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The New York Times


Sob pressão de Trump, líder de Cuba sugere mudança econômica urgente no país

  • Miguel Díaz-Canel propõe mais autonomia aos municípios e ao setor privado e mais investimentos estrangeiros
  • Especialistas questionam real profundidade das mudanças

Luis Ferré-Sadurní


David C. Adams

The New York Times

O líder Miguel Díaz-Canel, de Cuba, sugeriu nesta segunda-feira (2) uma transformação “urgente” do modelo econômico do país, de acordo com a mídia estatal cubana, enquanto o país enfrenta um bloqueio petrolífero do governo Trump que aprofundou a crise humanitária na ilha.

Díaz-Canel falou da necessidade de dar mais autonomia aos municípios e ao setor privado cubano, pediu mais investimentos estrangeiros no setor energético e um “redimensionamento do aparato estatal”.

Homem de cabelos grisalhos, vestido com camisa social clara, fala e aponta com a mão direita enquanto está atrás de um púlpito de madeira. Ao lado esquerdo, bandeira de Cuba com estrela branca em fundo vermelho e faixas azul e branca. Fundo vermelho escuro.
O líder de Cuba, Miguel Díaz-Canel, durante conferência na capital Havana

Yamil Lage – 19.nov.23/AFP

“Devemos nos concentrar imediatamente na implementação das transformações mais urgentes e necessárias no modelo econômico e social”, disse o líder em um discurso ao Conselho de Ministros, o órgão máximo do governo, segundo a mídia estatal.

Os apelos de Díaz-Canel por mudanças, que foram vagos e pouco detalhados, parecem ser uma resposta direta à crescente pressão dos Estados Unidos sobre o regime comunista e um reconhecimento claro dos danos que o bloqueio petrolífero dos EUA causou a Cuba.

Os líderes cubanos há muito prometem reformar a economia ineficiente e controlada centralmente, antes de recuar por medo de perder o controle político.

No início deste ano, o governo de Donald Trump bloqueou os embarques de combustível da Venezuela para Cuba, outrora a principal fonte de petróleo estrangeiro da ilha, e anunciou tarifas sobre qualquer país que enviasse petróleo a ilha caribenha, cortando em grande parte as importações de petróleo e agravando uma escassez de energia da população.

Depois que os Estados Unidos lideraram ataques militares contra a Venezuela e o Irã, dois dos aliados mais próximos de Cuba, Trump deu a entender que derrubar o regime cubano pode ser o próximo passo.

Díaz-Canel pediu nesta segunda uma “estabilização macroeconômica” da economia, de acordo com a mídia estatal, e um aumento na produção de alimentos do país.

Especialistas questionam, no entanto, se o país pode alcançar mudanças mais profundas sem um maior desmantelamento do controle do Estado sobre a economia.

“Esta não é uma reflexão genuína sobre uma mudança muito necessária e há muito esperada”, disse Ricardo Torres, economista cubano da American University. Ele descreveu as propostas do líder cubano como “mudanças para que tudo continue igual”.

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