Descrição de chapéu

Violência contra a mulher


Filho de subsecretário e adolescente acusados de estupro coletivo já foram investigados por brigas no Pedro 2º

  • Em 2024, promotoria solicitou inquérito à delegacia sobre envolvimento de jovens em rixas na escola
  • Polícia investiga jovens por rixa; Unirio suspende aluno e clube afasta jogador acusados no caso

Rio de Janeiro

Vitor Hugo Oliveira Simonin, 18, e o adolescente de 17 anos suspeitos de participar de um estupro coletivo em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, ocorrido em 31 de janeiro, são investigados desde 2024 por promoverem brigas coletivas no Colégio Pedro 2º, um dos mais tradicionais da cidade.

Vitor Hugo é filho de José Carlos Costa Simonin, subsecretário de Governança, Compliance e Gestão Administrativa. O imóvel onde ocorreu o crime pertenceria à família do subsecretário, de acordo com a vítima, e estava desocupado. Como o processo está sob sigilo, não é possível saber se os jovens têm defesa constituída.

Procurada pela reportagem sobre as medidas tomadas em relação às brigas, o colégio evitou comentar especificamente e reencaminhou a nota enviada sobre o estupro coletivo em que reforçava o “compromisso com a formação cidadã e o combate à violência

Homem com camiseta preta e distintivo na corrente conduz jovem de boné e camiseta preta, segurando seu braço próximo a parede de prédio. Mulher ao fundo acompanha a ação.
Matheus Veríssimo Zoel Martins, um dos cinco acusados de ter estuprado coletivamente uma adolescente de 17 anos em um apartamento de Copacabana, deixa a 12ª DP de Copacabana para ser encaminhado à cadeia de custódia de Benfica, na zona norte do Rio

Eduardo Anizelli/Folhapress

O colégio Pedro 2º é uma escola pública federal, tradicional do Rio de Janeiro, onde há 14 unidades. Os dois alunos estudavam na unidade Humaitá. O colégio começou o processo de expulsão dos agressores da instituição.

Ainda de acordo com funcionários, Vitor Hugo é aluno do 1º ano do ensino médio, no campus Humaitá, mas está em dependência em matérias do 9º ano do ensino fundamental, após três reprovações.

No registro de ocorrência, ao qual a Folha teve acesso, a 3ª Promotoria da Infância e Juventude da Capital enviou uma petição à Polícia Civil acerca de brigas que estavam ocorrendo no colégio.

Segundo funcionários ouvidos pela reportagem, os dois alunos participavam de grupos que promoviam brigas coletivas contra outros alunos, em uma espécie de clube da luta. Na ocasião, o diretor da unidade, segundo os funcionários, chegou a acionar o Conselho Tutelar e os responsáveis.

Cartaz com o título 'PROCURADOS' em vermelho no topo. Quatro fotos de homens jovens alinhadas horizontalmente, cada uma com nome em amarelo: Bruno, Vitor, Mattheus e João. Abaixo, texto pede ajuda para denunciar quatro homens envolvidos em estupro coletivo contra menor de 17 anos, com números de WhatsApp e telefone para denúncia e garantia de anonimato.
Jovens réus por estupro coletivo são procurados pela polícia

Divulgação PCERJ

Já a Polícia Civil investiga os jovens pelo crime de rixa, que consiste na conduta de participar de uma briga generalizada ou tumulto entre várias pessoas. Atualmente, o caso segue sendo investigado, com diligências para análise de câmeras e escutas dos menores envolvidos, assim como seus responsáveis. Tanto Vitor Hugo quanto o jovem de 17 anos foram autuados como menores infratores nesse caso — Vitor tinha 16 anos na época do crime. Outros quatro jovens também são investigados.

Unirio e time de futebol afastam réus

A Unirio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro) suspendeu por 120 dias o aluno Bruno Felipe dos Santos Allegretti, outro acusado de participação no estupro coletivo. Ele segue foragido.

Em nota, a universidade destacou que a “decisão da suspensão por quatro meses foi determinada diretamente pelo reitor. Com isso, fica vedada a circulação de Bruno, que estuda Ciências Ambientais, em qualquer área de convivência da universidade”.

“A instituição afirmou que a medida foi tomada diante da gravidade das acusações que envolvem o aluno e repudia qualquer forma de violência contra as mulheres”, acrescentou.

João Gabriel Xavier Bertho, que também figura como réu no caso de estupro coletivo, se entregou nesta terça (3). Jogador de futebol, o clube no qual ele atuava, o Serrano, suspendeu o contrato do jogador e afirmou que estava “acompanhando de perto o desenrolar do caso”. O Serrano disse que “repudia veementemente qualquer forma de assédio ou violência”.

Outro a se entregar nesta terça, o jogador de futebol Mattheus Veríssimo Zoel Martins, 19, é registrado como atleta do S.C. Humaitá, segundo dados da Liga Niteroiense de Desportos. De acordo com o perfil do jogador na entidade, Mattheus está vinculado ao clube como atleta da categoria Sub-20 e participou da Copa Niterói de Futebol em 2025. O clube ainda não se manifestou sobre o caso.

De acordo com a vítima, Matteus foi o primeiro a se aproximar e a tocá-la, sem o seu consentimento. O suspeito foi ainda teria sido o primeiro a tirar a roupa, ato repetido pelos demais investigados, o que deixou a vítima “sem reação”, conforme contou à polícia. Ao deixar o local, a jovem ainda ouviu de Mattheus que “da próxima vez levasse uma amiga boa igual”.

Segundo a vítima, no ano de 2024, em ocasião que estava fazendo sexo com o ex-namorado, Matteus chegou a pedir que pudesse participar da relação sexual, o que foi negado por ela.

Na sexta-feira (27), a Justiça aceitou a denúncia e tornou os jovens réus pelo crime de estupro qualificado, pela vítima ser menor, majorado pelo concurso de pessoas, que é quando o crime é praticado por dois ou mais agressores. Nesse caso, quando há a participação de mais de uma pessoa, a conduta é considerada mais grave.

Por isso, a lei determina o aumento da pena final em um quarto. O Código Penal também estabelece que todos que concorrem para o crime respondem por ele na medida de sua culpabilidade. Pode haver agravamento adicional para quem organiza, dirige ou promove a cooperação entre os agentes. A pena prevista para o estupro, neste caso, é de reclusão de 8 a 12 anos em caso de condenação.

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