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Obituário



José Cláudio Muniz Pereira Barbedo (1950 – 2026)

Mortes: Marcou a transmissão do futebol com a vinheta ‘Brasil-sil-sil’

  • Formiga começou a trabalhar em rádio aos 13 e aos 19 criou sua grande obra sonora
  • Em 2021, decisão judicial lhe garantiu o direito de veiculação do material

São Paulo

Em 1969, aos 19, o sonoplasta José Cláudio Muniz Pereira Barbedo, conhecido como Formiga, criou uma das vinhetas mais conhecidas do rádio brasileiro —”Brasil-sil-sil!”— que passou a acompanhar todas as transmissões de jogos da seleção brasileira de futebol. No ano seguinte, a vinheta se consolidou com a conquista do tetracampeonato por Pelé, Tostão, Garrincha e companhia.

De tão marcante, ela é usada até hoje pela Globo nas transmissões dos jogos da seleção de futebol e também de outras modalidades esportivas.

Para chegar ao efeito desejado em uma época com pouco recurso de eletrônica, ele usou diversos aparelhos disponíveis, como oscilador de áudio, para criar o apito de entrada. Depois, colocou até Durex nas fitas de áudio para criar três tipos diferentes de eco. E, por fim, contou com a participação do locutor Edmo Zarife (1940-1999) para falar a palavra Brasil.

Homem de cabelos grisalhos e óculos sentado em cadeira azul em estúdio de rádio. Ele veste camisa verde e gravata vermelha, ao redor mesa com mesa de som, microfone articulado e três monitores de computador ligados.
José Cláudio Muniz Pereira Barbedo, o Formiga (1950 – 2026)

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Nascido em Petrópolis, na região serrana do Rio de Janeiro, em 1950, Formiga começou aos 13 anos sua trajetória na rádio Difusora da cidade. Mirrado e pequeno, logo passou a ser chamado de Formiga pelo radialista Romeu Pinheiro, apelido que pegou.

Em entrevista a José Carlos Araújo, na Rádio Globo do Rio, em 2010, ele contou que desde muito pequeno gostava de ouvir discos de música e sempre sonhou trabalhar em rádio.

Em 1967 ele começou na Globo e, dois anos depois, criava sua maior obra.

Com apenas o segundo grau completo (atual ensino médio), sua experiência com sonorização de rádio veio com a prática, passando pelos diversos equipamentos de som da emissora. Quando já dominava tudo, começou a procurar livros para ler, inclusive em inglês, tendo uma formação quase autodidata.

Somente na Rádio Globo foram três décadas como operador de áudio e sonoplasta.

Em 2011 ele deixou a emissora carioca e entrou com uma ação judicial para conseguir o direito de uso e veiculação da vinheta. Em 2021, a ministra Nancy Andrighi, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), decidiu favoravelmente ao sonoplasta, garantindo-lhe indenização pela utilização do material.

Nos últimos anos, Formiga atuou como consultor e ministrou cursos de sonoplastia.

Morreu na Quarta-Feira de Cinzas (18), aos 85, no Rio. Nas redes sociais, o músico Gabriel O Pensador prestou homenagem ao sonoplasta.

“Tive a honra de gravar minha primeira música com ele e com o Julio Hungria no estúdio Rádio Atividade. Era uma fita demo de ‘Tô Feliz (Matei o Presidente)‘, que continha vários efeitos de sonoplastia. Levei a fitinha até a rádio RPC e o Eduardo Andrews e o Jairão resolveram tocar a música polêmica, que logo passou ao primeiro lugar nos pedidos dos ouvintes e depois foi censurada, mas a mesma versão entrou no meu primeiro álbum em 1993, com os efeitos sonoros gravados e mixados pelo grande Formiga, incluindo o ‘Brasil-sil-sil’ da Rádio Globo, que ele inventou! Descanse em paz, obrigado por tudo.”

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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