A saúde dos animais é a nossa: entenda o conceito de saúde única

A saúde dos animais é a nossa: entenda o conceito de saúde única

📅 27/02/2026 12:55
📰 Fonte: Saúde – saude.abril.com.br

A saúde dos animais é a nossa: entenda o conceito de saúde única

Colunista explica a importância de olhar para as intersecções entre bem-estar humano, ambiental e animal

  • Apresenta a definição de Saúde Única (One Health) da OMS e sua estratégia integrada.
  • Contrasta doenças como varíola (apenas humana) e febre aftosa (apenas animal) para demonstrar a complexidade do tema.
  • Destaca a raiva como um exemplo clássico e impactante da interconexão entre saúde pública, animal e ambiental.
  • Explora os desafios práticos de especialistas em Saúde Humana, Animal e Meio Ambiente para elencar prioridades em Saúde Única.
  • Enfatiza a criação de uma rede de “Inteligência Natural” para detectar e barrar microrganismos sem fronteiras.

Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

A varíola, uma doença que por séculos matou e debilitou um sem-número de pessoas, causada por um vírus chamado poxvírus, só acomete seres humanos, o que tornou mais factível sua erradicação nos anos 1980. Não precisamos nos preocupar com outros animais domésticos ou selvagens servindo como hospedeiros para esse vírus, nem com mosquitos ou carrapatos.

Graças à vacinação em massa (atenção, negacionistas!), esta é a única doença humana realmente erradicada até hoje.

Não há como estimar consensualmente, em termos econômicos, o quanto se ganhou em bem-estar com essa erradicação, visto que não é uma doença que afeta a agropecuária. Mas vamos fazer uma comparação com a febre aftosa.

Ela não é uma doença de seres humanos (apesar de raríssimos casos de infecção acidental), mas tem enorme relevância para a pecuária e para a economia em geral, dada a cadeia de produção e sua empregabilidade, além da erradicação em várias partes do mundo.

Ou seja, não é uma doença de importância em saúde pública, mas é uma das mais preocupantes em saúde animal e, por isso, recebe um montante de investimentos maior do que aquele destinado a algumas doenças humanas.

Vejamos um contraponto com o circovírus das ararinhas-azuis. Ao mesmo tempo em que esse vírus representa uma ameaça à rarefeita população dessas aves, não tem impacto sobre a saúde pública nem sobre a criação de frangos e galinhas. Ou seja, é um vírus que ameaça a saúde ambiental.

Agora, veja como a história muda quando falamos de raiva. Milhares de pessoas morrem da doença no mundo todo anualmente, além de seu impacto econômico sobre a pecuária, já que bovinos também podem ser infectados, e sobre a saúde ambiental, visto que qualquer mamífero selvagem pode morrer em decorrência dela.

O vírus da raiva é altamente promíscuo, transmitindo-se sem barreiras entre nós, mamíferos. Ou seja, a raiva tem impacto sobre a saúde pública, animal e ambiental.

É exatamente aí que entra a definição de saúde única, uma só saúde ou one health, da Organização Mundial da Saúde (OMS): uma estratégia integrada e unificadora que visa equilibrar e otimizar de forma sustentável a saúde de seres humanos, de outros animais e dos ecossistemas.

O objetivo de enquadrar uma doença na definição de uma só saúde não é diminuir a importância das que não se encaixam. A ideia é, na verdade, reunir as diversas áreas cuja trajetória se cruza com doenças que afetam todas essas esferas, para controlar as existentes e prevenir aquelas que ainda surgirão.

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Recentemente, o Ministério da Saúde reuniu especialistas em vírus, bactérias, protozoários e outros organismos causadores de doenças transmissíveis, vindos das áreas de saúde humana, saúde animal e meio ambiente. Colegas de universidades, institutos, ministérios e das Forças Armadas nos reunimos por três dias em Brasília com o objetivo de elencar as doenças prioritárias em saúde única.

A dificuldade não estava no conhecimento técnico sobre cada doença, mas sim em sermos capazes de não priorizar uma ou outra esfera (ou algum ego científico) e, assim, gerar uma lista de doenças de interesse comum para orientar políticas públicas de controle.

Mais do que a lista em si que elaboramos, o grande resultado foi o treinamento em formar uma rede de “inteligência natural” capaz de detectar, compreender e barrar microrganismos que não reconhecem fronteiras.

📌 Fonte original: https://saude.abril.com.br/coluna/virosfera/a-saude-dos-anim…

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