Poder de compra de alimentos cresce no Brasil, mas não retoma patamar pré-pandemia
Poder de compra de alimentos cresce no Brasil, mas não retoma patamar pré-pandemia
📰 Fonte: Brasil – rss.uol.com.br
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O poder de compra dos alimentos cresceu ao longo do terceiro governo Lula (PT) com o aumento real do salário mínimo, o aquecimento do mercado de trabalho e a trégua da inflação, mas segue abaixo de níveis verificados antes da pandemia no Brasil.
É o que indica um levantamento do economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4intelligence. A análise calcula quantas cestas básicas podem ser compradas com um salário mínimo ou com a renda média do trabalho desde 1998.
“Teve uma melhora, uma recuperação do poder de compra, mas ela é lenta”, diz o especialista.
Segundo o levantamento, o valor de um salário mínimo, reajustado para R$ 1.621 no início de 2026, poderia comprar o equivalente a 1,9 cesta básica em São Paulo, considerando o preço médio desse conjunto de alimentos em janeiro deste ano (R$ 854,37).
É o maior patamar desde o começo do terceiro mandato de Lula, que tomou posse em janeiro de 2023. O nível, porém, ainda é cerca de 8% inferior ao registrado na década anterior à pandemia (2010 a 2019), quando a média do período ficou em 2,07 cestas básicas.
Ao longo da série histórica, o salário mínimo já chegou ao equivalente a 2,28 cestas em março de 2012. À época, a remuneração era de R$ 622, e o preço médio dos alimentos básicos estava em R$ 273,25 na capital paulista.
A comparação usa dados da cesta pesquisada pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). O conjunto abrange 13 alimentos –carne, leite, feijão, arroz, farinha, batata, tomate, pão, café, banana, açúcar, óleo e manteiga.
O cenário apresenta semelhanças quando a análise substitui o salário mínimo pelo rendimento médio habitualmente recebido em todos os trabalhos no Brasil.
Em dezembro de 2025, último dado disponível, a renda média em termos nominais no país (R$ 3.613) poderia comprar o equivalente a 4,28 cestas básicas em São Paulo.
Também é o maior patamar desde o início de Lula 3, mas ainda está cerca de 11% abaixo da média de 2010 a 2019 (4,82), no pré-pandemia. A relação já chegou a 5,2 cestas em meses de 2012 e 2014.
A comparação utiliza dados de renda do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), além das informações da cesta do Dieese.
O IBGE calcula o rendimento em trimestres móveis, enquanto o Dieese publica o preço da cesta nas capitais a cada mês –não há um valor único nacional.
Nesse caso, para permitir a comparação dos números, Imaizumi diz que olhou para a renda em conjunto com uma média trimestral construída para a cesta.
O preço dos alimentos é apontado por analistas como um dos principais fatores de influência no voto da população do país, que terá eleições presidenciais em outubro. Lula deve concorrer novamente.
Durante o governo Jair Bolsonaro (PL), o poder de compra de um salário mínimo baixou de um pico 2,14 cestas básicas em novembro de 2019, antes da pandemia, para o piso de 1,51 em abril de 2022, às vésperas das últimas eleições presidenciais.
Já o rendimento médio passou de um patamar equivalente a 4,9 cestas em novembro de 2019 para 3,3 em maio de 2022.
Para Imaizumi, não foi só a pandemia o motivo pelo qual Bolsonaro não se reelegeu. “A questão dos preços dos alimentos também é um fator essencial”, diz.
O levantamento traz previsões até o final de 2026. Imaizumi projeta que, em dezembro, o poder de compra será de 1,84 cesta básica com um salário mínimo (R$ 1.621) e de 4,4 com a renda média esperada para o trabalho (R$ 3.838).
As duas estimativas estão abaixo das médias de 2010 a 2019 (2,07 e 4,82). Segundo o economista, não há expectativa de o poder de compra alcançar ao longo deste ano os patamares do pré-pandemia.
Apoiadores de Lula têm destacado o recente alívio da inflação dos alimentos e a recuperação do mercado de trabalho, além da valorização do salário mínimo, como fatores que podem ajudá-lo na reeleição.
Ao chegar a R$ 1.621 em janeiro de 2026, o mínimo teve aumento de 6,79% ante 2025 (R$ 1.518). O novo salário começou a cair na conta dos trabalhadores em fevereiro.
O piso também serve de referência para benefícios como aposentadorias e pensões do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Quando o salário mínimo é reajustado, benefícios iguais ao piso acompanham esse aumento. Os pagamentos do novo valor tiveram início na reta final de janeiro.
Os alimentos consumidos em casa, que vão além da cesta básica, acumularam inflação de 1,43% no Brasil em 2025, conforme o IPCA, índice oficial do IBGE.
Houve desaceleração ante 2024, quando a alta foi de 8,23%. Em outras palavras, o ritmo de aumento ficou menor no ano passado.
Ainda assim, o nível dos preços pode ser incômodo para o consumidor depois de períodos anteriores nos quais a inflação dos alimentos superou a média geral, segundo Imaizumi.
O economista atribui essa sensação a uma combinação de fatores. Além do choque causado pela pandemia, o dólar havia pressionado o custo dos alimentos antes de a moeda americana entrar em uma trajetória de queda, diz o economista.
Imaizumi também avalia que o cenário é impactado pela perda de participação da agricultura familiar em meio ao avanço de grandes propriedades rurais, cuja produção muitas vezes é direcionada a grãos como a soja e ao mercado externo.
Procurada pela Folha, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República disse que há uma “recuperação relevante” do poder de compra, refletindo a valorização real do salário mínimo, a queda do desemprego e a desaceleração da inflação.
“A trajetória recente mostra recomposição consistente após as perdas acumuladas no período pós-pandemia, especialmente entre trabalhadores de menor renda.”
Para o cientista político Creomar de Souza, CEO da consultoria Dharma e professor da FDC (Fundação Dom Cabral), o Planalto vem tentando transformar os resultados obtidos na economia em uma percepção positiva das pessoas sobre o tema, mas parece que ainda não acertou o tom.
“Talvez a gente tenha que observar com muita calma o impacto de políticas públicas que estão sendo realizadas neste ano, como a distribuição dos botijões de gás ou os descontos na conta de energia elétrica”, afirma.
Segundo ele, o preço dos alimentos é uma variável “muito impactante” e, caso a percepção de retomada do poder de compra se espalhe, poderá ser bastante positiva para o governo.
“A pergunta de um milhão de dólares é se há uma capacidade de melhoria dessa percepção de agora até outubro, momento em que a foto é tirada.”
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📌 Fonte original: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/03/poder-de-compr…
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