Mãe não sabia da morte de menina torturada pela companheira do avô, diz polícia

Mãe não sabia da morte de menina torturada pela companheira do avô, diz polícia

📅 23/02/2026 15:05
📰 Fonte: Geral – g1.globo.com

Corpo de menina torturada e morta ainda está no IML de Ribeirão Preto

A mãe a avó materna de Sophia Emanuelly de Souza, de 3 anos, não tinham conhecimento da morte da menina. O avô da criança, José dos Santos, de 42 anos, e a companheira dele, Karen Tamires Marques, de 33, estão presos preventivamente por suspeita de envolvimento no caso. Eles são investigados por homicídio triplamente qualificado.

À EPTV, afiliada da TV Globo, a delegada Michela Ragazzi disse que as duas, que moram em Itapetininga (SP), estiveram em Ribeirão Preto (SP) para reconhecimento e liberação do corpo, que estava no Instituto Médico Legal (IML) desde a semana passada.

“Nós conseguimos na sexta-feira este contato. A família não tinha conhecimento que a criança tinha falecido, foi um choque e uma tristeza muito grande. São pessoas humildes que precisaram da intervenção do poder público municipal de Itapetininga para trazê-las até aqui e hoje [segunda-feira] o corpo foi reconhecido e liberado”.

“Nós conseguimos na sexta-feira este contato. A família não tinha conhecimento que a criança tinha falecido, foi um choque e uma tristeza muito grande. São pessoas humildes que precisaram da intervenção do poder público municipal de Itapetininga para trazê-las até aqui e hoje [segunda-feira] o corpo foi reconhecido e liberado”.

Segundo a delegada, a mãe e a avó materna estiveram na delegacia e foram ouvidas. O corpo de Sophia será encaminhado para Itapetininga, onde deve ser velado e enterrado.

A polícia ainda deve ouvir vizinhos do apartamento onde o avô vivia com a neta e a companheira dele, no Parque São Sebastião, zona Leste de Ribeirão Preto. O local também vai ser periciado e o inquérito deve ser concluído até o fim da semana.

“Nós trabalhamos com a oitiva de testemunhas, de moradores do local onde os fatos aconteceram. Trabalhamos com vestígios do delito, estamos na fase da perícia do imóvel. Trabalhamos também com a juntada de diversos documentos e relatórios do Conselho Tutelar de Itapetininga. Queremos entender até que ponto a invisibilidade da Sophia gerou o falecimento dela”.

Procurado pela EPTV, o advogado de defesa de José afirmou que ele é inocente e que vai recorrer da decisão da Justiça de mantê-lo preso preventivamente. Ele tinha a guarda da neta desde 2024.

Ao g1, a Defensoria Pública, que representa Karen, disse que, como de praxe, não se manifesta publicamente acerca de processos criminais em andamento.

Sophia foi levada pelo avô para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Avenida Treze de Maio na noite de terça-feira (17). A criança foi atendida pelo pediatra que estava de plantão, que disse que ela já chegou morta e acionou a polícia.

Aos médicos, José chegou a dizer que a neta estava passando mal e vomitou durante o trajeto até a UPA, versão contestada pelo delegado seccional Sebastião Vicente Picinato.

“Ele faltou com a verdade em dizer que a criança havia vomitado, ou seja, quis criar uma situação para espiar a culpa, mas, na verdade, reforça mais a ideia de que ele é coautor”.

“Ele faltou com a verdade em dizer que a criança havia vomitado, ou seja, quis criar uma situação para espiar a culpa, mas, na verdade, reforça mais a ideia de que ele é coautor”.

José e Karen foram presos em flagrante na quarta-feira (18). No mesmo dia, eles passaram por audiência de custódia, onde a prisão preventiva foi decretada.

José dos Santos e Karen Tamires Marques são suspeitos de envolvimento na morte da neta dele, de 3 anos, em Ribeirão Preto, SP — Foto: Redes sociais

Karen confessou que não gostava da menina e que a esganou porque ela não queria comer, o que reforça a suspeita de que ela tenha causado a morte. Já o avô é suspeito de ser coautor do crime, por permitir que essa situação ocorresse.

A Polícia Civil avalia se eles responderão por tortura e homicídio ou por tortura que teve como resultado a morte, conduta prevista na Lei dos Crimes Hediondos.

“Uma violência contra uma criança, independentemente do resultado de morte, é uma agressão que viola todos os direitos humanos, é uma agressão à sociedade. É uma coisa que entristece muito, revela um lado muito ruim do ser humano”, diz o delegado.

O laudo do IML emitido nesta sexta-feira (20) apontou que Sophia morreu por asfixia mecânica por estrangulamento.

Segundo o documento, a menina era vítima de maus-tratos com frequência, porque tinha hematomas de diferentes colorações, o que indica que foi agredida em diversos momentos ao longo dos últimos anos.

📌 Fonte original: https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2026/0…

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