Agência ambiental dos EUA enfraquece limite de poluição por mercúrio em usinas de carvão

Agência ambiental dos EUA enfraquece limite de poluição por mercúrio em usinas de carvão

📅 20/02/2026 16:40
📰 Fonte: Geral – rss.uol.com.br

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A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA, na sigla em inglês) enfraqueceu nesta sexta-feira (20) os limites de poluição para usinas termelétricas a carvão, permitindo que liberem mais metais pesados, incluindo mercúrio, uma neurotoxina poderosa ligada a danos cerebrais.

A medida representa um dos muitos esforços do governo de Donald Trump para reviver a indústria carbonífera americana em declínio, apesar das evidências científicas esmagadoras de que a queima de carvão está prejudicando a saúde pública e impulsionando níveis perigosos de aquecimento global. O carvão é o mais poluente dos combustíveis fósseis.

Altos funcionários da EPA anunciaram a medida durante uma visita à Mill Creek Generating Station, uma usina a carvão em Louisville, no Kentucky, junto com parlamentares republicanos do estado.

“As regulamentações anticarvão do governo Biden-Harris buscavam eliminar por meio de regulação este setor vital de nossa economia energética”, disse Lee Zeldin, administrador da EPA, em comunicado.

Zeldin disse que a EPA não estava eliminando os limites de mercúrio e outros poluentes tóxicos de usinas a carvão. Em vez disso, estava revogando os limites rigorosos que o governo Joe Biden estabeleceu em 2024 e retornando às restrições mais brandas que entraram em vigor em 2012.

Quase todas as usinas a carvão nos Estados Unidos já cumpriram os requisitos de 2012 instalando novos controles de poluição, disseram especialistas. Muitas que não fizeram esses investimentos fecharam as portas.

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Quando o carvão é queimado, ele libera mercúrio na atmosfera terrestre. Chuva e neve podem carregar o mercúrio até o solo, onde pode se depositar em cursos d’água e se acumular em peixes e outros organismos aquáticos. A causa mais comum de envenenamento por mercúrio é o consumo de peixes e frutos do mar contaminados.

Entre adultos, altos níveis de exposição ao mercúrio podem causar doenças cardíacas, bem como danos graves ao cérebro e ao sistema nervoso central. Entre fetos e bebês, pode causar atrasos significativos no desenvolvimento, levando a pontuações mais baixas de QI e habilidades motoras prejudicadas.

A medida pareceu minar os objetivos do movimento “Make America Healthy Again” (faça os EUA saudáveis novamente) liderado por Robert F. Kennedy Jr., o secretário de Saúde. Como líder do grupo ambientalista Waterkeeper Alliance, Kennedy fez campanha contra a poluição por mercúrio durante anos, citando seu próprio diagnóstico de envenenamento por mercúrio causado por uma dieta rica em atum.

“O mercúrio está vindo dessas usinas termelétricas a carvão”, testemunhou Kennedy perante o Congresso americano em 2008. “Em 49 estados, pelo menos alguns dos peixes não são seguros para consumo.”

Representantes de Kennedy não responderam a um pedido de comentário do jornal New York Times.

Além do mercúrio, a mudança relaxaria os limites de outros metais pesados liberados pela queima de carvão, incluindo cádmio, cromo, chumbo e níquel. Esses outros poluentes estão ligados a uma série de riscos à saúde, incluindo câncer, infertilidade e danos neurológicos.

“Famílias sofrerão doenças evitáveis simplesmente porque Donald Trump e Lee Zeldin querem ajudar a indústria do carvão a economizar alguns trocados”, disse Laurie Williams, diretora da campanha Beyond Coal, do grupo ambientalista Sierra Club, em comunicado.

Grupos da indústria carbonífera elogiaram a medida nesta sexta-feira, dizendo que os limites mais rígidos de mercúrio do governo Biden teriam tornado muito mais caro, se não impossível, para muitas usinas a carvão continuarem operando.

A decisão “é um passo importante para manter um fornecimento confiável e acessível de eletricidade e garantir que a geração baseada em carvão possa continuar apoiando a economia e a rede elétrica do país”, disse Michelle Bloodworth, presidente da America’s Power, organização comercial do setor carbonífero, em um email.

O presidente Trump frequentemente elogia o que chama de “carvão limpo e bonito”. Seu governo tomou uma série de medidas extraordinárias para evitar que usinas a carvão envelhecidas fechem nos próximos anos.

Na semana passada, Trump ordenou que o Pentágono comprasse mais eletricidade de usinas a carvão para abastecer instalações militares. E nos últimos nove meses, o Departamento de Energia ordenou que unidades em cinco usinas a carvão que estavam prestes a ser desativadas permanecessem abertas e continuassem operando.

Além disso, a EPA já isentou 71 usinas a carvão de cumprir os padrões de mercúrio por dois anos. Para receber as isenções, várias concessionárias simplesmente enviaram um email à EPA e solicitaram uma suspensão, de acordo com emails obtidos pelo grupo sem fins lucrativos Environmental Defense Fund.

As usinas a carvão são a maior fonte individual de poluição por mercúrio nos Estados Unidos, respondendo por mais de 42% das emissões totais, segundo dados da EPA.

A EPA começou a regular o mercúrio de usinas a carvão em 2012, sob o presidente Barack Obama. Dentro de cinco anos após entrarem em vigor, as restrições fizeram as emissões de mercúrio do setor elétrico caírem 86%, segundo a agência.

“Os padrões de 2012 foram um exemplo brilhante de uma história de sucesso ambiental”, disse Elsie Sunderland, toxicologista ambiental da Universidade Harvard que pesquisou os benefícios à saúde da redução da poluição por mercúrio.

No entanto, a regulamentação de 2012 tinha uma “brecha”, disse a Dra. Sunderland: ela impunha requisitos menos rigorosos para usinas que queimavam lignito, uma forma especialmente poluente de carvão. O governo Biden efetivamente fechou essa brecha, disse ela, ao apertar os limites de mercúrio para usinas de lignito em 70%.

A Coal Creek Station, na Dakota do Norte, que queima lignito, teve as maiores emissões de mercúrio de qualquer usina a carvão nos Estados Unidos em 2025, mostram dados federais. A proprietária da usina, Rainbow Energy Center, não respondeu a um pedido de comentário.

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📌 Fonte original: https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/02/agencia-ambie…

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