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Guerra no Irã


Israel bombardeia reduto do Hezbollah no sul de Beirute

  • Exército ordena retirada em toda a periferia sul da capital do Líbano, onde vivem centenas de milhares de pessoas
  • Quase simultaneamente aos ataques, várias explosões foram ouvidas em Tel Aviv

São Paulo

Israel disse ter começado a atacar a infraestrutura do Hezbollah em Dahiyeh, no sul de Beirute, nesta quinta-feira (5). O subúrbio, que teria recebido ordens de retirada antes do bombardeio, é um bastião do grupo fundamentalista apoiado pelo Irã.

“Salvem suas vidas e esvaziem suas casas imediatamente”, afirmou o Exército israelense a toda a periferia sul da capital libanesa, onde vivem centenas de milhares de pessoas. Pouco depois, algumas pessoas dispararam tiros para o ar para alertar a população, e enormes congestionamentos se formaram nos arredores desses bairros.

Nuvem densa de fumaça escura sobe sobre prédios residenciais em área urbana durante a noite. Luzes das edificações iluminam parcialmente a cena.
Fumaça sobe nos subúrbios de Beirute após ataques aéreos de Israel

Ibrahim Amro/AFP

Quase simultaneamente aos ataques, pouco depois das 21h, várias explosões foram ouvidas em Tel Aviv, onde sirenes de ataque aéreo soaram para alertar os moradores a buscarem abrigo.

A ofensiva deve aumentar o número de mortes por ataques israelenses no Líbano, que já está em 123, segundo o Ministério da Saúde do país.

Somente nesta quinta, seis membros de duas famílias foram mortos em ataques aéreos no sul do país, segundo a agência de notícias libanesa ANI, e bombardeios atingiram carros em diferentes partes da nação, matando cinco pessoas, de acordo com autoridades locais. Além disso, Israel matou um membro de alto escalão do Hamas, Wasim Atala al-Ali, em um campo de refugiados no norte do país, segundo a ANI.

A nação é uma das que mais sofrem o impacto da Guerra no Irã, iniciada no fim de semana após Estados Unidos e Israel matarem o líder supremo Ali Khamenei em um ataque conjunto. O Hezbollah afirmou que queria vingar a morte do aiatolá e, nesta quinta, reivindicou a autoria de dois novos ataques contra o norte de Israel.

Em um discurso transmitido pelo canal da milícia, o líder Naim Qassem afirmou que enfrentará a “agressão israelense-americana” e não se renderá. Na quarta, o grupo armado havia relatado pela primeira vez confrontos diretos com soldados israelenses que entraram em Khiyam, a seis quilômetros da fronteira com Israel.

Segundo os termos de um cessar-fogo assinado em novembro de 2024, apenas as forças de paz da ONU e o Exército libanês estão autorizados a portar armas ao sul do rio Litani, uma área de fronteira com o Estado judeu. Israel deveria ter retirado todas as suas forças, mas manteve tropas em cinco pontos que considera estratégicos e efetuou bombardeios regulares devido à recusa do Hezbollah em depor as armas.

Horas antes da ofensiva em Beirute nesta quinta, o extremista Bezalel Smotrich, ministro das Finanças do Estado judeu, havia afirmado que “muito em breve” o subúrbio ficaria parecido com Khan Yunis, cidade no sul da Faixa de Gaza devastada por bombardeios de Tel Aviv nos últimos dois anos.

“O Hezbollah cometeu um erro e pagará caro por isso”, afirmou Smotrich. “Entretanto, estamos cortando a cabeça do polvo no Irã e, ao mesmo tempo, cortaremos também o braço do Hezbollah”, continuou, em referência à aliança entre a milícia e Teerã.

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