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Banco Master


Prisão de Vorcaro aborrece PGR e gera descompasso entre Gonet e Mendonça

  • Ministro autorizou operação contra ex-banqueiro mesmo sem parecer favorável do MP
  • Mensagens do dono do Master não eram atuais, dizem interlocutores do procurador-geral

Brasília

Determinada pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), a ordem de prisão preventiva de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, aborreceu a cúpula da PGR (Procuradoria-Geral da República).

Mendonça discordou do procurador-geral, Paulo Gonet, que pediu mais tempo para analisar o pedido de prisão do ex-banqueiro, nesta quarta-feira (5).

O descompasso, que ficou público na decisão de Mendonça, pode acabar gerando ruídos ao longo da instrução do processo, segundo relatos feitos à Folha por quem acompanha a investigação.

Isso porque a PGR é o órgão que detém a atribuição exclusiva de denunciar os envolvidos nas fraudes, e, se o procurador-geral entender que há falhas ou lacunas nas apurações, esse desfecho pode ser adiado.

Interlocutores de Gonet afirmam que o prazo dado pelo relator para que a PGR se manifestasse sobre os pedidos da PF (Polícia Federal) foi exíguo diante do volume de material.

Homem de meia-idade com cabelo grisalho e óculos redondos está sentado em cadeira marrom, vestindo terno preto com gola branca. Fundo é parede de pedra clara com relevo arredondado.
Procurador-geral da República, Paulo Gonet, em sessão solene no STF

Adriano Machado – 2.fev.26/Reuters

Além disso, interlocutores afirmam que, pelo que foi possível examinar, as mensagens em que Vorcaro fala em um assalto contra o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, eram de 2025, o que afastaria a indicação de perigo iminente.

Gonet afirmou que precisava de mais tempo para analisar os relatórios, disse que antes disso não poderia ser favorável aos pedidos cautelares da PF e pediu que Mendonça aguardasse a sua manifestação, “a ser enviada no mais breve tempo possível”.

O ministro, entretanto, negou o pedido, entendeu que as medidas eram urgentes e determinou as prisões e os mandados de busca e apreensão. Disse, ainda, lamentar o posicionamento da PGR.

“Lamenta-se porque as evidências dos ilícitos e a urgência para a adoção das medidas requeridas estão fartamente reveladas na representação da PF e no curso desta decisão”, disse Mendonça.

De acordo com auxiliares de Gonet, uma das três petições chegou ao gabinete do procurador-geral no sábado, com prazo de 72 horas para manifestação. As outras duas chegaram apenas na segunda-feira, cada uma com prazo de 24 horas. Cada relatório tinha mais de 700 páginas.

O PGR disse a Mendonça que os prazos eram de “impossível atendimento”, mas o ministro citou “concreta possibilidade de se prevenir possíveis condutas ilícitas contra a integridade física e moral de cidadãos comuns”.

O relator também mencionou “indicativos de ter havido acesso indevido dos sistemas sigilosos da Polícia Federal, do próprio Ministério Público Federal e até mesmo de organismos internacionais como a Interpol”.

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