Ambientalistas dos EUA dizem que foram procurados pelo FBI

Ambientalistas dos EUA dizem que foram procurados pelo FBI

📅 20/02/2026 23:20
📰 Fonte: Geral – rss.uol.com.br

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Em uma manhã gelada de fevereiro, a 320 quilômetros ao norte da cidade de Nova York, um homem de meia-idade tinha acabado de tomar seu chá com torradas e aberto o laptop. Ele ouviu uma batida na porta.

Quando atendeu, uma mulher, acompanhada de um homem, se identificou como agente de contraterrorismo do FBI. Ela disse que queria conversar com ele sobre o Extinction Rebellion, um grupo ambientalista global. Ele não estava em apuros, ela lhe disse.

O coração do homem disparou. Ele disse que não tinha nada a declarar. A agente do FBI perguntou se havia alguém que pudesse falar em nome dele. Ele disse que não. Os dois agentes agradeceram e foram embora.

Por vários anos, o homem, que falou sob condição de anonimato por questões de segurança, havia sido ativo no Extinction Rebellion, grupo especializado em ações chamativas e não violentas que chamam atenção para o aquecimento global. Membros interromperam uma partida de tênis no US Open e uma peça da Broadway.

Agora, o Extinction Rebellion e outros grupos ambientalistas estão preocupados que o governo Donald Trump, à medida que continua a reprimir manifestantes, esteja ampliando sua rede para incluir ativistas climáticos.

Em janeiro, o homem, que não é mais ativo no grupo, recebeu uma ligação do FBI. Ele achou que era golpe e desligou. Dois minutos depois, uma agente enviou uma mensagem de texto dizendo que estava do lado de fora de sua casa. Mas era seu endereço antigo, a centenas de quilômetros de distância.

Algumas semanas depois, a mesma agente e um colega estavam do lado de fora da entrada de serviço de sua casa atual.

“Essa batida na porta marca uma escalada significativa”, disse Ronald L. Kuby, advogado do homem, que representa vários ativistas climáticos. “O fato de terem ido ao endereço errado de um membro que não está mais ativo sugere que estão iniciando uma investigação. Estão cavando.”

Kuby ligou para a agente, mas não obteve retorno. Quando o jornal The New York Times ligou para a agente, ela encaminhou o repórter aos funcionários de relações públicas do escritório do FBI em Nova York. Um porta-voz disse que a agência não poderia “confirmar nem negar a existência ou inexistência de qualquer investigação”.

Ativistas climáticos, com suas táticas disruptivas e criativas, conseguem atenção da mídia e críticas públicas, mas não são violentos, disse Dana R. Fisher, diretora do Centro de Meio Ambiente, Comunidade e Equidade da American University.

O governo Joe Biden era aberto a opiniões públicas divergentes sobre o aquecimento global, algumas delas expressas em alto e bom som e em grande número, afirmou Fisher.

Mas o presidente Donald Trump chamou a mudança climática de “farsa”, removendo menções a ela em sites do governo. E, na semana passada, seu governo encerrou a autoridade legal do governo federal para controlar a poluição que está aquecendo o planeta.

Ativistas climáticos podem se mostrar especialmente vulneráveis, disse Fisher, porque frequentemente equiparam justiça ambiental com justiça econômica e racial, participando de protestos contra outras ações da era Trump, como deportações em massa. O governo Trump, por sua vez, vai “tentar eliminar o que considera ser a fruta mais fácil de colher entre os ativistas”, ela avaliou.

O Departamento de Justiça disse em comunicado que “continuará a responsabilizar qualquer indivíduo que cruze a linha vermelha entre atividade pacífica da Primeira Emenda [ligada à liberdade de expressão] e obstrução, impedimento ou ataque a agentes federais de aplicação da lei”. “Não importa a causa, ninguém está acima da lei.”

Marianne Engelman-Lado, diretora da Iniciativa de Justiça Ambiental e Climática da Faculdade de Direito da Universidade de Nova York, afirmou que, no último ano, notou um aumento nos esforços dentro da comunidade jurídica para ajudar organizações sem fins lucrativos que trabalham na área de justiça climática. Vários desses grupos receberam cartas ameaçadoras de membros do Congresso.

“Eles agora estão muito cientes de que precisam ter tudo em ordem”, ela disse.

No final de janeiro, um grupo climático diferente interrompeu um evento em uma sinagoga em Roslyn, Nova York, para protestar contra o apoio de um congressista de Long Island a um projeto de lei que forneceria bilhões de dólares para deportações. Depois, Harmeet Dhillon, procuradora-geral adjunta, postou nas redes sociais que o Departamento de Justiça investigaria o incidente para verificar se a lei federal havia sido violada.

Trump redobrou a aposta no que chama de “terrorismo doméstico”. No outono, após o assassinato do ativista conservador Charlie Kirk, o presidente emitiu um memorando pedindo uma nova estratégia para “desmantelar e erradicar redes, entidades e organizações que promovem violência organizada, intimidação violenta, conspirações contra direitos e outros esforços para perturbar o funcionamento de uma sociedade democrática”.

Grupos climáticos não foram mencionados no documento, mas Nate Smith, membro do Extinction Rebellion, destacou a linguagem abrangente do memorando, que aponta aqueles que, segundo ele, se opõem ao capitalismo e ao cristianismo e aqueles que, de acordo com ele, têm visões extremas sobre migração, raça e gênero. “É uma lista de desejos muito perigosa”, afirmou.

Em maio, seis ativistas em Boston, vários dos quais pertencem ao Extinction Rebellion, receberam a visita de pessoas que disseram ser agentes do FBI. Em outubro, Peter Thiel, o bilionário da tecnologia e aliado de Trump, chamou os críticos da inteligência artificial —incluindo Greta Thunberg, ativista climática— sueca de “legionários do Anticristo”.

Três anos atrás, Marco Rubio, que era então senador dos EUA, pediu ao FBI e ao Departamento de Segurança Interna que impedissem membros estrangeiros do Extinction Rebellion de entrar no país. Ele estava preocupado, disse em carta às agências, com ativistas planejando bloquear rotas de trânsito importantes e perturbar instalações federais. (Em 2019, membros do grupo atrasaram o serviço de trem em uma estação de Londres, resultando em surtos violentos entre os passageiros. Depois, líderes do grupo disseram que o protesto havia sido um erro.)

O Extinction Rebellion orientou os seus membros sobre medidas que podem tomar para lidar com agentes federais e a importância de conhecer seus riscos legais cada vez que se engajam em ativismo. Os líderes do grupo dizem que enfatizam a prática da não violência.

“Não estamos nos dissolvendo nem recuando”, disse Smith. Quando perguntado se novas ações estavam planejadas, sua resposta ecoou a declaração do FBI: “Não podemos confirmar nem negar”.

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