‘É Tempo de Amoras’ faz bela troca entre gerações com atores veteranos
‘É Tempo de Amoras’ faz bela troca entre gerações com atores veteranos
📰 Fonte: Geral – rss.uol.com.br
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Os primeiros segundos de “É Tempo de Amoras” preocupam. Trilha de piano usada de modo preguiçoso, imagens parcialmente desfocadas, escolhas de ângulos muito estranhas, para dizer o mínimo. Esse começo parece um comercial de agência de seguros ou de banco. Felizmente, não demora muito para as coisas melhorarem.
Numa casa de repouso está a professora Pasqualina, 91 anos, vivida por Rosamaria Murtinho. Ela pega um gato do jardim e o coloca em sua bolsa. Ao se encaminhar para a entrada da casa, um garotinho está no alto da varanda.
“Eu vi”, diz ele. “Você não viu nada”, responde a senhora. É um diálogo simples e engraçado pelo modo como o menino interage com a atriz veterana.
Cansada de ficar ali trancada, Pasqualina faz como o gato que havia capturado. Foge para o mundo do risco, o mundo fora da casa de idosos. Fala em procurar Mauro, um amor de juventude, personagem de Antônio Pitanga.
Em paralelo, vemos uma menina, Petrolina, vivida pela graciosa Analu, fazendo uma de suas poções especiais. Que fazem ficar mais inteligente um coleguinha da escola, por exemplo, ou deixar alguém milionário –essa, aparentemente, falhou.
Numa atividade em sala de aula, os alunos precisam falar de suas avós. Petrolina fica triste, e percebemos por quê. Ela não tem avó. Logo entendemos que sua vida estará momentaneamente conectada à de Pasqualina, e em algum momento elas irão se encontrar.
Antes, Pasqualina reencontra Mauro. Ele estava cuidando do jardim e, com algum esforço de memória, a reconhece. Convida-a para entrar. Lá dentro, Pasqualina conhece a esposa de Mauro, Diná, papel de Zezé Motta. Esta percebe que a visita é especial e se retira da sala, chamando também seu neto, que brincava com um joguinho eletrônico.
É um belo encontro de atrizes e ator veteranos. Um momento que se faz sozinho, só pelo talento em cena. Na continuação, temos uma conversa tocante, cheia de memórias tristes e felizes. O gelo é quebrado quando eles falam das amoras que colhiam juntos no passado.
Como seria sua vida ao lado de Mauro, Pasqualina deve se perguntar intimamente. O que aumenta sua tristeza pela solidão que a obrigou a optar pela moradia numa casa de repouso.
Quando finalmente Pasqualina encontra Petrolina com seu colega Zezinho, temos alguns momentos belos e outros de poesia forçada. Fiquemos com os belos: a interação entre as crianças e Murtinho é boa, sustenta o filme. O modo como ela os assume como netos, para os livrar de uma bronca do atendente de uma loja, já instiga uma cumplicidade entre eles.
Há alguma beleza nesse encontro de gerações, assim como há certa dose de chantagem na colocação de uma grande atriz idosa para contracenar com crianças, pois idosos e crianças costumam gerar simpatia automática no público.
O fato de Petrolina ser, entre muitas aspas, uma cientista maluca, é um dos grandes achados do filme. A “poção do convencimento”, elaborada pela menina, é uma das artimanhas que o filme usa para nos encantar.
A trilha sonora é outro caso estranho. Tem hora que é belíssima, mas pode ser piegas, funcionando como mais um elemento de chantagem emocional. Prova de que não importa a qualidade da música se ela não for bem dosada e não entrar nos momentos certos.
O mais importante é a noção da família por afinidades, não necessariamente por laços de sangue. Assim, uma neta pode adotar uma avó, alguém que a mime. Pais educam, avós mimam.
Os momentos na casa de repouso são belos. Uma banana para o etarismo. Petrolina e Zezinho passam a conquistar a simpatia de Teresa, amiga de Pasqualina vivida por Bárbara Bruno, e também das freiras que cuidam do lugar.
Nessa troca de gerações, a criança que sabe aprender com os mais velhos se tornará a idosa que saberá aprender com os mais novos. A troca fica evidente.
Pasqualina e Petrolina se completam por um capricho do destino. As crianças podem ser anjos destinados a levar conforto e alegria para a terceira idade, que retribui com a atenção que as crianças nem sempre conseguem dos pais.
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