Dólar: vale a pena comprar agora? As projeções do mercado em meio ao conflito EUA-Irã
Dólar: vale a pena comprar agora? As projeções do mercado em meio ao conflito EUA-Irã
📰 Fonte: Economia – www.infomoney.com.br
A reação do mercado foi imediata: o dólar iniciou esta segunda-feira (2) em alta firme ante o real, acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante boa parte das demais divisas no exterior, após Estados Unidos e Israel lançarem ataques contra o Irã no fim de semana.
Às 12h (horário de Brasília), o dólar subia cerca de 1%, a R$ 5,19, chegando a bater os R$ 5,21 nesta segunda.
A reação já era esperada: Gabriel Uarian, analista CNPI da Cultura Capital, apontou na véspera que projetava o dólar é de R$ 5,25 a R$ 5,40 na abertura, contra os R$ 5,13 do fechamento de sexta-feira, levando em conta a corrida por ativos seguros, como o dólar, em meio à aversão a risco com um novo risco geopolítico.
Contudo, analistas apontam, que o cenário pode mudar, com uma alta da moeda brasileira caso o avanço do petróleo se mantenha.
A forte queda do real nesta segunda-feira repete quase exatamente o padrão observado em 2022, após a invasão da Ucrânia pela Rússia, segundo avaliação do economista Robin Brooks, ex-chefe do Instituto de Finanças Internacionais (IIF). Ele vê na reação inicial dos mercados ao ataque dos Estados Unidos e Israel ao Irã um comportamento clássico de aversão ao risco — seguido, posteriormente, por uma reprecificação em favor de países exportadores de commodities.
Segundo Brooks, o movimento de depreciação do real tende a ser temporário. “Em 2022, os mercados levaram cerca de duas semanas para perceber que a alta dos preços do petróleo era benéfica para o real”, afirma. Naquele período, a moeda brasileira liderou os ganhos globais com uma valorização de cerca de 18% no primeiro trimestre.
O dólar encerrou 2021 aos R$ 5,575 no Brasil e atingiu R$ 4,608 em 4 de abril de 2022, quase 2 meses depois do 1º ataque feito pela Rússia.
“Essa movimentação teve tudo a ver com os termos de troca. A invasão da Ucrânia pela Rússia estava elevando os preços das commodities em geral, beneficiando uma potência agrícola e de commodities como o Brasil”, apontou Brooks.
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Dan Kawa, economista e especialista em fundos de investimento, também reforça a visão de que alguns países, e especialmente o Brasil, podem ter uma via de alta no atual ambiente. O conflito adiciona um choque relevante via petróleo para emergentes, com impactos assimétricos.
Uma alta de 10% no preço do petróleo tende a reduzir o PIB de grandes importadores em até 0,8 ponto percentual (pp), enquanto beneficia exportadores como Brasil e Rússia.
Na mesma linha, Fernando Ferreira, estrategista-chefe e head do Research da XP, destacou em live do InfoMoney que, em momentos de choques geopolíticos, há normalmente uma apreciação inicial do dólar como porto seguro. No caso brasileiro, porém, o impacto pode ser limitado, porque o país é beneficiado por preços de commodities mais altos, o que melhora a balança comercial.
Antes da eclosão do conflito, analistas de mercado já estavam positivos com a moeda brasileira, com destaque para a projeção de continuidade de fluxo estrangeiro. O banco Pine também ressalta que ainda há espaço para uma queda ainda mais forte da divisa americana no primeiro semestre, para perto dos R$ 5, em meio ao cenário atual. Os analistas avaliam que um cenário econômico dos EUA combina desaceleração pontual do crescimento com inflação ainda elevada, mas com viés um pouco mais favorável para o PIB no início de 2026.
Por outro lado, o Itaú pondera que o aumento esperado no prêmio de risco local antes das eleições continua sendo o principal fator de depreciação do real ao longo do ano, limitando uma maior valorização. Em relatório recente, a equipe de economistas da casa revisaram sua revisão cambial de R$ 5,50 para R$ 5,40 em 2026 e de R$ 5,70 para 5,60 em 2027. Assim, apesar da revisão para baixo, ainda vê o dólar se valorizando em relação aos patamares atuais.
📌 Fonte original: https://www.infomoney.com.br/mercados/dolar-vale-a-pena-comp…
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