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Por que o Irã é importante estrategicamente para os EUA?

Por que o Irã é importante estrategicamente para os EUA?
Por que o Irã é importante estrategicamente para os EUA?

Por que o Irã é importante estrategicamente para os EUA?

O ofensiva de ontem dos Estados Unidos sobre o Irã pretende consolidar um movimento que começou no século passado: de aumentar a influência americana sobre o Oriente Médio, uma região tradicionalmente arredia, mas rica em petróleo. O ataque também serve a interesses geopolíticos caros ao presidente americano, Donald Trump: atrapalhar o acesso da China, seu principal rival, ao petróleo da região e ainda desestabilizar a Europa, que precisará lidar com uma provável crise de refugiados iranianos.

O que aconteceu

O Irã é uma pedra antiga no sapato americano. País mais populoso da Península Arábica com 93 milhões de habitantes, a teocracia passou a flertar com a possibilidade de construir uma bomba atômica no início do século. Demovido pelo ex-presidente americano Barack Obama, o país persa assinou um acordo para abandonar seu programa nuclear, “mas Trump dinamita esse tratado ao ser eleito em 2016”, lembra o professor de Relações Internacionais Fabrício Pontin, da Universidade LaSalle.

A intenção de Trump era isolar a teocracia iraniana para reduzir sua influência na região. Para isso, ele costurou os Acordos de Abraão: um conjunto de tratados que pela primeira vez aproximou países muçulmanos de Israel. Emirados Árabes Unidos e Bahrein aderiram em setembro de 2020. Depois, Marrocos e Sudão também assinaram.

Com o assassinato de ontem do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, os EUA tentam agora cooptar o país rival. Ontem, Trump chegou a dizer que já tem um nome para liderar os iranianos. “É quase como na Venezuela: não é mudar o regime, mas colocar alguém no poder para trabalhar com os Estados Unidos de forma mais tranquila”, diz Pontin. “Aquela história de levar democracia acabou.”

A adesão iraniana pode estar próxima. O sinal está na disposição do Irã em voltar à mesa de negociação com Trump mesmo após o assassinato de seu líder supremo. “Eles querem conversar, e eu concordei em conversar, então conversarei com eles”, afirmou Trump em entrevista.

É tudo sobre o papel do Irã no fluxo de mercadorias na região.
Fabrício Pontin, professor de Relações Internacionais

28.fev.26 - Uma coluna de fumaça sobe após explosão em Teerã, capital do Irã
28.fev.26 – Uma coluna de fumaça sobe após explosão em Teerã, capital do Irã Imagem: AFP

Trump poderá ter à disposição a quinta maior reserva de petróleo do mundo. “Os EUA já asseguraram o petróleo da Venezuela, e a Arábia Saudita (o segundo maior produtor mundial) é amiga dos EUA de longa data. Se dominar as reservas do Irã, ficará com quase 50% das reservas mundiais, de 1,7 trilhão de barris”, diz Mário de Oliveira Filho, especialista em ativos estratégicos.

Se a cooptação do Irã for bem-sucedida, os EUA terão conquistado a simpatia da maior fatia do Oriente Médio, tradicionalmente arredio. A adesão da Arábia Saudita foi em 1945, a da Jordânia, em 1994. O Bahrein, em 1971, o Kuwait, em 1991. A adesão do Catar ocorreu em 2003 e os Emirados Árabes Unidos, entre os anos 1990 e 2000. País com cerca de 115 milhões de habitantes, o Egito, embora na África, é cultural e geopoliticamente ligado ao Oriente Médio, um apoio que os EUA conquistaram entre 1978 e 1979.

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Já a oposição vem encolhendo. Além do Irã, os opositores americanos são a Síria e grupos não estatais, como o Hezbollah, no Líbano, os Houthis, no Iêmen, e milícias no Iraque — um país cujos conflitos internos dificultam sua classificação como aliado ou opositor americano.

China e Europa

De quebra, a China e outros rivais americanos na Ásia enfrentarão problemas para importar petróleo. Se o Irã bloquear o Estreito de Ormuz, de 20% a 25% do petróleo exportado no mundo ficará retido. Metade do fornecimento da China, maior importadora global, e 90% do Japão vêm da região. Coreia do Sul, Índia e Filipinas também seriam afetados.

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Imagem: Arte UOL

Um longo conflito elevará os preços do barril, gerando inflação e recessão global. Atualmente em torno de US$ 70, o barril do tipo Brent (referência internacional) pode chegar a custar US$ 100 se o conflito sair de controle. “Haveria recessão a nível mundial e produtos básicos, como carne e café, ficariam mais caros”, diz Roberto Ardenghy, presidente do IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo).

Trump também tenta desestabilizar a Europa, que deve receber refugiados iranianos, diz o professor. “A população europeia quer gás barato e não quer imigrantes”, diz Pontin. “Nessas crises, esses assuntos voltam à pauta, fomentando a ascensão de atores políticos não convencionais, populistas.”

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Trump busca uma espécie de Internacional Trumpista, com atores alinhados a ele. Mas para que esses atores apareçam, certas condições internas precisam prosperar na Europa, e o eleitor deve buscar candidatos que rejeitem imigrantes e conflitos armados.
Fabrício Pontin, professor de Relações Internacionais

Para Israel, o conflito interessa ainda mais. “Israel não aceita um rival com capacidade nuclear no Oriente Médio”, diz Oliveira Filho. Na região, apenas israelenses são detentores não assumidos de armas de destruição em massa.

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📰 Fonte: UOL Notícias

🔗 Link original: https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2…

Publicado automaticamente pelo Sistema Itaquera News em 01/03/2026 às 19:08

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