70 mortos, foragidos e bloqueios: o México após a operação contra El Mencho

70 mortos, foragidos e bloqueios: o México após a operação contra El Mencho

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O México enfrenta bloqueios, ataques e mortes após uma onda de violência gerada pela morte de seu maior chefe do narcotráfico em uma operação militar que deixou ao menos 70 mortos.
Os soldados foram mobilizados principalmente em Jalisco, estado do oeste do México onde, no domingo (22), agentes de segurança capturaram Nemesio Oseguera, conhecido como “El Mencho”, líder do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), com ajuda de informações de inteligência dos Estados Unidos.
O que aconteceu
No domingo, o cartel bloqueou rodovias, incendiou veículos, atacou postos de gasolina, comércios e bancos. O cartel ainda enfrentou as autoridades em 20 dos 32 estados do país em confrontos armados, incluindo o Estado do México.
Até a segunda-feira (23), 85 bloqueios foram registrados em rodovias federais em todo o país. A maioria dos bloqueios, 18 no total, foi no estado mexicano de Jalisco.
Durante a operação militar e os confrontos posteriores, ao menos 73 pessoas morreram. Segundo as autoridades, 27 agentes de segurança, 46 supostos criminosos e uma civil morreram. Na capital federal não foram registrados atos de violência e a situação de segurança era de total normalidade na segunda-feira.
Além disso, 70 pessoas foram presas em sete estados mexicanos. Foram registrados 27 ataques contra autoridades, ainda segundo o secretário de Segurança, Omar García Harfuch.
Em Guadalajara, segunda maior cidade do país, as ruas estavam praticamente vazias e a maioria dos comércios fechados na segunda-feira. Diante dos poucos estabelecimentos abertos, formavam-se longas filas de pessoas angustiadas com uma possível falta de alimentos.
Uma rebelião na prisão de Ixtapa, em Puerto Vallarta, onde um guarda morreu, resultou na fuga de 23 detentos. Não há informações sobre os fugitivos, informou o site El Universal.
Os aeroportos de Guadalajara e Puerto Vallarta chegaram a registrar aproximadamente 120 voos cancelados, de acordo com o El País. Porém, o governo dos EUA divulgou que diversas companhias aéreas estavam operando voos internacionais de saída nos terminais de Guadalajara e Puerto Vallarta desde a tarde de segunda. Os outros aeroportos do país estão abertos e a maioria funciona normalmente, informou o governo norte-americano, de acordo com a BBC Internacional.
As escolas de Jalisco vão reabrir na quarta-feira (25), anunciou o governador, Pablo Lemus. A medida será válida para todos os níveis de ensino. Já o transporte público funcionará normalmente no estado a partir de terça-feira (24), assim como as organizações empresariais. Em uma dúzia de estados do México, as escolas suspenderam as aulas na segunda-feira por precaução.
Mais de 10 mil militares foram mobilizados para atuar no país e proteger a população.
Entenda o caso
A operação para capturar El Mencho, 59, resultou na morte do narcotraficante mexicano mais procurado dos últimos tempos. Washington oferecia 15 milhões de dólares (R$ 78 milhões) pelo narcotraficante.
Oseguera ficou ferido no confronto com militares na localidade de Tapalpa e morreu durante seu traslado aéreo para um hospital.
Presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou na segunda-feira (23) que a prioridade de seu governo é “proteger toda a população”. O país já “está em paz, está em calma” e não restam bloqueios criminosos nas estradas, declarou.
Jornalistas da AFP constataram, no entanto, que ainda havia alguns próximos a Guadalajara, capital de Jalisco, e ao redor da área onde ocorreu a captura.
Ajuda dos EUA
Uma das namoradas de Oseguera foi fundamental para localizar o chefe do cartel em Tapalpa. A informação foi divulgada em coletiva de imprensa pelo secretário da Defesa Nacional, Ricardo Trevilla. Graças à ajuda fornecida pela inteligência dos Estados Unidos, as autoridades a seguiram e conseguiram localizar o paradeiro do narcotraficante, que estava desaparecido há anos e, segundo algumas informações, em mau estado de saúde.
Forças especiais do Exército mexicano cercaram Oseguera e foram recebidas a tiros pelos pistoleiros encarregados de sua segurança, explicou Trevilla. A operação foi conduzida exclusivamente por militares mexicanos, sem “participação na operação de forças dos Estados Unidos”, ressaltou Sheinbaum, e insistiu que entre os dois países “há muito intercâmbio de informações”.
Após sua chegada à procuradoria, o corpo de Oseguera foi identificado geneticamente e será entregue à família, declarou o secretário de Segurança, Omar García Harfuch. A morte do líder de uma das organizações criminosas mais poderosas do mundo gera agora temor diante de uma possível guerra interna por sua sucessão ou de um confronto entre o CJNG e outros cartéis pelo controle de seus territórios.
Oseguera “não tinha sucessores claros, poderíamos ver um cenário tipo Colômbia”, onde “se criam quadrilhas criminosas locais”, explica Gerardo Rodríguez, especialista em segurança nacional e professor da Universidade das Américas em Puebla.
📰 Fonte: UOL Notícias
🔗 Link original: https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2…
Publicado automaticamente pelo Sistema Itaquera News em 24/02/2026 às 00:59















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