Enquanto Trump e Netanyahu cantam vitória, regime dos aiatolás segue de pé

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Opinião

Enquanto Trump e Netanyahu cantam vitória, regime dos aiatolás segue de pé

O tirânico regime clerical xiita escolheu o sucessor interino de Ali Khamenei, o guia supremo (rahbar), morto nos ataques promovidos por Israel e EUA.

A Constituição de 2 de novembro de 1979 continua em vigor e a Guarda Revolucionária (pasdaran) permanece a proteger o regime. Apenas pela propaganda de guerra difunde-se a ocorrência de deserções em troca de imunidades. Nem os basij, a milícia de suporte e de repressão aos cidadãos iranianos em protesto, baixaram a guarda, apesar de se falar em comemorações nas ruas de Teerã.

Dada a impossibilidade de reunião da Assembleia dos Peritos (86 teólogos eleitos pelo povo e com mandato de oito anos), foi empossado, provisoriamente, o aiatolá Arieza Arafi.

Na noite de ontem, Arafi, o rahbar interino, declarou: “Em breve teremos o fim da arrogância sionista”.

Como se sabe, no plano preparado a quatro mãos pelo presidente Donald Trump e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, o bombardeamento inicial, preparatório, coube às Forças Armadas de Israel.

A operação israelense recebeu o nome de Leão Rugente, foi considerada prosseguimento da ocorrida em 2025, denominada Leão Rampante. A operação norte-americana, que completou a pontual do ano passado, foi batizada de Epic Fury (Fúria Épica, em tradução livre).

Em ambas, o direito internacional público, chamado também de direito das gentes, foi desprezado.

A propósito, ao comentar os ataques ao Irã, o chanceler alemão Friedrich Merz frisou estar o direito internacional “sempre menos respeitado”.

Referiu-se, por evidente, a uma mudança de regime pela via militar, pela força das armas. Aliás, algo já realizado por Trump na Venezuela. No momento, está em risco Cuba, já cercada, com cidades a sofrer falta de energia elétrica em grande parte do dia e estoques de gasolina e diesel na reserva.

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Para disfarçar a ofensa ao direito internacional, Trump usou falou em “ação preventiva” com a intenção de impedir o Irã de possuir armas atômicas, um risco iminente aos EUA. No direito internacional, cabe a reação defensiva, chamada de legítima defesa.

Não há dúvida que o governo dos aiatolás sempre teve por meta destruir o “Grande Satã”, expressão usada pelo Ruhollah Khomeini. O aiatolá Khomeini liderou o levante popular a derrubar o xá Reza Pahlavi, em 1979.

Depois de ser referendado no poder, em 30 de março de 1979, o então guia supremo, Khomeini, decretou apagar Israel do mapa, apontando o estado da estrela de David como subordinado do “Grande Satã”.

O premiê Bibi Nethanyahu defendeu a necessidade iminente do ataque e falou em “sobrevivência existencial” de Israel. Sem esconder um autoelogio, ressaltou haver o seu governo atuado na defesa do povo israelense e garantiu: “Essa guerra fecha a era das guerras”.

Para muitos especialistas em geopolítica e geoestratégia, o objetivo de Trump era o de substituir governos considerados inimigos.

Não se tem certeza, até o momento, se o Irã conseguiu, após os ataques americano e israelense do ano de 2025, recuperar os danos impostos ao projeto nuclear executado.

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Sobre isso, dois renovados especialistas em Oriente Médio do “The New York Times” divergem.

David E. Sanger manifestou-se depois do ataque deste final de semana. Destacou que o ataque anterior dos EUA destruiu, em grande parte, os lugares de enriquecimento nuclear de urânio. E seriam necessários alguns anos para o restabelecimento.

Tomada a sua conclusão e colocada frente ao direito internacional, a situação não era de prevenção, pois o risco não era iminente.

Em sentido contrário, está Thomas Friedman. Duas semanas antes do ataque, Friedman, ganhador de vários prêmios Pulitzer, sustentou estar o premiê Netanyahu enganando Trump. Afirmou, em artigo, terem os iranianos logrado reparar as afetadas instalações de produção nuclear, embora o governo dos aiatolás não tivessem cientistas para colocar no lugar, pelos melhores terem sido assassinados por Israel.

O certo mesmo é não haver Trump, até agora, comprovado o iminente risco nuclear representado pelo governo que era comandado por Khamenei.

Khamenei foi eliminado. Era, desde junho de 1989, o tirano da teocracia iraniana, responsável por prender e matar os seus opositores. Mais ainda, por financiar o terrorismo internacional.

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Na próxima terça-feira, o chanceler alemão Merz encontrará Trump em Washington. Merz apresentará a Trump a fórmula do dia seguinte:

  • Reconhecimento de Israel pelo Irã, que é persa (não árabe) e xiita, e por todos os países árabes. Atenção: uma das metas de Trump é concluir os chamados acordos abraâmicos, em especial o referente a Arabia Saudita e Israel
  • Fim do programa nucelar iraniano. Atenção, de novo: EUA e Irã realizavam reuniões para um acordo nuclear, com a última realizada em Genebra, na última quinta-feira. Trump, ainda na quinta, mostrou-se desiludido com os negociadores iranianos. No sábado, determinou o ataque, com 201 iranianos mortos.
  • Estabilização econômica na região. Isso, por evidente, passa pela questão das vias marítimas pelo mar Arábico. Dois pontos são estratégicos: (1) o estreito de Ormuz, onde está o Irã na costa norte; (2) o golfo de Aden, onde os terrorista houthis do Iêmen, financiados pelo Irã, atacam os petroleiros. Segundo Trump, no ataque de sábado, foram afundados nove importantes navios de guerra iranianos.
  • O povo iraniano “decidir livremente o seu destino”.

Um breve resumo.

Trump e Bibi Netanyahu cantam de galo. Merz sonha. Aleyus Grynkewich, general comandante-geral da Aliança Atlântica, aumentou, temeroso, a segurança nos 32 países membros. António Guterres, o sempre catastrófico secretário geral da ONU, sustentou existir risco de eventos incontroláveis.

O certo mesmo é que o sangrento, intolerante e tirânico regime dos aiatolás, ainda não jogou a toalha de vencido.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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📰 Fonte: UOL Notícias

🔗 Link original: https://noticias.uol.com.br/colunas/walter-maierovitch/2026/…

Publicado automaticamente pelo Sistema Itaquera News em 02/03/2026 às 05:46

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