Novos ataques de Israel e relação EUA-Reino Unido abalada: o que aconteceu até agora no quarto dia de conflito
Novos ataques de Israel e relação EUA-Reino Unido abalada: o que aconteceu até agora no quarto dia de conflito
📰 Fonte: Geral – feeds.bbci.co.uk
Novos ataques de Israel e relação EUA-Reino Unido abalada: o que aconteceu até agora no quarto dia de conflito
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- Author, Daniel Gallas*
- Role, Da BBC News em Londres
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Tempo de leitura: 8 min
Uma guerra entre Israel e EUA contra o Irã está se espalhando pelo Oriente Médio após o assassinato do Líder Supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, por ataques de Israel e dos EUA contra a liderança e as forças armadas do país, iniciado no sábado (28/2).
Nesta terça-feira (3/3), o conflito entrou no seu quarto dia, com desdobramentos em diversos países da região.
O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, foi morto no sábado depois que Israel e os EUA lançaram um ataque de grande escala e contínuo contra a liderança e as forças armadas do Irã.
Pouco antes das 8h desta terça-feira no horário local (3h no horário de Brasília), as forças armadas israelenses lançaram novos ataques nos subúrbios do sul de Beirute, bem como na capital do Irã, Teerã.
A nova onda de “amplos ataques aéreos” é contra o que Israel chama de “alvos militares” em Teerã e Beirute. No Líbano, o alvo principal é o grupo Hezbollah, que é apoiado pelo Irã.
No Reino Unido, uma entrevista do presidente americano, Donald Trump, ao jornal The Sun expôs divisões na relação entre os EUA e seu aliado britânico.
Trump criticou o premiê britânico, Keir Starmer, por não estar sendo “nada prestativo”.
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“Nunca pensei que veria isso vindo do Reino Unido”, disse Trump ao jornal. “É muito triste ver que o relacionamento obviamente não é mais o que era.”
Na segunda-feira, Starmer disse o Reino Unido “não acredita em mudança de regime por meio de ataques aéreos”.
Inicialmente, o Reino Unido não permitiu que os EUA usassem bases britânicas para atacar o Irã, mas depois abriu suas bases para ataques “defensivos” contra alvos iranianos.
O secretário do gabinete de Starmer, Darren Jones, disse nesta terça-feira à BBC que a relação EUA-Reino Unido “continua importante”.
“Entendo que o presidente [Trump] não ficou satisfeito com o fato de não termos participado da primeira onda de ataques”, disse ele.
No entanto, Jones afirma que o Reino Unido “só enviará forças armadas britânicas quando houver uma base legal para tal, um plano de ação claro e quando for do interesse do nosso país”.
Na segunda-feira, o Ministério da Defesa da Arábia Saudita confirmou que a embaixada dos EUA em Riad foi atacada por dois drones.
Em um comunicado publicado no X, a embaixada afirmou que isso resultou “em um incêndio limitado e danos materiais leves ao prédio”.
A Missão dos EUA na Arábia Saudita emitiu um aviso de abrigo no local para Jidá, Riad e Dhahran, e informou que limitará viagens não essenciais a qualquer instalação militar na região.
O Irã disse que Estreito de Ormuz foi fechado e que vai incendiar navios que tentarem passar.
O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais importantes e estratégicas do mundo.
Cerca de um quinto do consumo mundial de petróleo passa pela via, que conecta os produtores de petróleo do Oriente Médio com os principais mercados da região da Ásia-Pacifico, Europa e América do Norte.
Esta é a primeira vez que o Irã anuncia o fechamento completo do estreito e ameaça com ataques militares ao tráfego marítimo.
A instabilidade no Oriente Médio começou a impactar a economia global, principalmente devido aos ataques à crucial indústria energética do Golfo.
A empresa estatal de energia do Catar informou ter interrompido a produção de gás natural liquefeito (GNL) devido aos ataques iranianos, causando um aumento de 50% nos preços do gás nesta segunda.
Houve um aumento de 10% no preço global do petróleo, o que gerou temores de alta nos preços da gasolina e seus amplos impactos na economia internacional.
O dólar, que vinha em uma trajetória de queda nas últimas semanas, subiu, chegando a R$ 5,21 nesta segunda, mas fechou o dia cotado a R$ 5,16, alta de 0,62%.
Trump afirmou que o objetivo da operação é “garantir que o Irã não obtenha uma arma nuclear”.
“Vamos destruir seus mísseis e arrasar sua indústria de mísseis. Ela será totalmente destruída novamente”, disse Trump em um vídeo de oito minutos publicado no Truth Social na manhã de sábado (28/2).
O presidente americano também alertou as forças armadas iranianas para que deponham suas armas em troca de “imunidade completa” ou “enfrentem morte certa”.
Em seguida, ele incitou o povo iraniano a se preparar para derrubar o regime: “Quando terminarmos, tomem o poder. Será de vocês. Esta será provavelmente a única chance de vocês por gerações.”
