Como CPB se tornou modelo de gestão no esporte e exemplo para o mundo

Como CPB se tornou modelo de gestão no esporte e exemplo para o mundo

📅 26/02/2026 05:55
📰 Fonte: Esportes – rss.uol.com.br

Como CPB se tornou modelo de gestão no esporte e exemplo para o mundo

Participei, na última segunda (23), do Summit Brasil Paralímpico, edição especial de Direito Esportivo, realizado no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo. O encontro reuniu ministros, membros do TCU, parlamentares, juristas, gestores e atletas para discutir algo que, há anos, defendo neste espaço: o esporte precisa de estrutura institucional sólida.

Na palestra magna, o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes sintetizou o espírito do evento ao afirmar:

“A inclusão não é favor, benevolência, é direito do cidadão e uma obrigação social do Estado. Portanto, é política de Estado.”

A frase desloca o debate. Inclusão não é programa eventual. É compromisso institucional. E compromissos institucionais exigem governança.

Não é por acaso que o Comitê Paralímpico Brasileiro se tornou a primeira entidade esportiva do mundo a obter certificação ISO relacionada a práticas anticorrupção e compliance (ISO 37001 e ISO 37301). Trata-se de reconhecimento internacional de um sistema estruturado de integridade.

Em artigo que escrevi em 2024 no Lei em Campo, destaquei que o CPB vinha se consolidando como referência de gestão no esporte brasileiro, com planejamento estratégico, transparência, controles internos e profissionalização administrativa. A certificação internacional não surge como fato isolado, mas como consequência de um modelo institucional amadurecido.

Enquanto parte do esporte nacional ainda convive com crises recorrentes de governança, o movimento paralímpico optou por institucionalizar processos, reduzir dependências personalistas e fortalecer mecanismos de controle.

Essa transição de um modelo centrado em figuras de liderança para um sistema de processos auditáveis é o que separa o amadorismo da excelência. Ao adotar as ISOs, o CPB não apenas blinda sua reputação, mas cria um ativo de confiança que é fundamental na captação de recursos privados e na manutenção de parcerias públicas. A mensagem é clara: a eficiência no campo (ou na pista) é um reflexo direto da higidez nos escritórios. É a prova de que a gestão profissional não é um custo, mas o investimento mais seguro para a continuidade do alto rendimento.

Isso não é detalhe técnico. É mudança de paradigma. Modelo a ser explicado, debatido e replicado.

Durante muito tempo, governança no esporte foi tratada como reação a escândalos. Hoje, ela precisa ser compreendida como política permanente.

Compliance não é cartilha para cumprir formalidade. É sistema vivo: mapeamento de riscos, prevenção de conflitos de interesse, canais de denúncia efetivos, auditorias independentes, transparência ativa e cultura organizacional orientada por ética.

O esporte movimenta recursos públicos, patrocínios privados e exerce função social relevante. Nesse contexto, a adoção de padrões internacionais – como as normas ISO obtidas pelo CPB – representa compromisso com previsibilidade, segurança jurídica e confiança institucional.

A resistência à implementação de mecanismos de controle rígidos muitas vezes se escuda no argumento da “autonomia desportiva”, mas é preciso entender que autonomia não é salvo-conduto para a opacidade. Uma cultura de conformidade real exige que o compliance permeie todas as camadas da organização, desde o conselho deliberativo até o estafe técnico. Quando a ética deixa de ser um discurso de conveniência para se tornar o filtro de cada decisão administrativa, o esporte brasileiro ganha a musculatura necessária para se proteger de ingerências indevidas e garantir que o direito à inclusão, citado pelo ministro Gilmar Mendes, seja efetivado com recursos bem geridos e destinos rastreáveis.

Há anos sustento que o grande desafio do esporte brasileiro não está apenas na formação de atletas, mas na formação de instituições.

O exemplo do CPB demonstra que é possível alinhar excelência competitiva e excelência administrativa. Mostra que inclusão, quando tratada como política de Estado, exige estrutura. E que estrutura se constrói com regras, controles, métricas e responsabilidade.

Se o esporte brasileiro quiser romper definitivamente com ciclos de instabilidade e crises de credibilidade, precisará abandonar a lógica do personalismo e investir na institucionalização. Processos importam. Auditorias importam. Transparência importa.

Governança é legado invisível, mas é ela que garante que as medalhas continuem a existir.

Este conteúdo tem o patrocínio do Rei do Pitaco. Seja um rei, seja o Rei do Pitaco. Acesse: www.reidopitaco.com.br.

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.

📌 Fonte original: https://www.uol.com.br/esporte/colunas/lei-em-campo/2026/02/…

🤖 Itaquera News v8.1 – Publicação automática

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *