Divisões globais sobre política energética se aprofundam, diz chefe da AIE

Divisões globais sobre política energética se aprofundam, diz chefe da AIE

📅 28/02/2026 18:35
📰 Fonte: Geral – rss.uol.com.br

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O diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE) alertou que a “fragmentação da ordem global” está ampliando as divergências em torno da política energética mundial, à medida que os Estados Unidos recuam de seus compromissos climáticos sob o presidente Donald Trump.

Fatih Birol, que comanda a agência, disse que as diferenças estão cada vez mais evidentes: enquanto os EUA voltam atrás em promessas climáticas, China e Europa avançam na eletrificação.

“Estamos vendo uma fragmentação da ordem política global de forma geral, e isso obviamente se reflete no setor de energia. Diferentes países estão escolhendo caminhos distintos em termos de energia e mudança climática”, afirmou em entrevista.

No início de fevereiro, Trump revogou uma decisão-chave que sustentava a autoridade da Agência de Proteção Ambiental dos EUA para regular emissões. Ele já havia retirado o país do Acordo de Paris e da Convenção-Quadro da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre Mudança do Clima.

Países europeus também têm suavizado metas climáticas. A União Europeia diluiu no ano passado sua meta de redução de emissões para 2040 e flexibilizou planos de eliminar motores a combustão até 2035. No Canadá, as emissões do setor de energia aumentaram, enquanto o primeiro-ministro Mark Carney reforçou o apoio à indústria de petróleo e gás diante de ameaças comerciais de Trump.

Em novembro, a AIE divulgou novas projeções indicando que a demanda por petróleo e gás deve continuar crescendo por 25 anos sob as políticas atuais dos governos.

Questionado sobre a pressão dos EUA antes de a AIE voltar a apresentar cenários baseados nas políticas governamentais vigentes, Birol afirmou que a agência responde ao que “nossos governos nos pedem para fazer”.

Apesar do ceticismo de Washington em relação a organismos multilaterais, Birol disse que novos países buscam aderir à entidade.

Uma fonte familiarizada com a agência afirmou que a Colômbia deve ingressar como membro pleno da atual organização, composta por 32 países. A Índia está a caminho de se tornar membro pleno; o Brasil deve iniciar o processo, enquanto o Vietnã se tornará membro associado.

Sophie Hermans, ministra de Energia da Holanda e presidente da reunião deste ano da AIE, disse na mesma entrevista que é preciso uma abordagem “realista e pragmática” para enfrentar a mudança climática.

Questionada sobre o debate na União Europeia a respeito de manter ou não o plano de eliminar gradualmente as permissões de emissão de CO2 para indústrias intensivas em energia, ela afirmou que as empresas precisam “saber qual é a direção”, mas acrescentou que, “em um cenário geopolítico instável, é preciso ser flexível para ajustar as políticas à realidade”.

Uma das áreas em que a AIE busca construir consenso é a diversificação da oferta de matérias-primas críticas essenciais para a transição energética. Os membros discutirão o fortalecimento das cadeias de suprimento e da coleta de dados, enquanto Birol e Hermans alertam para a necessidade de reduzir a dependência da China.

“Hoje vemos um único país com um papel desproporcional em minerais críticos… é importante trabalhar com muitos países que compartilham valores semelhantes para garantir a diversificação”, concluiu Birol.

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