EUA e Israel matam líder supremo do Irã; quem era Ali Khamenei?
EUA e Israel matam líder supremo do Irã; quem era Ali Khamenei?
📰 Fonte: Geral – rss.uol.com.br
EUA e Israel matam líder supremo do Irã; quem era Ali Khamenei?
O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, de 86 anos, foi morto nos ataques coordenados dos Estados Unidos e Israel contra o território iraniano. A informação foi confirmada pelo canal do Telegram da Irna (Agência de Notícias da República Islâmica) às 22h29 de hoje (horário de Brasília).
“O Líder Supremo da Revolução Islâmica do Irã foi martirizado”, divulgou a agência. O texto diz ainda que: “A Deus pertencemos e a Ele retornaremos”. A morte do aiatolá também foi comunicada na rede de televisão.
Khamenei, o homem mais poderoso do Irã, governava o país desde 1989. Como líder supremo —ou seja, religioso e político—, o aiatolá detinha a autoridade máxima sobre todos os ramos do governo, as Forças Armadas e o Judiciário na República Islâmica xiita. Ele era tanto chefe de Estado como comandante-chefe e tinha a palavra final sobre políticas públicas do país.
Nascido em 1939 na cidade de Mashhad, no leste do Irã, Khamenei teve seus anos de formação religiosa e política na década de 60. Ele se envolveu em movimentos que questionavam o regime do então xá Mohammad Reza Pahlevi. De acordo com a Reuters, baseada na biografia oficial do aiatolá, Khamenei foi torturado em 1963 quando, aos 24 anos, cumpriu a primeira prisão de muitas por atividades políticas durante o regime do xá.
Khamenei estudou religião em Qom, quando sofreu forte influência do pensamento do aiatolá Ruhollah Khomeini, que liderava a oposição conservadora a partir do exílio. Ele se aproximou do movimento de Khomeini e logo estava ajudando a organizá-lo e executando missões em território iraniano.
Nessa época, Khamenei se aprofundou em teorias anti-coloniais e anti-ocidentais. Ele chegou a traduzir livros do egípcio Sayyid Qutb, um influente intelectual do fundamentalismo islâmico, segundo um perfil publicado pelo jornal britânico The Guardian.
Também participou dos protestos de 1978, que antecederam a Revolução Iraniana no ano seguinte, e tornou-se aliado próximo de Khomeini. Em 1980, quando Khomeini já era líder supremo do Irã, escolheu-o para ser o imã que faria a tradicional oração de sexta-feira em Teerã.
Em junho de 1981, Khamenei sofreu um atentado a bomba que deixou seu braço direito paralisado para sempre.
Quatro meses depois do ataque, foi eleito presidente do Irã, com 95% dos votos. Na época, apenas quatro candidatos foram autorizados a concorrer, e os demais três eram apoiadores de Khamenei. Ele ascendeu ao posto aos 42 anos de idade —e foi o primeiro clérigo a assumir o cargo, consolidando o domínio deles sobre o Estado.
Em 1985, foi reeleito, e exerceu o cargo até 1989, quando seu líder e mentor, Khomeini, morreu de ataque cardíaco. O nome considerado favorito para assumir o posto de líder supremo era o aiatolá Hussein Ali Montazeri —que, no entanto, havia caído em decadência dois meses e meio antes da morte de Khomeini por criticar publicamente violações de direitos humanos cometidas pelo regime iraniano.
O órgão responsável pela escolha do líder supremo, a Assembleia dos Peritos, decidiu de comum acordo que Khamenei assumiria o cargo. Informações indicam que Khomeini também o havia escolhido como sucessor.
Para empossar Khamenei, foi necessário fazer uma manobra. Na época, ele não tinha o grau de marja, reservado aos grandes aiatolás e exigido pela Constituição para ser líder supremo. Foi então nomeado de forma temporária, a Assembleia dos Peritos alterou a Constituição, e em seguida o confirmou no cargo. Em 2018, um vídeo da reunião secreta de 1989 que levou a essa escolha vazou para a imprensa, revelando um Khamenei incrédulo e inseguro com a escolha.
No início do governo, Khamenei era considerado fraco e a sua escolha foi tida como surpreendente. Inclusive, era visto como sem apelo popular e um sucessor ruim para a função de Khomeini, visto como carismático, informou a agência de notícias Reuters.
Khamenei estruturou a máquina pública iraniana de forma a assegurar seu controle e poder, sendo o mais longevo chefe de Estado do Oriente Médio. No cargo, agiu para neutralizar oponentes, guiado pelos seus princípios externados na revolução de 1979, inclusive o combate ao liberalismo, à influência dos Estados Unidos e ao que ele via como desvios dos costumes islâmicos.
