Mercado imobiliário fecha 2025 com recordes em lançamentos e vendas, apesar de juros

Mercado imobiliário fecha 2025 com recordes em lançamentos e vendas, apesar de juros

📅 23/02/2026 17:56
📰 Fonte: Economia – www.infomoney.com.br

Apesar o crescimento dos estoques, o mercado imobiliário brasileiro encerrou 2025 com recordes em lançamentos e vendas de imóveis residenciais verticais, mesmo em um cenário de juros elevados, e a expectativa é que 2026 ao menos bata os bons resultados do ano anterior. As impressões e dados fazem parte dos Indicadores Imobiliários Nacionais do 4º trimestre de 2025, divulgados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), nesta segunda-feira (23).

Ao longo de 2025, foram lançadas 453.005 unidades residenciais, alta de 10,6% em relação a 2024. O valor geral lançado (VGL) somou R$ 292,3 bilhões.

Para o conselheiro da CBIC e economista-chefe do Secovi-SP, Celso Petrucci, o desempenho mostra que as incorporadoras reagiram diretamente à demanda, mesmo em um ambiente de crédito mais caro.

“Apesar da taxa de juros, 2025 foi um ano de recordes. O incorporador seguiu sentindo a demanda aquecida e seguiu lançando”, afirmou Petrucci.

Os empreendimentos verticais residenciais monitorados pela pesquisa alcançaram 221 cidades no país.

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Do lado das vendas, o setor também registrou marcas históricas. No 4º trimestre de 2025, foram comercializadas 109 mil unidades residenciais, o maior volume já observado para um trimestre. No acumulado do ano, as vendas somaram 426.260 unidades, alta de 5,4% em relação a 2024, configurando outro recorde anual.

Em termos de valor, o setor movimentou R$ 67 bilhões em vendas apenas no 4º trimestre. No ano, o VGV (Valor Geral de Vendas) chegou a R$ 264,2 bilhões, crescimento de 3,5% na comparação com 2024.

Regionalmente, no acumulado de 12 meses, o Sudeste liderou as vendas, com 220.087 unidades, seguido pelo Sul (89.769 unidades), Nordeste (80.111 unidades), Centro-Oeste (23.540 unidades) e Norte (12.753 unidades).

A oferta final de imóveis residenciais verticais disponíveis ao fim do 4º trimestre de 2025 foi de 347.013 unidades, alta de 7,2% em relação ao mesmo período de 2024. É o maior nível desde o 4º trimestre de 2023.

Apesar da elevação do estoque, o tempo de escoamento da oferta – indicador que estima em quantos meses o estoque atual seria vendido mantido o ritmo de vendas – ficou em 9,8 meses no 4º trimestre de 2025.

Segundo Fábio Tadeu Araújo, diretor-sócio da Brain Inteligência Estratégica, responsável pela pesquisa, esse patamar ainda indica um mercado relativamente saudável quando comparado a períodos de crise.

“É um escoamento rápido, de menos de um ano. Durante o pico da época dos distratos, em 2016 e 2017, esse indicador era de quase 30 meses, aquilo sim era uma crise”, disse Araújo.

O tempo de escoamento atual é o maior desde o 4º trimestre de 2024, quando o indicador estava em 9 meses. No 2º trimestre de 2025, o índice chegou a cair para 8,3 meses.

O programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) teve papel central na sustentação do mercado em 2025. Os lançamentos dentro do programa cresceram 13,9% em relação a 2024, enquanto as vendas avançaram 15,1% no mesmo período.

No ano, foram lançadas 228.842 unidades verticais no âmbito do MCMV, alta de 13,5% na comparação anual, e vendidas 196.876 unidades, incremento de 15,9%. Ao fim de 2025, o programa encerrou o ano com recorde de 69.168 unidades lançadas no 4º trimestre.

A participação do MCMV é mais relevante nas regiões Norte e Nordeste, onde se consolidou como principal pilar de produção habitacional. No Norte, o programa responde por 69% do setor e no Nordeste, 50%.

O escoamento da oferta no MCMV é ainda mais rápido que a média geral, em 7,9 meses. O preço médio das unidades do programa ficou em R$ 202,5 mil.

Os dados apresentados pela CBIC também mostram uma forte valorização dos imóveis residenciais no país. Segundo Petrucci, os preços vêm se afastando dos principais índices de inflação desde o ano passado.

“FGV e Abecip capturam o IGMI-R, que mostra uma variação acumulada de 18,6% nos últimos 12 meses, muito descolada do IPCA, de 4,26%, e do INCC, de 5,9%. Desde 2024 a gente percebe um descolamento da variação imobiliária. A aquisição do imóvel continua sendo vantajosa e a valorização real do imóvel tem sido bastante alta”, disse.

A CBIC avalia que a projeção de demanda potencial permanece elevada, sustentada pelo nível recorde de intenção de compra e pelo papel do Minha Casa Minha Vida.

Para 2026, o setor trabalha com um cenário considerado mais favorável, com expectativa de queda adicional da taxa Selic e melhora das condições de crédito imobiliário. A meta do governo de contratar 3 milhões de unidades pelo MCMV até o fim do ano, aliada à garantia de orçamento do FGTS, é vista como um importante vetor de sustentação da demanda.

Além disso, a expansão do funding via SBPE e mercado de capitais, com crescimento projetado de 16% pela Abecip, deve contribuir para um aquecimento gradual do mercado ao longo do ano.

Nesse contexto, a avaliação dos representantes do setor é de que o mercado imobiliário em 2026 pode ter um desempenho superior ao de 2025, que já foi marcado por recordes em lançamentos e vendas, resiliência da demanda e consolidação do Minha Casa Minha Vida como pilar central da atividade.

📌 Fonte original: https://www.infomoney.com.br/business/mercado-imobiliario-fe…

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