EUA apontam perda de prazo em parceria anticrime, e Brasil diz negociar
EUA apontam perda de prazo em parceria anticrime, e Brasil diz negociar
📰 Fonte: Geral – rss.uol.com.br
EUA apontam perda de prazo em parceria anticrime, e Brasil diz negociar
Um dos resultados mais desejados pelo governo Lula de uma eventual visita a Donald Trump na Casa Branca —ainda sem data oficial— é o anúncio de uma parceria binacional em combate ao crime organizado.
O assunto, porém, patina nos escalões mais baixos da diplomacia dos dois paÃses, com fontes da administração Trump dizendo ao UOL que o governo brasileiro deixou sem resposta uma contraproposta do Departamento de Estado no tema, cujo prazo teria vencido em 6 de fevereiro.
Trata-se de um documento com 11 pontos no qual os norte-americanos cobravam mais acessos a investigações e dados do Brasil e propunham outros cursos de ação para além da asfixia financeira ou prisão de alvos supostamente ligados ao crime organizado radicados em território norte-americano, como proposto anteriormente pelo governo brasileiro.
Na interpretação de ao menos parte do Departamento de Estado, o órgão diplomático dos EUA, a falta de resposta formal ao documento seria uma sinalização de pouco engajamento real do governo Lula no assunto.
Fontes do Itamaraty com conhecimento direto do assunto reconhecem que o Brasil recebeu o documento e dizem que as negociações seguem em curso, mas que o paÃs não vai assinar ou aderir a uma proposta pronta enviada pela administração Trump e que, em uma relação bilateral madura, não faz sentido a crÃtica pelo estouro do prazo. Uma parceria, argumentam os diplomatas brasileiros, é o resultado de várias rodadas de conversa e não uma adesão sem ressalvas.
Um embaixador brasileiro, reservadamente, rememorou ainda que os EUA levaram meses para responder a uma proposta do Brasil de negociação sobre o tarifaço, iniciado em agosto. “Agora eles vão querer cobrar prazo assim?”, questionou.
A ideia de uma parceria no tema surgiu justamente do lÃder brasileiro que, em dezembro, propôs a Trump durante um telefonema que ambos trabalhassem para asfixiar as facções brasileiras financeiramente, mirando principalmente em alvos radicados na Flórida e que seriam responsáveis, de acordo com a PolÃcia Federal, por lavar dinheiro em território norte-americano para o tráfico de drogas.
“Eu disse ao presidente Trump: a gente não precisa usar arma. Nós temos que usar a inteligência.”, afirmou Lula, em entrevista à TV Verdes Mares, afiliada da TV Globo no Ceará, após o telefonema de 3 de dezembro.
“O maior traficante de combustÃveis do Brasil mora em Miami. Eu fiz questão de dizer para o presidente Trump: vamos combater o narcotráfico, vamos começar pegando os brasileiros que estão aÃ. Só o cidadão de Manguinhos deve ao Estado brasileiro mais de R$ 6 bilhões”, disse Lula.
O assunto é prioritário para a atual Casa Branca, que se elegeu prometendo combater a epidemia de fentanil entre os norte-americanos e que vê na América Latina uma área de influência e segurança nacional prioritárias.
A iniciativa de Lula tinha dupla finalidade. Primeiro, tomar a dianteira em um assunto no qual Trump vinha se engajando. O chefe da Casa Branca autorizou o bombardeio de uma série de embarcações no mar do Caribe supostamente ligadas ao narcotráfico e equiparou vários cartéis de drogas latinos a organizações terroristas estrangeiras, o que poderia facilitar o emprego das Forças Armadas dos EUA em territórios de paÃses latinos.
Essas medidas foram vistas com preocupação pela diplomacia brasileira. Ao propor um plano de ação conjunto, Lula tentava se adiantar e impedir que o republicano replicasse com o Brasil a fórmula com a qual vinha ameaçando a Colômbia e o México, por exemplo.
Mas não só. Em ano eleitoral, auxiliares do presidente Lula analisam que é fundamental entrar em posição favorável em uma discussão na qual a direita costuma surfar. Ao identificar alvos criminosos nos EUA e citar “inteligência” com Trump, Lula fazia um autoelogio do trabalho investigativo da PolÃcia Federal sob seu comando, em operações como a Carbono Oculto. Além disso, o Planalto identificou a atuação de expoentes do bolsonarismo, como o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, junto à administração Trump para tentar formatar a agenda da segurança pública a seu modo na relação dos EUA com o Brasil.
Um diplomata americano ouvido pelo UOL afirmou crer que Lula pretende fazer uso eleitoral de uma possÃvel parceria no tema do combate ao crime com os EUA, algo que não agrada aos expoentes Maga (“Make America Great Again”) em Washington. Isso, aliás, foi dito a oficiais do governo Trump tanto pelo pré-candidato ao Planalto do PL, Flávio Bolsonaro, em visita a Washington em janeiro, quanto pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado, pré-presidenciável pelo PSD, que esteve no Departamento de Estado neste mês.
Auxiliares do presidente Lula têm dito que avanços na relação entre Brasil e EUA dependem essencialmente do engajamento entre os dois presidentes já “que o segundo e o terceiro escalão estão ali para criar dificuldades”. Mas que acreditam que será possÃvel superar qualquer dificuldade e lançar uma parceria na visita presidencial de Lula a Washington.
Embora tenha expressado preferência pela ida aos EUA ainda na primeira semana de março, a viagem de Lula ainda não tem data para ocorrer.
No dia 7 de março, Trump receberá em Miami os aliados à direita na América Latina, lÃderes de paÃses como Argentina, El Salvador, Guatemala, Paraguai e outros. Lula não foi convidado para o evento. A concretização do encontro depende do avanço não só na agenda de segurança e combate ao crime organizado mas também em outras frentes, como o tarifaço, já que, segundo seus auxiliares, os dois lÃderes não querem fazer um encontro para discutir o próximo encontro.
O Departamento de Estado encaminhou questionamentos do UOL sobre o encontro para a Casa Branca. A Casa Branca não confirma nem nega que esteja organizando uma visita de Lula para as próximas semanas, mas a reportagem apurou que Trump tem interesse em se encontrar com o brasileiro ainda em março, antes de sua visita de Estado à China.
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📌 Fonte original: https://noticias.uol.com.br/colunas/mariana-sanches/2026/02/…
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