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mercado de trabalho


Alckmin responde a Skaf, da Fiesp, e diz que redução da jornada de trabalho é tendência mundial

  • Em reunião, presidente da entidade disse que discussão da escala 6 por 1 não combina com ano eleitoral
  • Vice-presidente disse se tratar de consequência de uma maior automação da economia

São Paulo

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou nesta segunda-feira (23) que a redução da jornada de trabalho é uma tendência mundial impulsionada pela automação.

Ele fez a declaração durante um evento na sede da Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo), após o presidente da entidade, Paulo Skaf, afirmar que o tema não deveria ser discutido em ano eleitoral. As declarações foram dadas às vésperas do início da discussão da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que acaba com a jornada de trabalho 6×1 na Câmara dos Deputados.

“[Escala] 6×1 e redução de jornada em ano eleitoral não combina, a gente precisa que essa discussão vá para 2027”, disse Skaf. Segundo ele, em um ano de votação “emoções, sentimentos e motivações se confundem com interesses do país”.

Um homem idoso está posando para a foto, vestindo um terno escuro e uma camisa branca com uma gravata vermelha. Ele usa óculos e tem um sorriso leve no rosto. O fundo da imagem é de cor neutra, destacando a figura do homem.
Geraldo Alckmin em evento em agosto de 2025

Gabriela Biló/Folhapress

Em sua resposta, Alckmin disse que há uma automação em todos os setores da economia, ainda que em cada área da produção haja particularidades, e que, por isso, há uma tendência a ter redução da jornada de trabalho.

Segundo o vice-presidente, que também é ministro do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), isso já vem acontecendo, mas o debate “não deve fazer correria” e deve ser aprofundado.

Alckmin foi à Fiesp para assinar protocolos de colaboração com a entidade na atuação contra práticas concorrenciais desleais de outros países, como dumping (venda a preço abaixo do custo de fabricação para ganhar mercado).

Um dos principais temas da conversa era comércio exterior, e por isso foram mencionadas as tarifas que os Estados Unidos impuseram ao Brasil.

Os industriais disseram estar preocupados porque, apesar de a Suprema Corte ter derrubado as tarifas que Donald Trump havia determinado, o governo dos EUA continua com uma investigação de práticas comerciais desleais (sob a norma chamada Seção 301) sobre o Brasil.

Alckmin afirmou que já houve uma investigação que foi arquivada: “O argumento (que levou à abertura da Seção 301) é o desmatamento. Caiu 50%”, disse.

Ele disse que outro motivo pelo qual o Brasil foi investigado é a pirataria, mas, segundo o vice, isso é algo que ocorre no mundo inteiro. Alckmin afirmou também que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai se encontrar com Trump, e que a questão tarifária será uma das pautas.

Alckmin citou mais de uma vez que a taxa básica de juros, a Selic, deverá começar a cair na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária). Após citar a queda do dólar e uma safra boa como condições favoráveis ao relaxamento da política monetária, o ministro disse que alguns preços que variam por motivos exógenos à economia doméstica deveriam ser retirados do cálculo da inflação.

De acordo com ele, o Federal Reserve (banco central dos EUA) exclui de suas contas as variações de preços de itens como alimentos e petróleo, porque não seria a taxa de juros que determina as flutuações desses itens.

Para o vice-presidente, o clima e a geopolítica são fatores importantes para a formação dos preços desses itens. “Não adianta aumentar juros que não vai fazer chover”, afirmou

Ao discorrer sobre as vantagens de exportar, Alckmin citou o acordo entre o Mercosul e a União Europeia e disse que o presidente Lula deverá regulamentar nas próximas semanas as salvaguardas (medidas protecionistas que são ativadas caso haja um pico de importação de algum item).

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