Guadalajara é alvo de violência do narcotráfico a quase 100 dias da Copa

Guadalajara é alvo de violência do narcotráfico a quase 100 dias da Copa

📅 24/02/2026 11:35
📰 Fonte: Geral – rss.uol.com.br

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Guadalajara e seus arredores, a região metropolitana com o maior número de desaparecidos em todo o México, estavam se preparando com tecnologia de ponta para proteger a Copa do Mundo de 2026 quando a morte de um poderoso narcotraficante pelas mãos do exército exacerbou as preocupações com a segurança.

O governo de Jalisco, estado do oeste do país, se prepara com drones, bloqueadores de aeronaves não tripuladas e videovigilância com inteligência artificial para garantir a segurança em Guadalajara, sua capital estadual e sede de quatro partidas da Copa do Mundo, que será disputada em três países —México, Estados Unidos e Canadá— e começa em 11 de junho.

Mas a 109 dias do início da competição, no domingo (22), o poderoso CJNG (Cartel Jalisco Nueva Generación) desencadeou uma onda de violência em vários pontos do país que atingiu a cidade com bloqueios de estradas, incêndios de veículos, ataques a postos de gasolina, bancos e comércios, causando preocupação e ameaçando estragar a festa.

Foi uma reação à morte de seu líder, Nemesio “El Mencho” Oseguera, pelas mãos dos militares durante uma operação para capturá-lo.

A violência levou à suspensão de duas partidas no domingo em Jalisco e de outra em Querétaro, no centro do México.

Guadalajara, juntamente com Monterrey, no nordeste mexicano, sediará o torneio de repescagem no final de março, que definirá as duas últimas equipes classificadas para a Copa do Mundo.

Uma porta-voz da Fifa (Federação Internacional de Futebol) disse que, por enquanto, o órgão não deseja fazer comentários sobre a segurança na próxima sede da Copa do Mundo.

Após a morte do narcotraficante, as ruas de Guadalajara estavam praticamente desertas na segunda-feira, e muitos comércios permaneceram fechados, enquanto as aulas foram suspensas em Jalisco e em uma dúzia de outros estados.

A violência do dia anterior demonstrou a vasta capacidade de mobilização do poderoso cartel CJNG.

Com 12.575 pessoas desaparecidas, segundo dados oficiais, Jalisco é um dos estados mais afetados por esse flagelo tão presente no México. Mais da metade desses registros vem de Guadalajara e sua região metropolitana, a segunda maior cidade do país.

“Acho que não há nada a comemorar, me parece muito grotesco” que se realize essa festa futebolística, diz Carmen Ponce, de 26 anos, que busca seu irmão Víctor Hugo, desaparecido em 2020.

Em setembro, Ponce localizou junto a um terreno empoeirado 16 sacos plásticos enterrados com restos humanos de cinco pessoas. “O país comemora gols enquanto nós estamos em campo buscando”, lamenta.

Carmen Chinas, acadêmica da Universidade de Guadalajara, sustenta que “a principal hipótese” por trás dos desaparecimentos é o recrutamento forçado para grupos criminosos. As vítimas costumam ser jovens de poucos recursos, indicou.

Em sua busca, os familiares de desaparecidos encontraram neste estado cerca de 300 valas clandestinas com cadáveres e restos mutilados.

Três dias antes da morte de El Mencho, Roberto Alarcón, coordenador geral estratégico de Segurança do estado, assegurava que “Jalisco e particularmente a zona metropolitana (de Guadalajara), onde será realizado este evento esportivo, está em paz”.

A tranquilidade será recuperada antes do início da Copa do Mundo?

Das instalações do Centro de Monitoramento e Emergência em Zapopan, município onde fica o Estádio Akron, sede de jogos da Copa do Mundo, Alarcón explicou que eles possuem drones, equipamentos antidrone para monitorar o espaço aéreo, helicópteros e câmeras de vigilância para proteger a cidade.

O número de câmeras de vigilância aumentará de 7.000 para 13.000, segundo Juan Carlos Contreras, diretor-geral do centro estadual de controle de vigilância.

Até então, as autoridades de Jalisco estavam mais preocupadas com o risco de protestos de grupos de busca perturbarem a paz da cidade durante a Copa do Mundo.

Mas a violência desencadeada pela morte de Oseguera reacendeu o temor entre os habitantes de Guadalajara.

“Haverá muitos problemas (durante a Copa do Mundo) porque ninguém se sente seguro. Agora eles precisam garantir a segurança de todos que vêm para jogar e daqueles que vêm para curtir e assistir à Copa do Mundo”, disse Juan Soler, aposentado.

Missael Robles, um guia turístico de Guadalajara, explicou que, desde que a violência começou no domingo, teve que cancelar cerca de 25 passeios para cidades vizinhas. “O impacto econômico é muito significativo”, lamentou o homem de 31 anos.

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📌 Fonte original: https://www1.folha.uol.com.br/esporte/2026/02/guadalajara-e-…

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