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‘Arco’, indicado ao Oscar, reimagina o futuro da sociedade com emoção

  • Explosão de cores se soma a enredo sci-fi para gente grande
  • Aventura é conduzida com sensibilidade, sem apelação

Arco







  • Quando Nos cinemas
  • Onde França, 2025.
  • Classificação 10 anos
  • Direção Ugo Bienvenu e Gilles Cazaux

Arco é um garoto do ano 3000. Iris é uma menina que vive em 2075. E é justamente quando ela vê um arco-íris no céu que os dois se encontram. O feixe de cores é na verdade Arco cruzando os ares antes de cair na Terra, mais de nove séculos antes de sua época.

Assim começa “Arco”, produção francesa entre as indicadas a melhor longa de animação no próximo Oscar. E se o diretor Ugo Bienvenu subir ao palco na cerimônia do dia 15 de março, a estatueta estará em boas mãos.

Personagem de cabelo preto e roupa clara ajoelhado ao lado de pessoa deitada no chão de floresta, coberta por bandeira arco-íris. Ambiente com pedras, árvores e vegetação ao redor.
Cena do filme ‘Arco’, indicado ao Oscar 2026 na categoria animação

Divulgação

Apesar de ser convencional em sua animação 2D, com uma explosão de cores, é no roteiro que “Arco” salta na frente de seus concorrentes na temporada. O enredo é sci-fi para gente grande, apesar de seduzir facilmente os espectadores menores.

No futuro no qual vive Arco, as pessoas conseguem viajar pelo tempo, usando trajes especiais que têm um cristal embutido. A pedra é uma espécie de combustível para as viagens temporais. Mas Arco ainda não tem a sua pedra, porque apenas os maiores de 12 anos têm permissão para esse deslocamento.

Louco para ver dinossauros de perto, o garoto rouba o traje da irmã mais velha e parte para o passado. Mas, sem saber plenamente como a coisa toda funciona, cai em 2075. E seu pouso forçado é próximo da escola de Iris, que vê o arco-íris despencando no meio do bosque.

Ela leva o misterioso e desacordado garoto para sua casa. Seus pais trabalham em outro país e têm contato com ela e seu irmão Peter, ainda um bebê, apenas por imagens holográficas. Quem cuida dos garotos no dia a dia é Mikki, um robô boa-praça e carinhoso com as crianças.

Depois de muitos sustos e surpresas em seu início de relacionamento, em momentos engraçados, Iris promete ajudar seu novo amigo a voltar ao futuro. Mas para isso eles precisam encontrar o cristal, que Arco perdeu ao cair no solo. Os garotos não sabem que a pedra foi encontrada por um trio de irmãos adultos, geeks ensandecidos, que também estavam no bosque para investigar a aparição colorida nos céus.

Legítimos três patetas nerds, eles protagonizam os momentos mais fracos da animação. Suas patacoadas são previsíveis, e eles carregam um humor um tanto histérico, num registro acima de uma história mais leve concentrada no relacionamento das duas crianças de épocas diferentes.

Cada um com seus problemas, Arco e Iris enfrentam questões ambientais graves, mesmo vivendo em sociedades bem distintas. O roteiro é muito inteligente ao sugerir que as conversas dos garotos terão influência fundamental no futuro da Terra nos anos seguintes. O filme foge dos clichês habituais de viagens no tempo da literatura sci-fi.

Mesmo quando cria uma situação daquelas de fazer chorar o mais insensível dos espectadores, “Arco” se mostra emocionante, mas sem apelação. É impossível chegar ao desfecho do filme sem torcer fervorosamente pelo sucesso dos garotos em sua busca por uma conexão com o futuro.

Duas pessoas vistas de costas sentam em banco verde sob árvores, olhando para cidade com casas e colinas ao fundo em dia claro.
Cena do filme ‘Arco’, indicado ao Oscar 2026 na categoria animação

Divulgação

Colocando em oposição distopia e utopia nos dois períodos de tempo-espaço que servem de cenários na história, “Arco” consegue uma façanha não muito comum na ficção científica. O filme é capaz de exibir duas propostas de futuro na Terra. E o roteiro elenca detalhes engraçados ou curiosos de como poderia ser a vida tanto em 2075 como no ano 3000.

Iris vive num mundo agitado, corrido, com pais ausentes tentando amenizar com recursos tecnológicos os longos intervalos de tempo longe dos filhos que seus empregos exigem. É uma visão futurista razoavelmente próxima ao mundo de hoje, com sua urgência imposta pela hiperconectividade. A menina e seus pais têm ainda muito o que trabalhar para construir uma boa relação.

Já o cotidiano de Arco, que ocupa muito menos espaço na narrativa, projeta uma sociedade mais tranquila, consciente dos problemas ambientais e trabalhando sem o estresse de séculos passados. Oferecendo esse futuro distante como mais acolhedor, “Arco” se apresenta como um filme otimista, imaginado por gente que ainda acredita na evolução para uma vida mais calma, mesmo que seja apenas no ano 3000.

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