Sem Khamenei, quem assumiria o cargo de líder supremo do Irã?

Sem Khamenei, quem assumiria o cargo de líder supremo do Irã?

Resumo
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O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, 86, morreu nos ataques de hoje dos Estados Unidos e de Israel ao país persa, segundo o presidente dos EUA, Donald Trump —informação não confirmada pela teocracia islâmica. Se Khamenei de fato morreu, sua sucessão seguirá um processo rigoroso comandado por 88 clérigos islâmicos.
O que pode acontecer
Quem escolherá o sucessor de Khamenei será o Conselho de Especialistas, também conhecido como Assembleia de Peritos. O colegiado é formado por 88 clérigos especialistas na lei islâmica, que também têm o poder de fiscalizar o líder supremo e podem até destituí-lo, embora isso nunca tenha ocorrido. “Esse conselho é como o cardinalício da Igreja Católica”, explica Fabrício Pontin, professor de Relações Internacionais na Universidade LaSalle. “Espelha um pouco a estrutura do Vaticano.”
Eleitos pelo voto popular a cada oito anos, os membros da Assembleia precisam antes passar pelo crivo do Conselho de Guardiões. Órgão formado por seis clérigos e seis juristas, esse conselho —controlado por Khamenei— pré-aprova os candidatos a uma cadeira na Assembleia de Peritos.

Até a escolha do novo líder, as responsabilidades do cargo são assumidas por um governo de transição. O Conselho de Liderança Temporário é composto pelo presidente do Irã (atualmente Masoud Pezeshkian), o número dois do país, o chefe do Judiciário (Gholam-Hossein Mohseni-Ejei) e os clérigos do Conselho de Guardiões.
Não existe um sucessor oficial, mas especialistas apontam alguns nomes de influência. Na Guerra dos 12 dias, em junho do ano passado, quando o país também foi atacado por Estados Unidos e Israel, a cúpula do Irã criou um plano de contingência para substituir Khamenei em caso de morte, segundo Rodrigo Amaral, professor de Relações Internacionais da PUC-SP. Os possíveis sucessores seriam Mojtaba Khamenei, 56, o filho do líder; e Hassan Khomeini, 53, neto do aiatolá Ruhollah Khomeini, fundador da República Islâmica.
Outro nome corre por fora. Alireza Arafi é membro do Conselho de Especialistas e clérigo influente. Além disso, a Guarda Revolucionária é o pilar de sustentação do regime e pode desempenhar um papel decisivo na escolha.
A escolha do neto de Khamenei seria “simbólica”, diz o professor. “Ao mesmo tempo, o fato do governo iraniano ter sofrido sucessivas decapitações das lideranças políticas, militares e judiciárias dentro do governo transforma o cálculo político em outra coisa”, diz Pontin. “Então é possível que venha uma figura completamente por fora, e não está proibido de acontecer um movimento de revolução dentro da revolução.”
Esse é um processo bem político, e o Khamenei já estava muito velho, então já existe uma espécie de disputa interna. Se o Khamenei estiver morto mesmo, a gente vai ver uma disputa interna dentro da Revolução Cultural Iraniana.
Fabrício Pontin, professor de Relações Internacionais
O que faz o líder supremo
O aiatolá Ali Khamenei é o segundo líder supremo da história do Irã. Ele assumiu o posto em 1989, após a morte de Ruhollah Khomeini, que liderou a Revolução Iraniana (1978-79).
O líder supremo é o chefe de estado, comandante das Forças Armadas e máxima autoridade política e religiosa do Irã. O cargo é vitalício e, como o nome sugere, concentra muito poder: Ele nomeia funcionários do alto escalão do Judiciário, comandantes das Forças Armadas e da Guarda Revolucionária Islâmica, metade dos integrantes do poderoso Conselho de Guardiões e até imãs, as autoridades religiosas. O aiatolá escolhe até os líderes da mídia estatal.
Ele ainda controla operações de inteligência e segurança e as decisões sobre política interna e externa. Também cabe ao líder supremo confirmar a eleição do presidente da República.
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📰 Fonte: UOL Notícias
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Publicado automaticamente pelo Sistema Itaquera News em 28/02/2026 às 21:51














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