A enorme operação militar — que os EUA apelidaram de Operação Fúria Épica — ocorre após semanas de ameaças de Trump de que ordenaria uma ação militar se o Irã não concordasse com um novo acordo sobre seu programa nuclear.
O Irã afirmou repetidamente que suas atividades nucleares são inteiramente pacíficas.
O Comando Central das Forças Armadas dos EUA disse que tinha como objetivo “desmantelar o aparato de segurança do regime iraniano, priorizando locais que representassem uma ameaça iminente”. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que Israel e os EUA lançaram a “operação para eliminar a ameaça existencial representada pelo regime terrorista no Irã”.
O Irã lançou mísseis balísticos e drones contra Israel, diversos países do Oriente Médio com ligações com os EUA, uma base militar britânica no Chipre e navios na costa iraniana.
A Guarda Revolucionária Islâmica afirmou ter atacado instalações governamentais e militares israelenses em Tel Aviv e em outros locais, enquanto nove pessoas morreram quando uma área residencial em Beit Shemesh foi atingida.
O Ministério da Defesa do Reino Unido confirmou que um drone atingiu a base britânica de Akrotiri, no Chipre. Ninguém ficou ferido ou morto no ataque, mas o Ministério da Defesa informou que algumas pessoas estavam sendo retiradas da base da Força Aérea Real (RAF, na sigla em inglês).
Catar, Bahrein, Jordânia, Emirados Árabes Unidos e Kuwait – todos com bases militares americanas – foram alvos de ataques, assim como Omã e Arábia Saudita.
Mais ataques foram ouvidos em todo o Golfo na segunda-feira, incluindo nas cidades de Dubai, Doha e Manama. Os militares iranianos disseram ter usado 15 mísseis de cruzeiro em ataques contra uma base aérea americana no Kuwait e embarcações no Oceano Índico.
Alvos civis, incluindo hotéis em Dubai, foram atingidos, assim como instalações militares.
Os Estados Unidos e seus aliados árabes emitiram uma declaração conjunta condenando os ataques do Irã contra os países do Golfo, afirmando que “atacar civis e países que não estão envolvidos em hostilidades é um comportamento imprudente e desestabilizador”.
Na segunda-feira, três jatos americanos foram abatidos sobre o Kuwait, em um incidente que, segundo os militares dos EUA, parece ter sido fogo amigo. Os pilotos sobreviveram.
Durante o fim de semana, os militares dos EUA confirmaram a morte de três soldados e o ferimento de outros cinco. A CBS News, parceira da BBC nos EUA, informou que as mortes ocorreram durante operações lançadas do Kuwait.
Os militares dos EUA confirmaram uma quarta morte na segunda-feira, sem fornecer mais detalhes.
Uma nova frente no conflito se abriu na segunda-feira, quando o Hezbollah atacou Israel, levando as Forças de Defesa de Israel (IDF) a atacar alvos na capital Beirute e no sul do Líbano.
O grupo armado é aliado ao governo iraniano e afirmou que buscava vingar o assassinato de Khamenei.
Autoridades libanesas afirmam que dezenas de pessoas foram mortas ou feridas nos ataques até o momento, enquanto Israel pediu que os moradores de 50 aldeias evacuassem o país em antecipação a novas operações que podem durar “vários dias”.
A escolha formal de um novo Líder Supremo não ocorre por votação direta, mas sim por um órgão composto por 88 clérigos de alto escalão, conhecido como Assembleia de Peritos.
De acordo com a Constituição iraniana, esses clérigos devem escolher o novo Líder Supremo o mais rápido possível, mas isso pode se mostrar difícil por razões de segurança enquanto o país estiver sob ataque.
Milhares de voos foram cancelados na região, em uma das interrupções mais profundas nas viagens internacionais desde a pandemia de covid-19.
A Wizz Air suspendeu os voos até 7 de março em Israel, Dubai e Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, Amã, na Jordânia, e na Arábia Saudita até terça-feira.
A British Airways cancelou os voos para Tel Aviv e Bahrein até quarta-feira.
Em um comunicado, a Swiss International Air Lines afirmou: “A Swiss e as companhias aéreas do Grupo Lufthansa suspenderão os voos para Tel Aviv, Beirute [no Líbano], Amã, Erbil [no Iraque] e Teerã até 7 de março.”
A autoridade de aviação do Kuwait informou que suspendeu todos os voos para o Irã até novo aviso, segundo a mídia estatal.
A Emirates suspendeu temporariamente suas operações que tinham Dubai como origem e destino. Lufthansa, Air India, Virgin Atlantic e Turkish Airlines também anunciaram cancelamentos.
Alguns países da região, incluindo Iraque e Jordânia, também fecharam seu espaço aéreo. Os Emirados Árabes Unidos disseram que fecharam “parcial e temporariamente” seu espaço aéreo como medida de precaução, informou a mídia estatal.
O Itamaraty publicou um comunicado em que não recomenda a viagem para o Irã, Israel, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Jordânia, Iraque, Líbano, Palestina e Síria.
📌 Fonte original: https://www.bbc.com/portuguese/articles/ce3gk1kd33zo?at_medi…
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