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Irã e Israel já foram parceiros: quando e como países romperam relações?

Irã e Israel já foram parceiros: quando e como países romperam relações?
Irã e Israel já foram parceiros: quando e como países romperam relações?

Irã e Israel já foram parceiros: quando e como países romperam relações?

Irã e Israel, que travam um conflito hoje com mais de mil mortos, já mantiveram uma aliança estratégica fundamental antes da Revolução Islâmica de 1979.

Irã e Israel já foram amigos

A relação entre os dois países foi próxima e estratégica durante décadas. Sob a monarquia de Mohammad Reza Shah Pahlavi, Teerã e Tel Aviv cooperavam intensamente em segurança e inteligência, em uma parceria discreta e pragmática. Os países evitavam assumir uma relação aberta e formalizada.

A parceria era definida por interesses mútuos de sobrevivência e influência. Segundo a Fundação Enciclopédia Iranica, para Israel, a aliança rompia o isolamento no mundo árabe ao buscar parceiros na “periferia” da região; para o xá do Irã, o elo reforçava a inserção pró-Ocidente do regime e ajudava a sustentar pontes com os Estados Unidos e aliados no Ocidente.

A cooperação econômica tinha o petróleo como ponto central. O Irã era um grande produtor de energia e Israel buscava abastecimento seguro e rotas alternativas, o que gerou uma dependência comercial benéfica para ambos os lados, amarrada por logística e por conveniência estratégica.

Documentos diplomáticos confirmam essa troca comercial. Registros da coleção FRUS (Relações Exteriores dos Estados Unidos) indicam que o Irã forneceu petróleo a Israel desde o fim dos anos 1950 e registram que a crise árabe-israelense de 1967 repercutiu no Irã, elevando a sensibilidade política do tema no ambiente interno e ampliando pressões para que Teerã recalibrasse sua posição.

O Irã equilibrava essa relação com o apoio público à causa palestina. Documentos dos EUA, de 1967, mostram que, apesar da parceria com Israel, Teerã defendia “os direitos legítimos dos povos muçulmanos” e citava as resoluções da ONU sobre a questão palestina —um esforço para não ficar isolado no mundo islâmico, mesmo mantendo a cooperação nos bastidores.

Havia uma estrutura física para essa parceria, conhecida como “ponte de combustível”. O corredor Eilat-Ashkelon passou a ser usado para levar petróleo do Mar Vermelho ao Mediterrâneo, reduzindo a dependência de rotas mais longas e vulneráveis e consolidando uma infraestrutura que dava escala ao abastecimento e ajudava a contornar gargalos regionais.

Ao longo desse período, a relação funcionou como um equilíbrio permanente entre discurso e pragmatismo. A cooperação existia, mas era cercada de cautela. Em momentos de crise, a necessidade de preservar a imagem do Irã entre países muçulmanos forçava gestos públicos, enquanto os interesses estratégicos empurravam a continuidade dos canais discretos.

O que fez a relação mudar

O falecido líder e fundador da revolução islâmica aiatolá Khomeini fala de uma varanda da escola Alavi em Teerã, Irã, durante a revolução do país em fevereiro de 1979
O falecido líder e fundador da revolução islâmica aiatolá Khomeini fala de uma varanda da escola Alavi em Teerã, Irã, durante a revolução do país em fevereiro de 1979 Imagem: Arquivo/Reuters

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A Revolução Islâmica de 1979 marcou a ruptura total dessa amizade. A queda da monarquia Pahlavi e a criação da República Islâmica transformaram radicalmente a política externa, e o novo regime passou a tratar Israel como inimigo central em seus discursos e ações, como parte de uma identidade política e religiosa que se consolidou no pós-revolução.

A mudança de regime chocou quem vivia a cooperação anterior. Houve tentativas frustradas de manter algum canal aberto no primeiro ano pós-revolução, mas a nova ideologia de Teerã tornou a inimizade irreversível e esvaziou qualquer possibilidade de retorno ao modelo “discreto e pragmático” do período monárquico.

A rivalidade impulsionou disputas por influência regional. O rompimento reconfigurou o tabuleiro do Oriente Médio, com o Irã passando a apoiar grupos armados e milícias que formam o chamado “Eixo da Resistência” contra Israel, enquanto Israel adotou como prioridade estratégica conter essa rede e impedir que ela abrisse frentes permanentes de ameaça.

A escalada até o conflito atual

A tensão subiu de patamar com o fim do acordo nuclear e ataques diretos. A saída dos Estados Unidos do acordo em 2018, sob o governo de Donald Trump, intensificou o atrito. “Este foi um acordo unilateral horrível. Não trouxe calma, não trouxe paz e nunca trará”, disse Trump na época.

O ano de 2024 trouxe um componente novo com ataques diretos entre os países. Israel atacou um consulado iraniano em Damasco em abril, e o Irã respondeu com centenas de drones e mísseis, rompendo o padrão de guerra apenas por procuração e levando a rivalidade a um patamar de confronto explícito entre Estados.

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Assassinatos de lideranças agravaram a crise. A morte de Ismail Haniyeh em Teerã e de Hassan Nasrallah em Beirute, atribuídas a Israel, foram pontos de virada que levaram a trocas de mísseis mais pesadas no final daquele ano, acelerando o ciclo de retaliações e endurecendo posições políticas.

A escalada mais recente também alterou a lógica de mudança. Por décadas, a rivalidade foi marcada por operações na sombra e por intermediários, com ataques indiretos, sabotagens, ações clandestinas e confrontos por procuração. No conflito atual, a hostilidade passa a incluir trocas abertas de ataques, com impacto direto sobre população, infraestrutura e cadeias de comando, o que aumenta o risco de escalada e reduz margens de recuo público sem custo político.

Como está o conflito hoje

O conflito hoje é aberto e já deixa mais de mil mortos no Irã. A Hran (Human Rights Activists News Agency) contabiliza 1.114 vítimas, incluindo 183 crianças, desde o início dos bombardeios recentes.

02.mar.2026 - Prédios residenciais danificados em Teerã, durante a campanha militar conjunta EUA-Israel contra o Irã
02.mar.2026 – Prédios residenciais danificados em Teerã, durante a campanha militar conjunta EUA-Israel contra o Irã Imagem: AFP

A ofensiva militar de EUA e Israel atingiu cerca de 2.000 alvos. O Comando Central americano listou ataques a quartéis da Guarda Revolucionária, sistemas de mísseis e navios, enquanto Israel afirma ter abatido um caça sobre Teerã.

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Teerã ameaçou atacar embaixadas de Israel em todo o mundo. O porta-voz das Forças Armadas iranianas, Abolfazl Shekarchi, disse que se a embaixada iraniana em Beirute for atingida, todas as representações diplomáticas israelenses virarão “alvos legítimos”.

Líderes políticos mantêm o tom de guerra total. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que o ataque foi “preciso e poderoso” e que Teerã “deve entender um princípio simples: quem nos fere, nós o ferimos”.

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📰 Fonte: UOL Notícias

🔗 Link original: https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2…

Publicado automaticamente pelo Sistema Itaquera News em 05/03/2026 às 18:53

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