Como funciona o legislativo da cidade de Pequim, retrato da China

Como funciona o legislativo da cidade de Pequim, retrato da China

Em janeiro do ano passado. um acadêmico de Xangai, Mao Xiangdong, delegado ao congresso local, preparatório para o Congresso Nacional do Povo, propôs liberar o acesso à internet internacional em Pudong — o distrito da torre Pérola Oriental, símbolo do progresso da cidade.
O projeto não foi aprovado para Xangai, mas meses depois o Porto Livre de Hainan, voltado a livre comércio, foi inaugurado com acesso à internet internacional para as empresas instaladas na ilha.
Para acompanhar o andamento de projetos assim na China, cobri no final de janeiro o congresso local de Pequim. Era preparatório, como outros pelo país todo, para o Congresso Nacional que começa nesta quinta no Grande Salão do Povo — e é parte das chamadas Duas Sessões, junto com a Conferência Consultiva Política, o Conselhão chinês, que acontece nesta quarta. Não cheguei a ver as comissões, mas a plenária para votar a versão local do 15º Plano Quinquenal foi frustrante.
Havia diversidade entre os 728 delegados em janeiro. Muitas mulheres, alguns representantes de minorias reconhecidos pelas roupas, mas uma maioria de homens de terno e gravata. Vários tiravam fotos em grupo, até a ordem para seguir aos assentos. Ouviram o extenso discurso do prefeito de Pequim, Yin Yong, encerrado com uma votação sobre o novo plano. A frustração veio no telão: 722 votos a favor, nenhum contra, nenhuma abstenção, 6 não apertaram o botão, talvez sonolentos.
Não foi por falta de relevância, até global, das decisões tomadas. Uma delas foi definir a meta de crescimento do PIB da cidade neste ano, “cerca de 5%”. Dos 31 governos locais chineses, 21 reduziram metas em relação a 2025, o que influi na projeção nacional. Embora a expectativa maior ainda seja de que a meta do país será mantida este ano em “cerca de 5%“, há quem espere “4,5%-5%” quando o primeiro-ministro Li Qiang soltar o número em seu discurso na quinta.
Outras decisões são mais significativas para a população local. Por exemplo, o programa para 2026 prevê “melhorar as condições ambientais dos hutongs”, as vielas do centro da capital —onde eu moro. Também “retificar ou transferir para fora de Pequim” outras 80 fábricas, inclusive uma petroquímica da Sinopec, parte do programa de combate à poluição do ar iniciado há uma década e considerado modelo para outras grandes cidades nos emergentes, como Nova Déli.
Mais Globo & China
Enquanto aguarda a autorização para o correspondente da TV Globo em Xangai, o Grupo Globo prepara um seminário para o fim do mês na cidade, Summit Valor Econômico Brazil-China. São esperados nomes como o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, mas principalmente executivos das gigantes nas relações de investimento e comércio bilateral, como CRRC e State Grid no lado chinês ou Vale no brasileiro, para abordar temas como logística e minerais críticos.
Pós-guerra

O noticiário chinês e americano busca mostrar que as negociações entre Pequim e Washington, voltadas à visita de Donald Trump prevista para o final deste mês, seguem de pé. Os dois lados estariam conversando sobre a retomada dos investimentos bilaterais, com um encontro marcado entre os negociadores He Lifeng e Scott Bessent na França, no fim de semana.
Mas as apostas no “mercado de previsões” americano Polymarket, como se acompanha em mídia social chinesa, são de que o ataque americano ao Irã vai provocar adiamento.
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📰 Fonte: UOL Notícias
🔗 Link original: https://noticias.uol.com.br/colunas/nelson-de-sa/2026/03/04/…
Publicado automaticamente pelo Sistema Itaquera News em 04/03/2026 às 08:52
















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