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Líder supremo do Irã teve trajetória e apoio enfraquecidos nos últimos anos

Líder supremo do Irã teve trajetória e apoio enfraquecidos nos últimos anos
Líder supremo do Irã teve trajetória e apoio enfraquecidos nos últimos anos

Líder supremo do Irã teve trajetória e apoio enfraquecidos nos últimos anos

Há quase quatro décadas como líder supremo do Irã, Ali Khamenei, 86, teve sua trajetória enfraquecida nos últimos anos. A figura do aiatolá tem repercutido desde que sua suposta morte foi anunciada por Donald Trump e Benjamin Netanyahu, após ataques coordenados dos Estados Unidos e Israel contra o país persa.

Sobre a trajetória de Khamenei

Khamenei, o homem mais poderoso do Irã, governa o país desde 1989. Como líder supremo (religioso, político e militar), o aiatolá deteve a autoridade máxima sobre todos os ramos do governo, as Forças Armadas e o Judiciário na República Islâmica xiita, tendo a palavra final sobre decisões e políticas públicas do país.

Inicialmente, porém, o iraniano era considerado uma liderança fraca e um sucessor improvável do falecido fundador da República Islâmica, o aiatolá Ruhollah Khomeini. Segundo apurado pela agência de notícias Reuters, na época em que chegou ao poder, Khamenei nem mesmo era um aiatolá e, por muito tempo, viveu à sombra de seu mentor, Khomeini.

Para empossar Khamenei, foi necessário fazer uma manobra. Ele, que era o então presidente do Irã, não tinha o grau de marja, reservado aos grandes aiatolás e exigido pela Constituição para ser líder supremo. Foi então nomeado de forma temporária. A Assembleia dos Peritos alterou a Constituição e, em seguida, confirmou o nome dele no cargo. Em 2018, um vídeo da reunião secreta de 1989 que levou a essa escolha vazou para a imprensa, revelando um Khamenei incrédulo e inseguro com a escolha.

De lá para cá, ele construiu uma potência regional que rivalizou com os Estados sunitas do outro lado do Golfo, enquanto se opunha abertamente aos governos dos EUA e Israel. Sua gestão também foi marcada por reprimir de forma ostensiva repetidos distúrbios internos contra políticas conservadoras. Seu governo foi acusado em diversas ocasiões de matar opositores exilados, além de reprimir jornalistas e intelectuais não alinhados ao regime.

Embora autoridades eleitas administrem o dia a dia do país, nenhuma política importante foi levada adiante sem sua aprovação explícita. Seu estilo de liderança mesclou rigidez ideológica com pragmatismo estratégico. Enquanto líder supremo, ele se mostrava profundamente cético em relação ao Ocidente, especialmente aos Estados Unidos, que tentou depor seu regime.

Na tentativa de impor sua autoridade religiosa, Khamenei construiu um forte aparato de segurança para ampliar seu poder e reprimir opositores. No cargo de líder supremo, ele exerceu dominância sobre sucessivos presidentes eleitos e promoveu uma tecnologia nuclear que deixou regiões próximas e países ocidentais temerosos com a capacidade bélica iraniana.

Em momentos de tensão, o líder supremo recorria à Guarda Revolucionária Islâmica e à Basij, uma força paramilitar com milhares de voluntários, para sufocar dissidências. Em 2009, a guarda e a Basij esmagaram protestos após a reeleição de Mahmoud Ahmadinejad, em meio a denúncias de fraude eleitoral.

Apesar da rigidez ideológica, o aiatolá apoiou, de forma cautelosa, o acordo nuclear de 2015 entre o Irã e seis potências mundiais. A decisão foi tomada para aliviar as sanções, visando estabilizar a economia e consolidar o seu controle do poder. Em 2018, porém, Trump abandonou o pacto e determinou sanções severas ao Irã, que reagiu violando as restrições acordadas sobre o seu programa nuclear.

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Em 2022, o líder mandou prender, encarcerar ou executar manifestantes em meio a protestos pela morte da jovem curda iraniana Mahsa Amini. A jovem de 22 anos morreu enquanto estava sob custódia por supostamente desrespeitar o código de vestimenta islâmico do Irã. Organizações de direitos humanos estimam que mais de 500 pessoas foram mortas durante a repressão.

Ataque do Hamas a Israel enfraqueceu Khamenei

Desde que o Hamas, apoiado por Teerã, atacou Israel em 7 de outubro de 2023, porém, a influência regional de Khamenei foi enfraquecida. A perda de força foi se consolidando à medida que Israel passou a atacar representantes do Irã —do Hamas em Gaza ao Hezbollah no Líbano, aos houthis no Iêmen e às milícias no Iraque.

Enfraquecimento regional do líder supremo se agravou com a crise da Síria. Em 2024, seu aliado próximo, o presidente autocrático Bashar al-Assad foi deposto.

Já em junho de 2025, Khamenei teve que se esconder por 12 dias, diante de ataques dos EUA e Israel no Irã. O alvo dos dois países eram instalações nucleares e mísseis importantes iranianos, que foram destruídos. Vários de seus funcionários e comandantes da Guarda Revolucionária morreram na ocasião.

Desde então, ele passou a demonstrar mais disposição para negociar com os EUA. Em 2026, o líder enfrentou a mais grave crise do seu governo. Em janeiro, Khamenei ordenou a repressão mais violenta desde a Revolução Islâmica de 1979, contra manifestantes que protestavam nas ruas contra a alta dos preços e condições de vida no país.

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Ainda em janeiro, porém, chegou a chamar Trump de criminoso, e atribuiu aos EUA a culpa pelas mortes e danos causados no país pelos protestos ocorridos no mesmo mês. Na ocasião, o número de mortos nos protestos no Irã passou de 5.000, segundo a organização Ativistas de Direitos Humanos do Irã.

Em meio ao aumento recente de tensões, antes dos ataques de hoje, Teerã e Washington passaram a negociar um acordo nuclear em Genebra, enquanto os EUA reforçava sua presença militar no Oriente Médio. Iranianos pediam pelo alívio das sanções que paralisam a economia do país, ao passo em que Washington buscava impedir que a República Islâmica desenvolva armas nucleares.

Para especialista, “um acidente da história” transformou um “presidente e um líder supremo inicialmente fraco em um dos cinco iranianos mais poderosos dos últimos 100 anos”. Segundo afirmou Karim Sadjadpour, do Carnegie Endowment for International Peace, à Reuters, foi somente nos últimos anos que o “Eixo de Resistência” que Khamenei criou para se opor ao poder israelense e norte-americano no Oriente Médio começou a se desfazer.

*Com Deutsche Welle, Reuters e RFI

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📰 Fonte: UOL Notícias

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Publicado automaticamente pelo Sistema Itaquera News em 28/02/2026 às 21:51

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