Especialistas atribuíram a Khamenei uma estratégia de construir e fortalecer estruturas paralelas dentro do Estado que espelhavam algumas de suas instituições, como o Exército e as agências de inteligência, para dessa forma poder controlá-las melhor. É o caso da Guarda Revolucionária do Irã (IRGC, na sigla em inglês), por exemplo, uma força paralela aos militares tradicionais. Ao longo dos anos, tornou-se capaz de influenciar cada vez mais a formulação e execução de políticas no país, e fomentou o culto à sua personalidade.
Nos quase 40 anos de gestão, o líder supremo fez do Irã uma potência regional. Ao mesmo tempo, ele promovia tecnologia nuclear, que deixava as regiões próximas e outros países temerosos com a capacidade bélica iraniana.
Ele também controlava diretamente o império financeiro paraestatal, conhecido como Setad. O órgão é avaliado em bilhões de dólares e cresceu durante o seu governo, com investimento bilionário na Guarda Revolucionária.
Além disso, uma das suas estratégias centrais de política externa foi apoiar com verbas e armas organizações que atuavam como intermediárias do Irã para confrontar Israel. Em diversas ocasiões, Khamenei defendeu a aniquilação do Estado de Israel, e essa estratégia de guerra por procuração lhe pareceu a mais adequada. Inclusive, apoiou o ataque do grupo extremista Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra na Faixa de Gaza.
Ele chegou a passar cinco anos sem fazer uma aparição pública. O jejum foi quebrado em outubro de 2024, quando proferiu um sermão numa mesquita de Teerã após militares de Israel matarem seu antigo aliado Hassan Nasrallah, que comandou a milícia libanesa Hezbollah por mais de três décadas.
Khamenei também esmagava opositores e mantinha uma política linha dura em relação aos costumes. Seu governo foi acusado de matar opositores exilados, e reprimiu jornalistas e intelectuais não alinhados ao regime.
Em momentos de tensão, o líder supremo recorria à Guarda Revolucionária Islâmica e à Basij, uma força paramilitar com milhares de voluntários, para sufocar dissidências. Em 2009, a guarda e a Basij esmagaram protestos após a reeleição de Mahmoud Ahmadinejad, em meio a denúncias de fraude eleitoral.
Em 2022, o líder mandou prender, encarcerar ou executar manifestantes em meio a protestos pela morte da jovem curda iraniana Mahsa Amini. A jovem de 22 anos morreu enquanto estava sob custódia por supostamente desrespeitar o código de vestimenta islâmico do Irã. Organizações de direitos humanos estimam que mais de 500 pessoas foram mortas durante a repressão.
Neste ano, o político enfrentava a mais grave crise recente no seu governo. Em janeiro, Khamenei ordenou a repressão mais violenta desde a Revolução Islâmica de 1979 contra manifestantes que protestavam nas ruas contra a alta dos preços e condições de vida no país.
Influência do líder iraniano caiu após o enfraquecimento do Hezbollah no Líbano e a deposição de Bashar al-Assad na Síria em 2024. Ao mesmo tempo, os EUA exigiam que ele abandonasse uma das principais estratégias iranianas: os mísseis balísticos, algo importante na visão do aiatolá. Teerã nega ter ambições nucleares militares, mas insiste em seu direito ao uso civil da energia nuclear.
Em junho de 2025, Khamenei teve que se esconder por 12 dias diante dos ataques dos EUA e Israel no Irã. O alvo dos dois países eram instalações nucleares e mísseis importantes iranianos, que foram destruídos. Vários de seus funcionários e comandantes da Guarda Revolucionária morreram na ocasião.
Khamenei desconfiava do Ocidente, principalmente dos EUA, a quem acusava de tentar derrubá-lo do poder. Em janeiro, chegou a chamar Trump de “criminoso”, segundo a Al Jazeera, e atribuiu aos EUA a culpa pelas mortes e danos causados no país pelos protestos ocorridos no mesmo mês.
Apesar da rigidez ideológica, o aiatolá apoiou, de forma cautelosa, o acordo nuclear de 2015 entre o Irã e seis potências mundiais. A decisão foi tomada para aliviar as sanções, visando a estabilização da economia e consolidar o seu controle do poder. Em 2018, Trump abandonou o pacto e determinou sanções severas ao Irã, que reagiu violando as restrições acordadas sobre o seu programa nuclear.
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📌 Fonte original: https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2…
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