Líder da ultraesquerda na França é acusado de antissemitismo após ironizar pronúncia de Epstein


Líder da ultraesquerda na França é acusado de antissemitismo após ironizar pronúncia de Epstein
- Jean-Luc Mélenchon sugere que imprensa ‘russificou’ sobrenome para evitar terminação associada a nomes judeus
- ‘Considerar essa pronúncia uma manipulação é delírio conspiratório’, diz presidente de conselho judaico francês
São Paulo
O líder da ultraesquerda na França, Jean-Luc Mélenchon, enfrenta novas acusações de antissemitismo por ironizar a pronúncia do sobrenome do criminoso sexual Jeffrey Epstein durante um comício em Lyon, na última quinta-feira (26).
O político de 74 anos costuma ser acusado de antissemitismo, principalmente após o ataque terrorista do Hamas contra Israel, em 2023. O partido do líder, A França Insubmissa, nega as denúncias.
A mais recente controvérsia surgiu após Mélenchon dizer que, na França, a pronúncia do sobrenome de Epstein como “Epstine” se tornou a norma, em vez de “Epstáin” —terminação que costuma ser associada a nomes judeus.
“Eu quis dizer ‘Epstine’, desculpem. ‘Epstine’ soa mais russo”, disse ele para os presentes, que começaram, então, a rir. “Agora vocês vão dizer ‘Einstine’ em vez de ‘Einstáin’, ‘Frankenstine’ em vez de ‘Frankenstáin'”, continuou à multidão no comício para as eleições municipais.
Yonathan Arfi, presidente do Conselho Representativo das Instituições Judaicas na França, disse que até um estudante do ensino fundamental “sabe que, em inglês, ‘Epstein’ se pronuncia ‘Epstin'”. “Os jornalistas só pronunciam um sobrenome americano. (…) Considerar essa pronúncia uma manipulação é delírio conspiratório”, afirmou.
Os comentários provocaram indignação no restante da classe política. O presidente francês, Emmanuel Macron, compartilhou no X um vídeo dele mesmo no qual defende a inelegibilidade de políticos antissemitas com a legenda: “Isso foi há 15 dias”.
Na ocasião, Macron afirmou que, “em 20 anos, a hidra antissemita não parou de progredir. Ela se imiscuiu em cada interstício da nossa sociedade”. “Para o futuro, desejo que uma pena de inelegibilidade obrigatória seja instituída para atos e declarações antissemitas, racistas e discriminatórias”, continuou.
Já o primeiro-ministro, Gabriel Attal, afirmou, na mesma rede social, que Mélenchon “ultrapassou todos os limites”. “O antissemitismo é uma monstruosidade. Usá-lo é uma vergonha. Nojento”, concluiu.
A ministra para a Igualdade de Gênero, Aurore Bergé, afirmou, também no X, que “o novo antissemitismo na França se resume em três letras: LFI”. “Só existe uma atitude possível: combate. Todos devem assumir a sua responsabilidade. Todos devem fazer uma limpeza geral. Nem um único voto para esses antissemitas”, escreveu.
Até mesmo antigos aliados de esquerda da LFI se indignaram. “Um antifascista é alguém que luta contra o fascismo, não alguém que reutiliza seus mecanismos mais perigosos”, escreveu o primeiro-secretário do Partido Socialista, Olivier Faure, no X.
Em resposta às reações, Mélenchon negou qualquer tipo de antissemitismo. “Ironizei a tentativa de usar ‘Epstine’ como nome para ‘russificar’ o problema. A reação daqueles que a consideram antissemita é consternante”, afirmou.
“Os membros da LFI foram os primeiros a denunciar a instrumentalização antissemita do caso Epstein”, acrescentou o seu braço direito, Manuel Bompard, que denunciou “uma conspiração” contra o movimento de ultraesquerda.
Com AFP
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📰 Fonte: UOL Notícias
🔗 Link original: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/02/lider-da-ultraes…
Publicado automaticamente pelo Sistema Itaquera News em 27/02/2026 às 13:57


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