de construir, nos anos 1920, uma cidade-modelo no coração da Amazônia brasileira para produzir borracha.

Em “The End of the Myth” (2019), Grandin reconstrói a ideia de “América” como a trajetória de uma expansão. Para ele, o termo nunca foi apenas descritivo de um local. Ele esteve atrelado ao mito da fronteira para os norte-americanos, à noção de que os Estados Unidos seriam uma nação destinada a avançar continuamente rumo ao Oeste, incorporando territórios e redefinindo seus próprios limites.

Quando a expansão continental se esgota, argumenta Grandin, a ideia de América precisaria se reinventar. Mas foi então que o termo se fixou como a ideia de um país líder global nascente.

Esse processo ajuda a explicar como o nome do continente funcionou como sinônimo de um único Estado. Não se trata apenas de hábito linguístico. É a consolidação de um projeto histórico em que a nação se apresenta como expressão natural de todo um país em expansão. O excepcionalismo americano, tão presente no discurso político do nascimento dos EUA, está enraizado nessa apropriação simbólica.

Se Grandin mostra como o termo foi capturado por um projeto nacional, o mexicano Edmundo O’Gorman, em “A Invenção da América” publicado originalmente em 1958, desmonta a própria ideia de “descoberta”. Trata-se de um clássico para qualquer um interessado em entender a região. Para ele, a América não foi descoberta, mas inventada como conceito.

O Novo Mundo não existia como categoria até que a Europa o pensasse e o nomeasse. O gesto de batizar o continente em homenagem a Vespúcio foi menos um ato cartográfico e mais um ato intencional e político.

O’Gorman desmonta a própria ideia de “descoberta”. Para ele, a América foi inventada como conceito. O Novo Mundo não existia como categoria até que a Europa o nomeasse.

O’Gorman lembra que antes do nome já existiam civilizações, línguas, impérios e cosmologias complexas na região. A palavra “América” nasce na Europa renascentista, mas o continente não começa ali. Ele já estava povoado, organizado e historicamente situado muito antes de receber um rótulo europeu.

Manifestantes protestam contra a aprovação de uma reforma trabalhista levada adiante por Javier Milei e referendada pelo Congresso que tira direitos trabalhistas históricos, como limite de horas de trabalho semanais e do funcionamento do sistema de ferias.

JOVENS ESCRITORES
O argentino Patricio Pron (Rosario, 1975) acaba de lançar “En Todo Hay una Grieta y Por Ella Entra la Luz” (ed. Anagrama, importado). Radicado em Madri, Pron narra a vida de um escritor em Nova York que recebe a encomenda de escrever a biografia do poeta e cineasta franco-romeno Benjamin Fondane. O projeto é atravessado por um acontecimento devastador que desloca o livro para uma reflexão sobre finitude, luto ecológico e violência.

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