Grupo Um, banda que tocava com Hermeto Pascoal, lança disco vanguardista

Grupo Um, banda que tocava com Hermeto Pascoal, lança disco vanguardista

📅 03/03/2026 13:16
📰 Fonte: Geral – rss.uol.com.br

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No início dos anos 1970, o baterista Zé Nazário trouxe seu irmão, Lelo, e o baixista Zeca Assumpção para fazer parte da banda de Hermeto Pascoal. Recém-chegado dos Estados Unidos, depois de gravar com Miles Davis, Hermeto estava ainda mais inspirado pelo samba e o baião brasileiros.

Lelo, Zé e Zeca tinham outras ideias. Conhecidos como a “cozinha paulista” de Hermeto, o trio passou a ensaiar num porão na Teodoro Sampaio, criando sons mais influenciados pela educação de música erudita e contemporânea que os irmãos Nazário haviam recebido, mas ainda, como seu mestre, com ambições experimentais. Assim nasceu o Grupo Um, que, em janeiro deste ano, lançou “Nineteen Seventy Seven”, disco que estava guardado há quase 50 anos.

Segundo álbum inédito do grupo que vê a luz do dia após décadas, “Nineteen Seventy Seven” destaca, ainda mais que seu predecessor “Starting Point”, gravado em 1975 e lançado em 2023, as ideias de vanguarda presentes no som do Grupo Um. As seis composições do LP incluem sons de sintetizadores eletrônicos e percussão inspirada pela polirritmia africana, novidades para a música instrumental brasileira da época.

“Nineteen Seventy Seven” viu a luz do dia através da Far Out Recordings, gravadora inglesa conhecida pela predileção por música brasileira. Joe Davis, fundador da Far Out, entrou em contato com os irmãos Nazário, inicialmente, por interesse em fitas perdidas de Hermeto. Em 2017, com a ajuda de Lelo, a gravadora lançou o álbum “Viajando Com O Som”, originalmente gravado em 1976.

“Enquanto ele fazia isso, mencionou que havia alguns álbuns inéditos do Grupo Um. Fiquei imediatamente interessado em ouvi-los. Eu já conhecia a banda, pois o álbum ‘Marcha Sobre A Cidade’ [lançado pelo Grupo Um em 1979] era um dos meus favoritos na época em que eu frequentava bailes de jazz. Esse disco circulava bastante na cena de jazz do Reino Unido, entre os DJs”, fala Joe Davis à Folha.

Músicos desde a infância, Lelo e Zé foram figura carimbada dos bares de jazz em São Paulo durante a juventude e começaram a tocar com Hermeto em 1973, quando Zé tinha 21 anos e Lelo, 17. Zé trabalhou, também, com Egberto Gismonti e Taiguara e é creditado, junto com os músicos Cyro Pereira e Mário Albanese, por criar a estrutura rítmica particular ao ritmo brasileiro Jequibau, uma espécie de samba em compasso 5/4.

Sobre o rompimento com Hermeto, assim que o Grupo Um saiu do porão para os palcos, os irmãos contam histórias diferentes. Zé diz que a mudança de Hermeto para o Rio de Janeiro impossibilitou que eles o acompanhassem; já Lelo se lembra do músico ter pedido exclusividade para seu grupo, o que foi negado pelo trio.

“A grana da música naquela época era muito pequena, mesmo para um músico como o Hermeto. A gente tocava porque gostava mesmo, então era complicado. Então decidimos continuar com o Grupo Um, e começamos a gravar”, fala Lelo.

Após as faixas gravadas em 1975, que viraram o álbum “Starting Point”, o grupo começou a levar sua mistura de música erudita, jazz e música brasileira a novas distâncias. A maior mudança foi a incorporação do sintetizador ARP 2600, que o músico Luiz Roberto Oliveira, amigo de Lelo, havia trazido dos Estados Unidos. Um dos primeiros sintetizadores analógicos a chegar no Brasil, o instrumento garantiu que as novas músicas contassem com uma sonoridade eletrônica que era rara no país até então, como se ouve em “Mobile/Stabile”, composição de Lelo.

“Estudei bastante música clássica, até Debussy, Stravinsky. E aí, quando eu comecei a ouvir música contemporânea – música concreta, música eletroacústica – me apaixonei por aquilo”, diz Lelo.

A tentativa de lançar o álbum na época, porém, foi frustrada repetidamente. “A gente tentou de todas as formas. Queríamos fazer mil discos, porque sabíamos que não era algo que ia vender muito, mas não valia a pena para as fábricas”, diz Lelo. O pianista conta, ainda, que o trio tentou fundar uma gravadora própria para tentar que o disco fosse editado, mas não conseguiram.

Com o afrouxamento do regime militar, mais para o fim da década de 1970, Lelo e Zé contam que foi ficando mais possível viver da música instrumental. Em 1979, o Grupo Um lançou “Marcha Sobre a Cidade”, considerado um dos primeiros álbuns instrumentais a ser lançado de forma independente no Brasil.

Ano passado, o Grupo Um fez uma turnê para comemorar os 50 anos de banda, que passou pelo Sesc Pompeia. Por enquanto, não está claro para os músicos se esse novo lançamento trará uma nova leva de shows. “O Grupo Um foi até onde deu. Chegamos a deixar uma coisa para as novas gerações”, diz Zé. “A gente começou muito antes de existir mercado para esse tipo de som. Era só vontade de fazer música, mesmo.”

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