Mãe de Tainara pede justiça em ato contra feminicídio: ‘Morta por monstro’

Mãe de Tainara pede justiça em ato contra feminicídio: 'Morta por monstro'
Mãe de Tainara pede justiça em ato contra feminicídio: 'Morta por monstro'

Mãe de Tainara pede justiça em ato contra feminicídio: ‘Morta por monstro’

Durante um ato ontem na capital paulista contra casos de feminicídio, a mãe de Tainara Souza Santos, que morreu após ser atropelada e arrastada, pediu justiça mais severa aos agressores.

O que aconteceu

Lúcia Aparecida Souza realizou um discurso aos prantos e chamou o agressor da filha de “monstro”. “Ela era uma jovem cheia de vida, que foi tirada de mim de um jeito aí que vocês mesmo viram, por um monstro. Foi atropelada, arrastada, presa embaixo de um carro, parecendo um saco de lixo. Perdeu as duas pernas, ficou sem a pele das costas, sem o glúteo. Isso não é um ser humano.”

A mulher destacou a quantidade de casos semelhantes e declarou falar não só pela filha. “E coisas que vêm acontecendo não só depois da Tainara, mas com muitas mulheres. [Mortas] com facadas, queimadas, atiradas do apartamento. Eu não falo só pela Tainara.”, acrescentou.

“O que os homens querem? Ninguém pode falar ‘não’?”, questionou. Em seguida, ela cobrou por uma punição mais severa aos suspeitos de violência contra mulher e feminicídio.

Eu estou aqui pedindo que nos ajudem a mudar um pouco essa lei, que seja mais firme. Qualquer coisa com bom comportamento lá dentro [da prisão], eles saem. O bom comportamento tem que ser conosco aqui fora, não é lá dentro. Lúcia Aparecida Souza

O ato da manhã de ontem inaugurou um mural de mais de 140 metros em homenagem à vítima. A obra, pintada por grafiteiras e artistas visuais, está no Parque Novo Mundo, na Marginal Tietê —mesmo local onde Tainara foi atropelada e arrastada.

Ministros estiveram presentes no evento. Além de movimentos sociais, sindicais, moradores da comunidade do Parque Novo Mundo e parlamentares, participaram as ministras Márcia Souza, das Mulheres, Marina Silva, do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Sonia Guajajara, dos Povos Indígenas, e o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira.

Marina Silva destacou que quatro mulheres têm sido mortas por dia no Brasil. “São cerca de 1.500 mulheres que são assassinadas a cada ano e isso é algo que precisa ser combatido por todas as pessoas, por toda a sociedade, em todos os lugares, em todos os momentos”, falou.

Relembre o caso

Douglas Alves da Silva, 26, atropelou Tainara na saída de um bar. Imagens registraram o momento em que ela foi arrastada pela rua Manguari até a avenida Morvan Dias de Figueiredo (Marginal Tietê).

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Após o crime, Douglas fugiu, mas acabou preso na noite de 30 de novembro — ele permanece preso desde então. Testemunhas relataram à polícia que ele conhecia Tainara, que já tinham ficado, e os dois teriam discutido no bar momentos antes, conforme o boletim de ocorrência.

Testemunha afirmou que o suspeito puxou o freio de mão do carro para aumentar o atrito e causar mais ferimentos. Outras pessoas tentaram intervir, mas o motorista acelerou. A Polícia Civil instaurou inquérito e concluiu o caso como tentativa de feminicídio. Depois da morte de Tainara, o caso foi atualizado para feminicídio consumado. A Justiça já aceitou denúncia contra ele, tornando-o réu.

Suspeito teria histórico de relacionamento com Tainara e ficou “enfurecido” ao vê-la com outro homem, segundo a polícia. O amigo de Douglas afirmou que ele não gostou de ter visto Tainara acompanhada. Com a morte de Tainara, Douglas passa a responder por feminicídio.

‘Quis dar um susto’

Em depoimento, Douglas disse que seu amigo se desentendeu com o homem com quem a vítima estava, informou Bícego. O suspeito afirmou que interveio na discussão entre os dois e tomou uma garrafada no rosto, e que depois ele saiu de carro com o amigo, chamado de Kauan.

Momentos depois, ele afirmou que viu a vítima caminhando com o homem e decidiu “dar um susto” no casal. Segundo Douglas, Tainara se “projetou” contra o carro e foi atropelada. O advogado de Kauan, Matheus Lucena, negou a versão do interrogado, e a classificou como “fantasiosa e exculpatória”.

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Suspeito também disse que percorreu mais de 1 km com a vítima presa ao veículo porque o som do carro estava alto. Ao ser questionado sobre ter arrastado a mulher, voltou a citar o volume do som e afirmou que os vidros do carro estavam fechados.

Defesa de Douglas alega que a informação de que o crime foi cometido por ciúmes é “totalmente infundada”. Em nota enviada ao UOL, o advogado Marcos Tavares Leal disse que Douglas “jamais manteve relacionamento com a vítima” e que o homem não reagiu à prisão, como informado pela polícia. Douglas “se encontrava desarmado e dormindo no quarto de hotel aguardando a chegada de seu advogado para se apresentar a Justiça” quando foi preso, afirmou.

Em caso de violência, denuncie

Ao presenciar um episódio de agressão contra mulheres, ligue para 190 e denuncie.

Casos de violência doméstica são, na maior parte das vezes, cometidos por parceiros ou ex-companheiros das mulheres, mas a Lei Maria da Penha também pode ser aplicada em agressões cometidas por familiares.

Também é possível realizar denúncias pelo número 180 — Central de Atendimento à Mulher — e do Disque 100, que apura violações aos direitos humanos.

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📰 Fonte: UOL Notícias

🔗 Link original: https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2026/…

Publicado automaticamente pelo Sistema Itaquera News em 02/03/2026 às 10:02

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