Mulheres sem véu e de minissaia: como era o Irã antes da Revolução Islâmica e por que a ideia de uma ‘monarquia liberal’ é contestada

Mulheres sem véu e de minissaia: como era o Irã antes da Revolução Islâmica e por que a ideia de uma ‘monarquia liberal’ é contestada

📅 03/03/2026 07:26
📰 Fonte: Geral – g1.globo.com

Quase cinquenta anos após a Revolução Islâmica, o príncipe da antiga monarquia afirmou que está disposto a liderar uma transição no Irã, algo visto como improvável por especialistas. O debate reacende comparações entre o regime do xá e a atual república islâmica.

O governo monarquista passou a ser lembrado por alguns como mais liberal principalmente pela abertura ao Ocidente e pelos costumes mais flexíveis nas grandes cidades, onde mulheres podiam circular sem véu e usar roupas como minissaia (veja no vídeo acima) — um contraste com a rígida polícia de costumes do regime atual, que mata mulheres que não seguem a vestimenta adequada.

Essa imagem, porém, convivia com outra realidade: a de uma monarquia absolutista violenta com maioria da população pobre.

“Esse mesmo governo do xá, que tem essa imagem liberal, essa imagem de ter sido um governo tolerante, é governo que tinha a polícia política, que tinha prisões, que tinha torturas, que tinha centros de tortura em que pessoas desapareciam”, contou o historiador Filipe Figueiredo ao Fantástico.

“Esse mesmo governo do xá, que tem essa imagem liberal, essa imagem de ter sido um governo tolerante, é governo que tinha a polícia política, que tinha prisões, que tinha torturas, que tinha centros de tortura em que pessoas desapareciam”, contou o historiador Filipe Figueiredo ao Fantástico.

Irã antes da Revolução de 1979: um país aberto ao ocidente, mas sob uma monarquia absolutista violenta — Foto: Reprodução / Fantástico

A dinastia Pahlavi tomou o poder num golpe militar há 100 anos. O primeiro monarca, avô do candidato ao trono, ficou no comando até a Segunda Guerra Mundial.

Numa posição geográfica estratégica — entre a União Soviética e o Império Britânico —, o Irã foi ocupado por ambos, então aliados.

Os britânicos tinham um interesse adicional: o acesso ao petróleo iraniano, ameaçado em 1951.

“Os iranianos elegem um líder social-democrático que vai buscar a nacionalização do petróleo como meio de garantir o desenvolvimento do país, como meio de garantir divisas para o desenvolvimento e industrialização do Irã”, diz o historiador.

Dois anos depois, apoiado pelos ingleses, o xá dá um golpe e depõe o primeiro-ministro.

“Como consequência desse golpe, nós vamos ter uma concentração de poderes na mão da monarquia, na mão do xá”.

“Como consequência desse golpe, nós vamos ter uma concentração de poderes na mão da monarquia, na mão do xá”.

A crise atual do regime fez ressurgir a figura de Reza Pahlavi, filho de Mohamed Reza Pahlevi, o último xá do Irã e último líder antes da Revolução de 1979, que depôs o monarca.

Quem pode liderar o Irã agora? Herdeiro da antiga monarquia quer comandar transição de poder no país — Foto: Fantástico

O principal apoio vem de fora, dos iranianos que foram exilados com a família real.

“Essa comunidade da diáspora é uma grande apoiadora da família da dinastia Pahlavi. Já dentro do Irã, a situação é mais multifacetada. O apoio a ele já não é tão grande assim“, explica Figueiredo.

O analista Paulo Hilu diz que a monarquia teria apoio de alguns setores, como os comerciantes, e se favorece da falta de memória. A maior parte da população nasceu e cresceu depois da revolução que depôs o xá em 1979.

“Na verdade, o príncipe não é nenhuma alternativa, ele representa justamente esse descrédito geral das figuras políticas dentro do Irã. Tendo dito isso, ele voltar sobre bombas americanas israelenses e tanques americanos israelenses, obviamente, não vai garantir com ele nenhuma legitimidade”, comenta o coordenador do núcleo de estudos do Oriente Médio na Universidade Federal Fluminense (UFF).

“Na verdade, o príncipe não é nenhuma alternativa, ele representa justamente esse descrédito geral das figuras políticas dentro do Irã. Tendo dito isso, ele voltar sobre bombas americanas israelenses e tanques americanos israelenses, obviamente, não vai garantir com ele nenhuma legitimidade”, comenta o coordenador do núcleo de estudos do Oriente Médio na Universidade Federal Fluminense (UFF).

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📌 Fonte original: https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2026/03/03/mulheres-…

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