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LGBTQIA+


Grindr começa a exigir verificação de idade para usuários no Brasil

  • Medida entra em vigor nesta sexta-feira (20)
  • Segundo plataforma, finalidade é se adequar ao ECA Digital, em vigor a partir de março

São Paulo

O Grindr, aplicativo de pegação LGBTQIA+ mais acessado no mundo, começa nesta sexta-feira (20) a exigir verificação de idade para usuários no Brasil —um de seus dez maiores mercados.

A plataforma diz à Folha que a medida busca adequar o serviço ao ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) Digital, em vigor no país a partir de março.

“O Grindr é uma plataforma exclusiva para maiores de 18 anos, comprometida com a segurança e a privacidade de seus usuários. […] Por isso, estamos implementando no Brasil um novo processo de verificação de idade”, diz a empresa.

Cadastrados começaram a receber avisos sobre a nova exigência nesta quinta-feira (19).

Tela amarela com aviso do Grindr informando que a verificação de idade começa amanhã. Texto explica que usuários precisarão ter 18 anos para usar o app e que o acesso será bloqueado até a conclusão do processo. Botão preto com texto "Saiba mais" aparece na parte inferior.
Mensagem enviada para usuários do Grindr nesta quinta-feira (19)

Reprodução

Essa checagem é realizada uma única vez e se aplica a qualquer pessoa que utilize a plataforma em território nacional, incluindo visitantes estrangeiros. Enquanto o processo não for concluído, o perfil estará bloqueado.

O Grindr utiliza tecnologia de verificação biométrica da empresa FaceTec, mas afirma manter de forma independente todo o controle e processamento dos dados. “As informações fornecidas são usadas exclusivamente para a verificação de idade, garantindo que o acesso à plataforma seja restrito apenas a adultos. Seguimos avaliando continuamente as melhores práticas para garantir que nossa plataforma seja um espaço seguro para conexões entre adultos”, diz o aplicativo.

Somente no Brasil, a plataforma registrou quase 10 milhões de downloads em 2025. Neste mesmo ano, ela entrou na mira do Ministério Público Federal, que instaurou procedimento administrativo para apurar se aplicativos de relacionamento voltados ao público LGBTQIA+ adotam medidas eficazes para garantir a segurança de seus usuários.

A investigação foi motivada pela divulgação de diversos crimes relacionados a esse público, incluindo roubos, extorsões, lesões corporais e homicídios, ocorridos no Distrito Federal e em cidades como Curitiba, Porto Alegre e São Paulo.

Conforme o procurador da República Lucas Costa Almeida Dias, que atua no Acre, a prática de crimes por meio de aplicativos de relacionamento já é uma notória questão de segurança pública. Quando se trata de usuários LGBT+, segue ele, a vulnerabilidade inerente à sua orientação sexual pode motivar a execução de condutas agravadas, movidas por preconceito e ódio.

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