O esporte foi o lugar em que não me senti errado ou estranho, diz Lucas Pinheiro
O esporte foi o lugar em que não me senti errado ou estranho, diz Lucas Pinheiro
📰 Fonte: Geral – rss.uol.com.br
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.
-
-
Salvar artigos
Recurso exclusivo para assinantes
assine
ou
faça login
-
assine
ou
faça login
Quando o esquiador Lucas Pinheiro Braathen, 25, soube que parte dos brasileiros tinha, em pleno Carnaval, parado o que estava fazendo para vê-lo conquistar a primeira medalha para o Brasil em uma edição dos Jogos Olímpicos de Inverno, se deu conta da importância do seu feito para o país. “Nesse momento percebi: acho que fiz uma coisa bem significativa mesmo”.
Nascido e criado na Noruega e filho de mãe brasileira, Lucas desbancou favoritos e levou o ouro na prova do slalom gigante no esqui alpino nas Olimpíadas de Milão-Cortina, no sábado da folia momesca.
Mas esquiar não foi algo que o arrebatou logo de cara. Em conversa com a coluna na quinta (26), realizada por videoconferência, Lucas contou que, na primeira infância, preferia jogar bola com os primos e vizinhos quando estava de férias no Brasil. Praticar futebol, diz o atleta, lhe proporcionava uma alegria e um “amor puro” que até então não tinha encontrado na modalidade que o levaria a ser campeão olímpico.
“Achava o esqui horrível. As botas faziam o meu pé doer, precisava usar todas aquelas roupas e era muito frio”, relembra. O pai norueguês, seu grande incentivador no esporte, até tinha desistido de insistir com o filho para que seguisse tentando.
Foi por volta dos 9 anos que a paixão pela modalidade surgiu. Lucas afirma ter tido uma sensação de pertencimento nas estações de esqui. “Eu era uma criança que estava vivendo entre duas culturas. E duas culturas completamente diferentes: frio e calor”, compara. “A única coisa que uma criança quer é se sentir em casa, seja num grupo de amigos, na cidade, na escola. Eu nunca tinha achado isso”, relata ele, lembrando que se sentia sempre um pouco deslocado.
Tudo mudou, afirma, ao encontrar o esporte. “A montanha foi o único lugar em que eu me senti em casa, que não me senti errado, que não me senti estranho. Jogando futebol ou esquiando, eu não estava definido por coisas externas, como as minhas roupas ou o meu sotaque. Eu era definido pelos meus sonhos, meu propósito, meu objetivo.”
Uma de suas principais influências no esporte, aliás, vem dos gramados: o brasileiro Ronaldinho Gaúcho. Lucas conta ter se encantado por uma campanha publicitária da Nike chamada Joga Bonito, que mostrava as habilidades em campo do jogador brasileiro.
“Esse vídeo mudou a minha vida”, diz Lucas. O esquiador afirma que ver Ronaldinho Gaúcho sendo celebrado por aquilo que ele tinha de diferente, como o seu estilo de jogar, foi fundamental para ele se aceitar. “Ele foi a pessoa que me deu coragem para que pudesse confiar em quem eu sou. E é o que estou tentando fazer para a próxima geração”, salienta.
Após ganhar o ouro nos Jogos de Inverno, Lucas conta que Ronaldinho mandou um vídeo a ele comemorando e enaltecendo a medalha de ouro. “Não conseguia acreditar que era verdade”, revela.
Apesar do forte sotaque, Lucas revela que a sua primeira conexão com o Brasil foi a língua portuguesa. “Foi o meu primeiro idioma e sempre falamos português em casa”, relata.
Ele afirma ser “um produto da cultura” dos dois países. Da Noruega, diz ter adquirido a disciplina e a estrutura para conquistar os seus desejos. “É uma mentalidade do meu pai. Ele foi a primeira pessoa a dizer: vamos organizar uma estrutura para que você possa realizar o seu sonho.”
Já do lado brasileiro da mãe, diz ter herdado a paixão, o amor, a curiosidade e a consciência de que não há vergonha em cair quando se está tentando. “Foi essa mistura que me levou ao ouro”.
Até 2023, Lucas competia pela Noruega. No ano seguinte, porém, ele surpreendeu ao anunciar sua aposentadoria precoce por desentendimentos com a federação norueguesa sobre a condução de sua carreira.
O esquiador diz que tomou a decisão porque não conseguia se expressar. “Eu estava dentro de uma caixa, sem poder mostrar quem eu era, a minha personalidade. Tive que tomar uma decisão: continuar esquiando, mas largando o meu propósito e seguindo o deles. Ou sair do esporte, mesmo que fosse o maior amor da minha vida.”
No tempo em que ficou longe das estações de esqui, Lucas explorou outras curiosidades, como participar de semanas de moda e atuar como diretor criativo de marcas. “Mas, durante esse tempo, estava cada dia mais difícil não esquiar. Percebi que o esqui alpino era a minha plataforma”, relata.
Foi quando veio o convite da CBDN (Confederação Brasileira de Desportos na Neve) para que ele representasse o Brasil nas competições oficiais. “Chegou o caminho que estava escrito para mim”, afirma.
Questionado sobre o que responderia às pessoas que afirmam que ele é ‘menos brasileiro’, Lucas diz que a sua conquista nos Jogos de Inverno representa justamente o poder e a força da diversidade do país. “Aqui no Brasil foi onde as minhas diferenças foram abraçadas. Se essa medalha de ouro representa alguma coisa é a nossa diversidade e como isso é o nosso superpoder.”
Por outro lado, ele faz questão de salientar que não se incomoda com as críticas. “Não tenho expectativas de que todo mundo concorde com o meu jeito ou com o meu caminho. Se todo mundo gostar de quem eu sou, não seria autêntico. A minha história propõe essa conversa sobre diversidade, que é muito saudável.”
Há cerca de um ano, Lucas namora a atriz brasileira Isadora Cruz, protagonista da novela da Globo “Coração Acelerado“. Ele conta que os dois se conheceram em Nova York e que sua avó brasileira, Márcia, “quase desmaiou” quando soube do romance do neto com a artista.
“Cresci sabendo que depois que a novela começava, não poderia falar com a minha avó de jeito nenhum. Acho que um dos maiores orgulhos da vida dela foi quando liguei junto com a Isadora dizendo que nós estávamos saindo. Minha avó ficou muito feliz”, relata aos risos.
Lucas diz que não é fácil manter o relacionamento à distância. Mas afirma que ambos têm uma forte conexão com o trabalho e se respeitam muito por isso. “Mesmo fazendo coisas muito diferentes, nós temos esse entendimento de que o trabalho é a nossa prioridade. E conseguimos esse equilíbrio na relação.”
LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.
-
-
Salvar artigos
Recurso exclusivo para assinantes
assine
ou
faça login
-
assine
ou
faça login
Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha?
Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas (conheça aqui).
Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia.
A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!
Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?
- https://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2026/02/o-esporte-foi-o-lugar-em-que-nao-me-senti-errado-ou-estranho-diz-lucas-pinheiro.shtml
📌 Fonte original: https://redir.folha.com.br/redir/online/colunas/monicabergam…
🤖 Itaquera News v8.1 – Publicação automática

