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Energia é principal gargalo para avanço de data centers, diz Ascenty

  • Redata pode acelerar decisão de big techs, mas infraestrutura elétrica preocupa setor
  • Aprovação do incentivo fiscal na Câmara anima empresas que aguardam contratos para março

São Paulo

A Ascenty, empresa brasileira especializada na construção de data centers, vê a possível aprovação do Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center) com otimismo, mas há preocupações.

O CRO (Chief Revenue Officer) da companhia, Marcos Siqueira, espera receber grandes contratos para a montagem de data centers no país ainda no primeiro trimestre deste ano.

Homem calvo veste terno azul e camisa clara, está de braços cruzados e sorri em escritório moderno com iluminação artificial e plantas ao fundo.
Marcos Siqueira, CRO da Ascenty

Divulgação Ascenty

No entanto, a conectividade com a rede de energia elétrica pode ser um problema para o avanço desse tipo de estrutura no país. “A linha de distribuição [de eletricidade] é o grande gargalo hoje. A gente gera mais energia do que consome, mas não distribui”, afirma Siqueira.

Na madrugada de quarta-feira (25), a Câmara dos Deputados aprovou o Redata, programa de incentivo fiscal para empresas que investirem na instalação de data centers no Brasil. Companhias de tecnologia —em destaque, as big techs— terão isenções e descontos na compra dos equipamentos necessários para a montagem das estruturas de armazenamento de dados.

O texto ainda precisa passar pela aprovação do Senado.

Nos data centers, são alojadas máquinas responsáveis por processar dados de serviços como nuvem e, mais recentemente, servidores de IA (inteligência artificial). Os do primeiro tipo já existem no Brasil, mas a expectativa de empresas como a Ascenty é atender cada vez mais empresas que desejam construir o segundo.

Centrais de dados de IA são maiores, exigem tecnologia de ponta e gastam muita energia. O Brasil se tornou candidato a “hotspot” de estruturas do tipo devido à disponibilidade de energia de fontes renováveis, de espaço e de mão de obra.

Mesmo com energia disponível, ela nem sempre chega aos locais de instalação. Empresas que constroem data centers precisam solicitar conexões de alta potência às distribuidoras. A fila de espera é extensa, sobretudo no Sudeste.

Segundo Siqueira, a Ascenty se adiantou e já tem espaços em São Paulo onde há conexão com a rede elétrica. Para a construção de novos espaços, no entanto, o gargalo volta a atrapalhar.

A aprovação do Redata pode acelerar a inserção do Brasil no mapa das centrais de dados de IA, na visão do executivo. O cliente que estava em dúvida sobre criar um data center aqui, pode ver o benefício tributário e tomar a decisão de construir no Brasil. Aquele que já tinha decidido construir aqui, pode dar tração ao projeto, segundo ele.

O sucesso da empreitada depende da capacidade das empresas nacionais e do governo em atrair as big techs e outras companhias internacionais para atuar aqui. Isso porque, do ponto de vista de patamar de investimento, não temos nenhuma empresa brasileira tão grande quanto elas —Siqueira avalia que o mercado nacional ainda não tem capacidade para uma injeção de capital de proporções semelhantes.

Prédio industrial branco extenso em área verde com colinas ao fundo sob céu parcialmente nublado. Estrada asfaltada curva em primeiro plano.
Data center da Ascenty em Vinhedo, interior de São Paulo

Divulgação Ascenty

Engatinhando

A Microsoft anunciou em 11 de fevereiro a inauguração de dois data centers de IA e nuvem no Brasil, ambos no estado de São Paulo. A empresa não revelou as cidades ou localizações dos espaços por motivos de segurança, segundo a companhia.

Em 2024, a empresa prometeu o investimento de R$ 14,7 bilhões na expansão da infraestrutura no Brasil. Ela também espera treinar 5 milhões de brasileiros em IA até 2027.

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