O Brasil precisa se preparar para a revolução da inteligência artificial
O Brasil precisa se preparar para a revolução da inteligência artificial
📰 Fonte: Geral – rss.uol.com.br
Presidente do Instituto Igarapé e fundadora da Green Bridge Facility, é mestre em estudos internacionais pela Universidade de Uppsala (Suécia)
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Lideranças brasileiras falam da inteligência artificial (IA) como uma oportunidade histórica. Eles não estão errados, mas a visão está incompleta. Por um lado, a IA vai ampliar o acesso a diagnósticos médicos em áreas remotas, apoiar professores em escolas públicas com poucos recursos e aumentar a produtividade de pequenos agricultores. Por outro, ela pode substituir trabalhadores de call center em Recife, motoristas em Manaus e profissionais de serviços em São Paulo, num ritmo mais rápido do que a criação de políticas de requalificação.
A Estratégia Brasileira de Inteligência Artificial é bem-intencionada. Seu desafio central não é reconhecer o potencial da inovação, mas responder à sua velocidade. A IA não está chegando no ritmo do ciclo de planejamento do governo. Ela está chegando no ritmo do Vale do Silício e de Shenzhen —e é na diferença entre esses dois relógios que a desigualdade se forma.
O Brasil parte de uma base relevante. Temos uma população jovem e conectada, um ecossistema tecnológico dinâmico e histórico de adoção de soluções em larga escala, como o voto eletrônico e o Pix. Esses exemplos mostram capacidade de execução e coordenação. Ao mesmo tempo, revelam uma lição importante: infraestrutura tecnológica precisa caminhar ao lado de instituições fortes, regulação eficaz e inclusão social.
Estudos internacionais estimam que parcela significativa das tarefas atuais poderá ser automatizada até o início da próxima década. No Brasil, isso tende a afetar de forma desproporcional mulheres, trabalhadores negros e populações do Norte e Nordeste concentradas em ocupações mais vulneráveis à automação. Sem políticas deliberadas, a IA pode reproduzir padrões históricos de exclusão.
Há ainda riscos sistêmicos. Sistemas de energia, água e finanças incorporam algoritmos em ritmo acelerado, enquanto a capacidade regulatória enfrenta limitações conhecidas. A aprovação da Lei de IA foi um passo relevante. Mas lei, por si só, não garante implementação. É preciso investir em capacidade técnica, coordenação institucional e transparência. A Agência Nacional de Proteção de Dados precisa ser fortalecida.
No plano internacional, o Brasil pode e deve exercer papel mais ativo nos fóruns que discutem governança tecnológica. Nosso peso demográfico e tradição diplomática credenciam o país a contribuir para regras que conciliem inovação, direitos e desenvolvimento.
A lacuna que enfrentamos é menos tecnológica e mais política. Setores que se beneficiam de uma expansão rápida da IA são organizados e influentes. Já os grupos potencialmente mais impactados têm menor capacidade de voz. Reduzir esse desequilíbrio exige diálogo social estruturado, participação e visão de longo prazo.
Se a IA é uma das transformações mais aceleradas da história econômica recente, o Brasil precisará investir de forma consistente em alfabetização digital e capacitação ampla —de professores a profissionais de saúde, de gestores públicos a trabalhadores da economia informal. Não se trata apenas de formar especialistas, mas de preparar a sociedade como um todo.
O futuro da IA no Brasil não está dado. Ele será definido por escolhas feitas agora — em políticas públicas, prioridades orçamentárias e mecanismos de governança. O país já demonstrou capacidade de inovação e coordenação quando houve clareza de propósito. O que falta é urgência.
A pergunta não é se o Brasil será transformado pela inteligência artificial. Será. A questão é se essa transformação será uma que os brasileiros escolheram e moldaram —ou uma que simplesmente lhes aconteceu. Essa é uma decisão política que demanda agilidade, liderança e compromisso com o interesse público.
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