Morte de ultradireitista na França levanta questão que pede respostas urgentes
Morte de ultradireitista na França levanta questão que pede respostas urgentes
📰 Fonte: Geral – rss.uol.com.br
Jornalista, atuou nas revistas Veja e Época, foi editora-executiva de O Estado de S. Paulo e é sócia-fundadora da Palavra Escrita Editorial
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Há duas semanas um tema agita o mundo político francês. Falo do linchamento de Quentin Deranque, estudante de 23 anos e militante ultranacionalista, diante do Instituto de Ciências Políticas de Lyon.
Ele defendia um coletivo feminino de ultradireita que protestava contra a presença na escola de uma deputada da esquerda radical. Foi morto por jovens antifascistas. Com benevolência máxima, pode-se comparar a ocorrência a uma briga de colégio que terminou mal.
Mas o caso é grave. Reflete o entrechoque dos extremos na França, às vésperas das eleições municipais, que serão um ensaio das presidenciais, em 2027.
O partido de Marine Le Pen, de ultradireita, culpabiliza o partido de Jean-Luc Mélenchon, da ultraesquerda. Emmanuel Macron prega que a França não precisa nem de um nem de outro. Socialistas cobram de Mélenchon responsabilidade moral pela tragédia. Este acusa opositores de instrumentalizar o morto. E assim trombam os políticos.
Importante ver o imbróglio tendo como pano de fundo um processo de brutalização social. Pesquisa dirigida por Isabelle Sommier, professora de sociologia política na Sorbonne-Panthéon, ilumina o vasto território conflitivo.
Nos últimos 40 anos, houve mais de 5.000 atos de violência política no país: 4.829 sem mortos, 418 com mortos. Destes, 285 foram crimes cometidos por pessoas ligadas ao islamismo radical, 80 por separatistas e 53 por divergentes ideológicos —5 esquerdistas, 48 direitistas.
Números não explicam tudo, mas localizam a violência. Ela vem majoritariamente da ultradireita. Só que, no confronto em Lyon, a irracionalidade irrompeu dos dois lados, levando ao triste desfecho. Autoridades insistem na dissolução desses grupos, o que é medida de efeito questionável, pois eles podem viver na clandestinidade.
As barricadas de maio de 1968, de flama contestatória, renderam farta literatura. No entanto, a violência verificada a partir de 1986 na França, com o assassinato do presidente da Renault, Georges Besse, por um grupo anarquista contrário à reestruturação da empresa, é um campo de análise em aberto, acumulando episódios: ataque ao jornal Charlie Hebdo, à casa de shows Bataclan, à cidade de Nice, para citar alguns.
Em seu livro “Violências Políticas na França”, Sommier lida com esse grande trauma nacional, insistindo que é preciso categorizar cada ato, ver o que separa ou une motivações sociais, políticas e religiosas, o emprego do vandalismo e, sobretudo, o ímpeto de aniquilação do outro. Dizer que tudo é “terrorismo”, como faz Donald Trump e, em alguns momentos, o próprio Macron, é saída que não leva a soluções.
Emissões na TV francesa, sobre a morte de Deranque, mostram o ponto de convergência dos analistas: o efeito das redes sociais na violência. Cerca de 600 indivíduos ligados ao jihadismo encontram-se presos no país. Destes, 75% declaram ter se radicalizado pela internet. A troca de conteúdos exaltados forja o discurso do ódio, que dispara o gatilho dos ataques.
Este não é um problema francês. É um desafio no mundo. Como atrair os jovens para um convívio social onde alteridade, respeito e tolerância façam todo sentido? A partir desta aparente obviedade, buscam-se respostas urgentes.
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📌 Fonte original: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/laura-greenhalgh/2026/…
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