‘Pareciam cometas, bolas de fogo’, diz brasileiro após ver mísseis em Dubai

‘Pareciam cometas, bolas de fogo’, diz brasileiro após ver mísseis em Dubai
Um brasileiro que está em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, presenciou o disparo de mísseis iranianos na região, que abriga bases militares norte-americanas, alvos de uma retaliação do Irã aos ataques coordenados entre Estados Unidos e Israel ao país persa no fim de semana.
O que aconteceu
O artista e escritor brasileiro Gian Gigi Spina relatou ao UOL o momento em que estava na casa de uma amiga, em Dubai, na noite de domingo (no horário local), e presenciou três mísseis iranianos no céu da região. Ele, que viajou aos Emirados Árabes a trabalho, tem tentado escapar das zonas de conflito no país desde que o Irã passou a retaliar bases militares dos Estados Unidos no Oriente Médio, além de regiões em Israel, após ataques conjuntos dos países matarem o aiatolá iraniano Ali Khamenei e outras centenas de pessoas no território persa.
Fomos para a varanda e vimos os mísseis caindo lentamente, era um cena que eu só havia visto na televisão. Pareciam cometas, bolas de fogo descendo do céu. Vimos um míssil, que de fato caiu, ouvimos os sons e, com o noticiário ao vivo passando na TV, parecia tudo um sonho estranho. Gian Gigi Spina
Ele comparou a cena a outros tipos de violência que já presenciou no Brasil. Gian disse que, após presenciar os mísseis ao lado dos amigos, comentou ao grupo que não conhecia nenhum brasileiro que já tivesse testemunhado algo parecido. “Em ambas as regiões há violência, mas são distintas”, relatou. “Aqui, não sabemos quando vem ou chega, lá fica bem claro e está na sua frente”.
“Fiquei muito assustado, não estou acostumado com esse tipo de violência”, contou. Ele disse ainda que, no domingo pela manhã, quando soube da morte de Khamenei, também recebeu a notícia de que dois prédios famosos de Dubai haviam sido atacados. “Na sequência, demos uma volta pela cidade e estava tudo vazio, não tinha ninguém na rua, parecia uma cidade fantasma, praia vazia, tudo vazio”.
Pegamos um táxi e começamos a conversar um pouco com o motorista, que estava o tempo todo no telefone com a família, do Paquistão. Uma hora ele me disse “look bomb!” [“Olha, bomba”], e logo à direita havia uma nuvem enorme de fumaça. Perguntei quando foi, e ele disse: ‘há uns 10 minutos’. Ele ria de uma maneira que havia um nervosismo enorme escondido por trás.
Gian Gigi Spina
Retaliação iraniana
Os mísseis e drones lançados pelo Irã alcançaram regiões dos Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Iraque, Omã, Bahrein, Kuwait e Qatar. Em Dubai, o segundo aeroporto mais movimentado do mundo foi afetado com evacuação parcial e interrupção total de voos, e quatro funcionários ficaram feridos. Hotéis cinco estrelas e torres de prédios pegaram fogo, atingidos por alguns dos mais de 200 drones e 137 mísseis balísticos que visaram apenas os Emirados Árabes, segundo o Ministério da Defesa iraniano.
Quase todos os estados do Golfo têm algo em comum: garantias de segurança dos Estados Unidos e bases militares norte-americanas. A estratégia do governo iraniano visa impor custos iniciais e substanciais aos seus vizinhos e à estabilidade geral na região.
Aos países da região: não estamos buscando atacá-los. Mas quando as bases localizadas em seu país são usadas contra nós, e quando os Estados Unidos realizam operações na região contando com essas forças, então atacaremos essas bases. Pois essas bases não fazem parte do território desses países; na verdade, são solo americano.
Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã
Ataques de EUA e Israel contra o Irã
EUA e Israel lançaram na madrugada de sábado um ataque coordenado contra o Irã, que declarou ter retaliado atacando bases militares americanas no Oriente Médio. Trump disse que o objetivo da ação era “defender o povo americano”, enquanto Israel também alegou agir em defesa do seu território. No ataque, o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, foi morto, junto a outras autoridades da alta cúpula militar iraniana.
Explosões também foram ouvidas em outras quatro cidades do Irã (Isfahan, Qom, Karaj, Kermanshah). As autoridades suspenderam o tráfego aéreo no país, enquanto serviços de telefonia e internet apresentam falhas graves, segundo jornalistas locais.
Um dos bombardeiros no sábado deixou ao menos 168 mortos em uma escola no sul do Irã, informou a Justiça do país. O colégio, em Minab, na província de Hormozgan, foi um dos alvos dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o país. As vítimas tinham entre 7 e 12 anos, segundo informações da IRNA (Agência de Notícias da República Islâmica).
Governo acompanha situação dos brasileiros no Oriente Médio
Itamaraty diz acompanhar situação e orienta nacionais. Procurado pelo UOL, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que permanece à disposição para prestar assistência consular aos brasileiros na região. Mais cedo, a pasta divulgou um alerta recomendando que brasileiros não viajem a países da região, incluindo Irã, Israel, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Jordânia, Iraque, Líbano, Palestina, Síria e Arábia Saudita.
Governo divulgou orientações de segurança para quem está na região. Entre as recomendações estão procurar imediatamente o abrigo mais próximo, como estações de metrô, viadutos ou estacionamentos subterrâneos, e evitar permanecer em áreas expostas. O Itamaraty também orienta que, dentro de casa, pessoas busquem cômodos internos sem janelas e mantenham portas e janelas fechadas.
Autoridades recomendam preparar reservas básicas. O alerta consular ainda sugere evitar permanecer em locais com visão direta do céu e buscar abrigo antes de usar aplicativos de mensagens ou realizar chamadas. Outra orientação é encher banheiras ou recipientes grandes com água fria para garantir reserva em caso de eventual escassez.
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📰 Fonte: UOL Notícias
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Publicado automaticamente pelo Sistema Itaquera News em 03/03/2026 às 09:27















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