Mostra de Sarah Maldoror destaca seu peso político e poético no cinema negro
Mostra de Sarah Maldoror destaca seu peso político e poético no cinema negro
📰 Fonte: Geral – rss.uol.com.br
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Considerada uma das precursoras do cinema africano, Sarah Maldoror, morta há seis anos, acaba de ganhar uma retrospectiva de seus filmes em São Paulo, no Centro Cultural Banco do Brasil.
Nascida na França e guadalupense por parte do pai, Maldoror foi imagem central do cinema anticolonial, conhecida por representar, em cena, a luta pela libertação dos povos africanos. A retrospectiva, batizada de “O Cinema Anticolonial de Sarah Maldoror”, serve como porta de entrada para o universo criativo da cineasta, tanto para iniciados, quanto para curiosos.
Idealizada por Lucía Montero, que há mais de dez anos acompanha a filmografia de Maldoror, a retrospectiva foi concebida em colaboração com as filhas da cineasta, Henda Ducados e Annouchka de Andrade, responsáveis hoje pela preservação e difusão do acervo e legado de Maldoror.
A mostra apresenta curtas, longas e telefilmes —são 34 títulos, sendo 19 dirigidos por Maldoror. Algumas sessões serão comentadas por convidados como Rita Chaves, professora e escritora, referência em literatura africana, e Safira Moreira, fotógrafa, roteirista e diretora.
Entre os títulos selecionados, destaque para “Sambizanga”. O filme narra a prisão de Domingos, integrante de um movimento de libertação em Angola, espancado até a morte por se recusar a trair seus companheiros. Enquanto isso, sua mulher percorre diferentes prisões em busca de informações sobre seu paradeiro.
Ducados afirma em entrevista que, na vida e na obra de Maldoror, “tudo se atravessava, tudo era político, tudo era poesia”. “No cotidiano, havia discussões políticas, comentários, amigos perseguidos pela polícia. Seus filmes falam de política e a vida também era assim”, diz ainda sobre a mãe. Para ela, Maldoror nunca abriu mão de mostrar a pobreza com dignidade e sensibilidade.
“Ela se recusava a mostrar imagens estereotipadas da África, como crianças famintas com moscas no rosto. Escolhia sempre planos poéticos.”
A retrospectiva traz diversas outras produções em que a cineasta trabalhou como assistente ou que contêm imagens filmadas por ela, demonstrando como o cinema de Maldoror vai além dos filmes que ela própria dirigiu.
Maldoror trabalhou, por exemplo, como assistente de Chris Marker no filme “Sem Sol”, de 1983. A amizade entre os dois, aliás, é tema de debate na programação do CCBB.
Andrade também fala em entrevista sobre a relação de amizade e respeito mútuo que a cineasta tinha com o poeta Aimé Césaire. “Césaire gostava muito dos filmes dela. Há cartas dele elogiando o trabalho de Maldoror. Por parte dela, havia uma grande admiração pela poesia de Césaire”. A retrospectiva inclui os documentários “Aimé Césaire, a Máscara das Palavras” e “Aimé Césaire, Um Homem, Uma Terra”.
Maldoror também tinha interesse particular pelo Brasil, país que via como diverso e multicultural, capaz de dialogar naturalmente com seu próprio pensamento e seu cinema. “Ela queria muito ter vindo ao Brasil, mas nunca teve oportunidade. Faz sentido que o trabalho dela circule aqui”, afirma Ducados, que lembra ainda da amizade da mãe com Abdias do Nascimento, figura central do teatro negro brasileiro.
Ao falar do cinema de Maldoror, Ducados lembra do lugar especial que o primeiro curta da cineasta ocupava em sua trajetória. “Monangambééé”, de apenas 17 minutos, retrata os abusos de traficantes de escravos portugueses em Angola e foi concebido, de acordo com ela, com mais atenção à estética, à preparação e à linguagem, “porque foi a sua primeira vez”.
As filhas criaram uma associação em 2020 para preservar, proteger e divulgar o trabalho de Maldoror. A organização apoia pesquisadores e historiadores, com exposições itinerantes e pesquisas acadêmicas sobre sua obra.
Sobre a mostra atual, elas esperam que ela ajude os filmes de Maldoror a viajar pelo Brasil. “É como um convite à descoberta. Mais que uma homenagem, é uma porta de entrada para o universo criativo dela”, diz Andrade.
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