Pedra misteriosa expõe segredo de 2.000 anos e ligação com 2ª Guerra

Pedra misteriosa expõe segredo de 2.000 anos e ligação com 2ª Guerra

Resumo
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O que parecia apenas um objeto decorativo perdido no meio do jardim acabou revelando uma história de quase 2.000 anos, marcada por guerra, arqueologia e memória.
Uma placa de mármore encontrada no quintal de uma casa em Nova Orleans (EUA) foi identificada como uma lápide romana do século 2 que havia desaparecido de um museu italiano durante a Segunda Guerra Mundial.
O que aconteceu
A descoberta começou quando a antropóloga Daniella Santoro limpava o jardim de sua casa e encontrou uma pedra com inscrições em latim. O detalhe imediatamente chamou sua atenção. “O fato de estar em latim realmente nos fez parar para pensar”, disse Santoro à AP News. “Você vê algo assim e pensa: ‘Ok, isso não é algo comum’.”
O elemento decisivo estava no início da inscrição. A lápide trazia a expressão Dis Manibus, uma dedicatória tradicional da Roma Antiga que significa “aos espíritos dos mortos”.
Fórmula era usada para consagrar o falecido às divindades do além e garantir sua lembrança. Segundo especialistas da Preservation Resource Center of New Orleans, na prática funerária romana, era comum gravar a expressão no topo das lápides como uma forma de preservar simbolicamente a memória do morto.
A partir dessa pista, arqueólogos conseguiram identificar o nome inscrito na pedra. Tratava-se de Sextus Congenius Verus, um marinheiro romano que morreu aos 42 anos após mais de duas décadas de serviço militar.
A reação dos especialistas foi imediata. “Quando vi pela primeira vez a imagem que Daniella me enviou, senti um arrepio na espinha porque fiquei simplesmente impressionada”, disse a arqueóloga Susann Lusnia à AP News.
O elo com a Segunda Guerra
A investigação revelou que a lápide já havia sido documentada no início do século 20 como parte do acervo do Museu Arqueológico de Civitavecchia, na Itália. O museu foi praticamente destruído por bombardeios aliados entre 1943 e 1944 e diversas peças desapareceram naquele período.
As medidas registradas nos arquivos coincidiram exatamente com a pedra encontrada em Nova Orleans. “Não poderia haver DNA melhor do que isso”, afirmou Lusnia à AP News.

Durante meses, ninguém sabia como o artefato havia atravessado o oceano. A resposta surgiu com Erin Scott O’Brien, antiga dona da casa onde a peça foi encontrada. Ela reconheceu o objeto ao vê-lo em uma reportagem. “Eu só achava que era uma obra de arte”, disse à Preservation Resource Center of New Orleans. “Não fazia ideia de que era uma relíquia de 2.000 anos.”
A lápide havia sido herdada de seus avós. Seu avô, Charles Paddock Jr., serviu na Itália durante a Segunda Guerra Mundial. A família levou o objeto para Nova Orleans e o manteve por décadas sem conhecer sua origem.
Mais tarde, ele foi colocado no jardim como parte da decoração. “Plantamos uma árvore e dissemos: este é o começo da nossa nova casa. Vamos colocá-la do lado de fora, no jardim”, relatou O’Brien à Preservation Resource Center of New Orleans.
O antropólogo Ryan Gray explicou que a investigação inicialmente buscava apenas possíveis intermediários na trajetória da peça. “Eu realmente achava que teríamos uma lista de possíveis pessoas pelas quais ele poderia ter passado até chegar aqui”, disse à Preservation Resource Center of New Orleans. “Não esperava encontrar a pessoa exata.”
A memória de Sextus e o retorno
Para especialistas, o caso também revela o significado cultural da inscrição romana. Na Roma Antiga, lápides eram instrumentos de memória. O objetivo era garantir que o nome do morto continuasse vivo. “Agora Sextus Congenius Verus está sendo muito comentado”, disse Lusnia à AP News. “Se existe vida após a morte e ele sabe disso, está muito feliz porque é exatamente isso que um romano deseja: ser lembrado para sempre.”
Atualmente, a lápide está sob custódia da equipe de crimes contra a arte do FBI e deve ser devolvida ao museu italiano de onde desapareceu há mais de 80 anos. “É maravilhoso que esteja voltando para onde pertence”, afirmou O’Brien à Preservation Resource Center of New Orleans.
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📰 Fonte: UOL Notícias
🔗 Link original: https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2…
Publicado automaticamente pelo Sistema Itaquera News em 01/03/2026 às 06:22















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