Da inflação à guerra, como sufocamento da economia do Irã antecedeu ataques de EUA e Israel
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📰 Fonte: Geral – rss.uol.com.br
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Pouco mais de oito meses separam o momento em que Donald Trump ordenou o ataque às instalações nucleares do Irã, em junho de 2025, e a operação conjunta de Estados Unidos e Israel contra o país persa no último sábado (28).
Nesse meio do caminho, uma onda de pressão interna causada pela instabilidade econômica iraniana contribuiu para que o presidente americano fosse de “agora é tempo para a paz”, em junho, para uma das “maiores, mais complexas e mais avassaladoras ofensivas militares que o mundo já viu”, neste final de semana.
Naquele momento de junho, durante uma guerra de 12 dias entre o Estado judeu e seu rival persa, Trump entrou ativamente no conflito para, em suas palavras, “obliterar” o projeto nuclear do regime iraniano. O conflito não se estendeu e, dias após o ocorrido, o americano já se vangloriava pelo sucesso na operação, que resultou em um cessar-fogo “ilimitado” e que deveria “durar para sempre”.
O clima otimista de Trump não transbordou pelo Oriente Médio e, em meio a acusações de violações da trégua, a tensão entre Tel Aviv e Teerã continuou a escalar. O governo do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu manteve suas Forças Armadas a postos para um possível novo conflito.
No Irã, o regime do aiatolá Ali Khamenei voltou a ser pressionado internamente. Inflação crescente, preços inacessíveis, constantes cortes de energia e falta de água levaram a população a realizar protestos massivos a partir de 28 de dezembro.
A pressão que resultou dos protestos foi agravada pelas tensões regionais, incluindo a guerra de 12 dias, que drenou os recursos financeiros do país, e pelas sanções dos EUA e da Europa vinculadas às ambições nucleares do regime.
Uma queda acentuada na moeda iraniana também afetou duramente os negócios dependentes de importação, causando perdas a lojistas e pressionando orçamentos familiares. A moeda do país, o rial, perdeu aproximadamente metade de seu valor em relação ao dólar em 2025.
Em resposta, inicialmente as autoridades iranianas sinalizaram disposição para ouvir as demandas populares. Com a escalada dos protestos, no entanto, a Guarda Revolucionária do Irã reprimiu manifestantes e tentou conter o que se tornou uma onda de atos contra o próprio regime —os protestantes exigiam o fim do comando clerical islâmico. Até 12 de janeiro deste ano, ao menos 600 pessoas foram mortas nessa repressão.
Khamenei, junto do presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, e outros políticos da alta cúpula, classificou de “terroristas urbanos” os manifestantes e ameaçou usar ainda mais força para reprimi-los. O aiatolá os chamou de vândalos e os acusou de tentar “agradar” a Trump. “Há pessoas cujo trabalho é apenas destruição”, disse ele.
Foi em meio a esses atos, que atravessaram a virada do ano, que Trump voltou a inflamar a população do Irã contra o regime. A princípio, o presidente americano disse que seu governo poderia se reunir com autoridades iranianas e afirmou estar em contato com a oposição do país. Não demorou para que o discurso conciliatório virasse ameaça de intervenção militar.
Trump declarou repetidas vezes que, caso as forças iranianas usassem força letal contra manifestantes, os EUA auxiliariam a população com ações militares.
Autoridades iranianas, enquanto tentavam mitigar os protestos, afirmaram que reagiriam a qualquer interferência, inclusive potencialmente atacando bases e forças americanas na região —assim como fizeram na pontual retaliação ao ataque de junho, com lançamento de mísseis contra uma base dos EUA no Qatar.
A combinação das pressões popular e externa resultaram em uma série de reuniões, entre negociadores iranianos e americanos, para tratar do programa nuclear do Irã. Sob mediação de Omã, os rivais negociaram na Suíça na quinta-feira (26). Segundo o chanceler do país mediador, Badr al-Busaidi, houve “progressos significativos” nas conversas.
Uma nova rodada deveria acontecer nesta semana, na Áustria. Antes disso, no entanto, EUA e Israel atacaram de surpresa, na manhã de sábado (28), a cúpula do regime e das Forças Armadas do país persa e mataram Khamenei, o líder supremo.
Diferentemente da incursão de junho, em que Trump não demorou a declarar paz, o presidente americano afirmou nesta segunda (2) que projetou esta guerra no Irã para durar entre quatro e cinco semanas. Ele reitera ainda, porém, que seu país tem capacidade para “ir muito além disso”.
Segundo o americano, a maior onda de ataques “ainda está por vir”, e o conflito não acabará até que os EUA alcancem seus objetivos. Trump não detalha quais seriam eles, mas afirma que o curso dos ataques está adiantado. “Mas, seja qual for o tempo, está tudo bem, custe o que custar.”
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