Mônica Bergamo

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Banco Master


Defesa de Vorcaro pede ao STF investigação sobre vazamento de mensagens

  • Mensagens dos celulares apreendidos foram divulgadas pela imprensa antes da defesa ter acesso, segundo os advogados
  • Conversas íntimas e diálogos com autoridades, incluindo Moraes, foram publicados

A defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) a abertura de uma investigação para apurar a origem de vazamentos de informações sigilosas extraídas de celulares apreendidos no curso das investigações contra ele.

Segundo os advogados, o espelhamento dos dados dos aparelhos foi entregue à defesa apenas no dia 3 de março. O HD com o material, afirmam em nota desta sexta (6), foi imediatamente lacrado na presença de autoridade policial, advogados e de um tabelião para preservar o sigilo das informações.

Homem de terno escuro e gravata azul segura microfone enquanto fala sentado em cadeira branca. Ao lado, há uma garrafa de água e uma caneca sobre mesa, com fundo azul e logotipo 'esfera'.
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master

Rubens Cavallari – 22.mar.2024/Folhapress

Apesar disso, mensagens que teriam sido retiradas desses celulares passaram a ser divulgadas por veículos de imprensa nos últimos dias, inclusive a Folha, “mesmo sem que a própria defesa tenha tido acesso ao conteúdo do material”.

Os advogados afirmam que entre as informações publicadas estão conversas íntimas e pessoais, além de “supostos diálogos” com autoridades, incluindo o ministro do STF Alexandre de Moraes. Segundo a defesa, os trechos divulgados são “provavelmente editadas e talvez tiradas de contexto” e expõem também terceiros que não teriam relação com os fatos investigados.

Diante disso, os advogados pediram a instauração de um inquérito para identificar a origem dos vazamentos e que a autoridade policial apresente a lista de todas as pessoas que tiveram acesso ao conteúdo dos aparelhos apreendidos.

“A defesa ressalta que o objetivo do pedido não é investigar jornalistas ou terceiros que eventualmente tenham recebido informações, mas apurar quem, tendo o dever legal de custodiar o material sigiloso, pode ter violado esse dever”, dizem os advogados.

Vorcaro foi preso novamente na quarta-feira (4) em uma nova fase da Operação Compliance Zero, da PF (Polícia Federal). A prisão preventiva foi determinada pelo ministro André Mendonça, relator dos inquéritos no STF.

A investigação apura suspeitas de fraude financeira, corrupção, lavagem de dinheiro, invasão de dispositivos informáticos e tentativa de obstrução de investigações. Segundo a PF, o ex-banqueiro teria mantido um grupo chamado “A Turma”, que funcionaria como uma espécie de milícia privada para monitorar e intimidar desafetos.

Mensagens encontradas no celular do empresário também indicariam a intenção de forjar um assalto contra o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, como forma de intimidação, de acordo com a investigação.

Nos últimos dias, vieram a público ainda diálogos atribuídos a Vorcaro em que ele relata à então namorada encontros com políticos, empresários e integrantes do Judiciário. Em uma das conversas, ele afirma que iria se encontrar com o ministro Alexandre de Moraes. O magistrado não se manifestou sobre o caso.

Segundo a defesa, os vazamentos de mensagens “expõem pessoas sem relação com a investigação” e podem prejudicar o esclarecimento dos fatos. Os advogados dizem esperar que eventuais responsáveis pela divulgação indevida do material sigiloso sejam identificados e responsabilizados.

com DIEGO ALEJANDRO, JULLIA GOUVEIA e KARINA MATIAS

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