Impacto das chuvas em MG espelha desigualdade nos bairros de encostas


Impacto das chuvas em MG espelha desigualdade nos bairros de encostas
- Em Juiz de Fora, comunidade teve que ser completamente esvaziada por causa de deslizamentos
- Por outro lado, escola em bairro de classe média não recebeu nenhum desabrigado
Juiz de Fora (MG)
A chuva que começou na segunda-feira (23) na zona da mata de Minas Gerais provocou mais de 60 mortes e evidenciou as disparidades na ocupação na cidade de Juiz de Fora, a mais populosa entre as atingidas.
Com 540.756 habitantes em 2022, segundo o Censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Juiz de Fora tinha 16.728 pessoas morando em áreas consideradas favelas —ou seja, apenas 3,1% da população.
Mas a cidade teve as encostas ocupadas em regiões com classes sociais distintas. E os impactos dos deslizamentos também foram diferentes.
Nas Paineiras, considerado pela população como um bairro de classe média, parte do morro do Cristo desmoronou, derrubando ao menos dois imóveis e deixando mortos. Mas residências continuam ocupadas, e parte do comércio está aberto.
“[O morro do Cristo] É um paredão rochoso, ameaçador, ali nunca poderiam ter liberado construção no seu pé, e é um bairro de classe média. Isso é um dos problemas”, afirma o geólogo Geraldo César Rocha, professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).
Na comunidade Três Moinhos, também formada sobre encostas, todo o bairro precisou ser evacuado.
“Paineiras é um bairro nobre, o efeito é diferente de lugares como aqui”, afirma Gilcimar Color, morador da Três Moinhos. “Aqui é periferia. Há menos estrutura e o povo demora muito mais para se recuperar.”
A procura por abrigos também espelha as diferenças. A escola municipal Nilo Ayupe, nas Paineiras, foi aberta como abrigo na madrugada de terça-feira (24), mas não havia recebido ninguém até a tarde de quarta (25).
Diante do esvaziamento, a escola se tornou ponto de doação. “A secretaria de Educação solicita os lugares que estão precisando e a gente aciona nossos voluntários para distribuir”, Fabiana Valle de Brito, 48, diretora da escola das Paineiras.
No mesmo horário, na escola municipal Professor Paulo Rogério Silva, no bairro Monte Castelo, já havia atingido a capacidade de 50 pessoas, estipulada pela direção.
A maior parte dos acolhidos saiu do bairro Esplanada, outra região popular de Juiz de Fora. No momento em que a reportagem visitou a escola, outra instituição de ensino estava sendo aberta como abrigo.
Diante de comentários de que a Esplanada ficaria sem água e sem luz, moradores que ainda estavam nas casas decidiram sair e procurar alojamento.
A prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão (PT), diz que o crescimento populacional da cidade a partir da década de 1970 produziu um desordenamento na área urbana.
“Juiz de Fora é uma das cidades que recebeu recursos do CNDU/Bird [Projeto Cidades de Porte Médio], da década de 1970. A ideia era melhorar a condição das cidades de porte médio para que não houvesse migração desesperada para o Rio de Janeiro e a baixada, São Paulo e o ABC. Foi um projeto nacional. Mas, à vista da emergência climática, essas soluções têm sido discutidas”, afirma a prefeita à Folha.
“Não tem como tirar o povo de um bairro como Santa Luzia. Se houvesse racionalidade, [o bairro] nunca poderia ter sido ocupado, pelo menos na margem do correio. É uma loucura, mas está lá. Não posso dizer ‘sai daí’. Então, tenho que mitigar.”
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📰 Fonte: UOL Notícias
🔗 Link original: https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/02/impacto-das-…
Publicado automaticamente pelo Sistema Itaquera News em 27/02/2026 às 07:34

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