Origem dos olhos remonta a invertebrado com um único olho, sugere pesquisa
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📰 Fonte: Geral – rss.uol.com.br
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Como o olho dos vertebrados evoluiu pela primeira vez? Um novo estudo sugere um início estranho para esse processo: nossos ancestrais invertebrados de 560 milhões de anos atrás eram como ciclopes, com um único olho no topo da cabeça, que só mais tarde se dividiu em dois.
A complexidade e sofisticação do olho dos vertebrados chamou a atenção de Charles Darwin (1809-1882) quando ele desenvolvia sua teoria da evolução. “O olho até hoje me dá um calafrio”, confidenciou ele ao botânico americano Asa Gray (1810-1888), em 1860.
De alguma forma, a evolução produziu o olho a partir de muitas partes, como o cristalino e a retina, por meio de pequenas mudanças ao longo das gerações. Darwin não conseguia dizer com certeza qual foi essa sequência de mudanças.
No entanto, ele ficou encorajado pela diversidade de olhos mais simples entre os invertebrados. Alguns são meros aglomerados de pigmento que detectam luz; outros, simples cavidades sem lentes.
“Quando penso nas finas gradações conhecidas, minha razão me diz que devo vencer o calafrio”, escreveu Darwin a Gray.
No entanto, os críticos da teoria da evolução continuaram a lançar dúvidas sobre a ideia de que os olhos poderiam evoluir. Na década de 1990, criacionistas afirmavam que a seleção natural precisaria de muitos bilhões de anos para produzir um olho —muito mais tempo do que a vida existe na Terra.
O neurobiólogo Dan-Eric Nilsson, da Universidade de Lund (Suécia), ficou tão irritado com essas alegações que resolveu estimar quanto tempo levaria para um conjunto de células fotossensíveis evoluir até se tornar um olho capaz de formar imagens. “Pensei: esse é um cálculo fácil, vamos fazer isso.”
Em 1994, ele e Susanne Pelger, sua colega em Lund, concluíram que um olho capaz de formar imagens poderia evoluir em algumas centenas de milhares de anos. “[O dado] serve para mostrar que há tempo de sobra para os olhos evoluírem”, disse Nilsson.
O modelo abordou apenas como a forma dos olhos evoluiu. Na realidade, muitas outras mudanças ocorreram ao longo do caminho. Novas proteínas tiveram que surgir para refratar a luz no cristalino, por exemplo, enquanto outras absorviam luz na retina.
Em 1994, os cientistas não sabiam o suficiente sobre esses detalhes microscópicos para desenvolver uma hipótese de como os olhos evoluíram. Três décadas depois, isso não é mais o caso. “Agora há muitos dados moleculares que podemos usar e que são extremamente poderosos”, afirmou Nilsson.
O neurobiólogo e outros especialistas em visão uniram forças para desenvolver uma hipótese sobre como os olhos dos vertebrados evoluíram.
“Você olha para todas as evidências na sua cabeça, e de repente tudo se encaixa”, disse o também neurobiólogo Tom Baden, da Universidade de Sussex (Reino Unido), que colaborou com Nilsson. A dupla e outros pesquisadores descreveram sua hipótese para a evolução dos olhos dos vertebrados na revista Current Biology no último dia 23.
“O que fizemos foi apresentar um conjunto plausível de etapas que nos levaram até lá”, disse Baden.
O cenário começa há cerca de 560 milhões de anos, quando nossos ancestrais invertebrados viviam em sua maioria enterrados no fundo do oceano. Eles colocavam suas cabeças sem cérebro para fora para filtrar pedaços de comida que passavam flutuando.
No topo de suas cabeças, propõem Nilsson e seus colegas, esses precursores dos vertebrados possuíam uma única mancha de células sensíveis à luz. Essas células acompanhavam o ciclo de dia e noite, regulando os relógios biológicos dos animais, e também forneciam pistas simples sobre sua posição, de modo que os animais pudessem manter suas cabeças na altura certa para se alimentarem sem o risco de se tornarem presas.
Alguns dos descendentes desse ancestral ciclópico deixaram suas tocas e começaram a nadar. Ainda eram criaturas simples, com cérebros minúsculos, e continuavam filtrando alimento da água por onde nadavam. Mas agora precisavam de mais informações sobre seu ambiente.
Seu olho único tornou-se mais complexo. Depressões em forma de taça evoluíram em ambos os lados, sensíveis à direção da luz incidente —diferentes células fotossensíveis eram ativadas dependendo de sua posição ao longo da curva das taças. Nilsson e seus colegas argumentam que essas foram as precursoras das retinas em nossos próprios olhos.
A percepção da direção da luz ajudou os animais a se deslocarem pela água, permitindo que permanecessem eretos e estáveis.
“Fica mais escuro em uma grande parte do campo visual e não em outra”, disse Nilsson. “Isso indica que você está se inclinando em uma direção ou outra.”
Ao longo de milhões de anos, nossos ancestrais filtradores evoluíram para pequenos peixes, completos com cérebros e bocas que podiam usar para capturar animais vivos. Nilsson e seus colegas afirmam que essa transformação não poderia ter acontecido sem uma mudança adicional nos olhos.
“Há um lugar melhor para eles, em cada lado da cabeça”, disse Nilsson.
À medida que essas proto-retinas se deslocaram para as laterais da cabeça, as conexões entre as células fotossensíveis formaram novas ligações, produzindo uma visão mais nítida, propõem Nilsson e seus colegas.
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📌 Fonte original: https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2026/03/origem-dos-olh…
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