PMs de SP vão a gabinetes pedir dinheiro a deputados; governo promete ‘investigação rigorosa’
PMs de SP vão a gabinetes pedir dinheiro a deputados; governo promete ‘investigação rigorosa’
📰 Fonte: Economia – jovempan.com.br
PMs de SP vão a gabinetes pedir dinheiro a deputados; governo promete ‘investigação rigorosa’
Internamente, o Palácio dos Bandeirantes encara os pedidos como indisciplina; PMs reclamam de revezamento de coletes e falta de coturnos
Internamente, o Palácio dos Bandeirantes encara os pedidos como indisciplina; PMs reclamam de revezamento de coletes e falta de coturnos
Comandantes da Polícia Militar do Estado de São Paulo têm batido à porta dos gabinetes de deputados estaduais pedindo verba para a compra de itens essencias de trabalho. Parlamentares de direita e da esquerda confirmaram à coluna que têm sido procurados.
Internamente, o Palácio dos Bandeirantes encara os pedidos como indisciplina. Segundo fontes ligadas a Tarcisio de Freitas (Republicanos), as solicitações de recursos não chegaram ao gabinete do governador e nem à Secretaria de Segurança Publica (SSP). Além disso, sinalizam que esse tipo de ação caracterizaria quebra de hierarquia, e uma reunião de alinhamento com os comandos policiais deve ser agendada.
Um dos deputados que tem recebido pedidos é o Major Mecca (PL). Segundo ele, os policiais levaram ofícios à Casa Legislativa solicitando a liberação de verbas. “Tive exemplo de comandante falar para mim que há dois anos não chega farda no quartel. Fardamento, bota, colete”, conta. O deputado Capitão Telhada (PP) também foi alvo dessas conversas. Ele ressalta que entregas têm sido feitas pela gestão e afirma que o reajuste salarial e investimento em tecnologia foram priorizados, mas reconhece que há busca por recursos. “Nós temos sido procurados para complementarmos com indicação de emendas. Aquisição de viaturas, de equipamentos individuais, de armamentos”, diz.
Sob condição de reserva, policiais e membros de forças de segurança do estado relataram, principalmente, falta de coletes à prova de balas e coturnos. Eles mencionam revezamento de coletes usados e uso de verba retirada do próprio salário para compra de botas. Outro afirmou que esta é a primeira vez em que os comandos autorizam policiais a pedirem verba diretamente a parlamentares. Nas redes sociais, circula um vídeo, também entre policiais civis, ironizando o revezamento de coletes e apresentando um antitranspirante como solução para o caso.
De acordo com dados do Portal da Transparência de São Paulo, atualmente há R$ 1,3 milhão em emendas em processamento destinadas à Polícia Militar. Entre elas, uma emenda de R$ 100 mil para aquisição de capas de colete tático, apresentada por Capitão Telhada, com expectativa de liberação até maio.
O levantamento aponta que, desde 2024, os partidos que mais destinaram recursos à PM foram PL, PT, PSDB e Republicanos, respectivamente. No ano passado, foram 31 emendas pagas exclusivamente para a corporação, totalizando cerca de R$ 5 milhões — valor inferior ao de 2024, quando foram R$ 5,8 milhões distribuídos em 52 emendas.
O deputado estadual Paulo Fiorilo (PT) afirma que “policiais militares e bombeiros, invariavelmente visitam a Alesp no final do ano pedindo emendas parlamentares”. Segundo ele, problemas como falta de estrutura em batalhões e alojamentos são apontados. “É um governo que não olha para os policiais como disse que olharia, por isso a gente tem contribuído com emendas na medida do possível”.
De maneira geral, o volume de emendas para Segurança Pública em São Paulo também caiu de 2024 para 2025: R$ 8,9 milhões destinados em 2024 contra R$ 5,8 milhões no ano seguinte.
Auxiliares de Tarcísio apontam que o movimento não pode acontecer. Na prática, há pessoas responsáveis pelas solicitações de dinheiro ao governo do Estado – o que caracterizaria indisciplina e quebra de hierarquia. Uma fonte do alto escalão do Palácio dos Bandeirantes destaca que o governo não pode admitir interferência política na gestão. Os interlocutores também rebatem as informações e enxergam pressão política, em ano eleitoral, para novos aumentos salariais.
Um membro do governo de Tarcisio relembra que, de 2022 para cá, a categoria teve valorização superior a 40%: cerca de 20% no último ano da gestão Rodrigo Garcia (PSD) e mais 20% no primeiro ano do atual governador. Destaca, ainda, a aquisição de 126 mil novos fardamentos, que estão sendo entregues em etapas até maio deste ano, e diz que, atualmente, existem 4 mil coletes em estoque, como reserva.
Em nota, a SSP disse que “os coletes balísticos integram o Equipamento de Proteção Individual (EPI) da Polícia Militar, e a quantidade disponível é suficiente para atender todo o efetivo em atividade operacional no Estado”, atualmente em quase 81 mil PMs. Destaca, ainda, que 38 mil coletes foram comprados para a PM desde 2023 — 17 mil apenas no ano passado, com investimento de R$ 75,4 milhões.
Ainda em nota, a secretaria alegou que “não há policiais militares no Estado de São Paulo sem equipamento de proteção individual” e afirmou que “a Instituição mantém rigoroso controle sobre seus equipamentos, realizando a substituição necessária dentro do prazo regulamentar”.
Nesse sentido, o deputado Tenente Coimbra (PL) negou falta de suprimentos, mas confirmou aumento nos pedidos de emendas parlamentares. “Tem muitos deputados que vêm da segurança. E essa é uma fonte de recurso extra, os batalhões correm atrás por conta disso”, afirmou. Ele destacou, no entanto, que a compra de fardamento e coletes ficou atrasada por problemas na licitação. Em outubro, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo liberou a compra de coletes balísticos para a PM após suspeita de restrição de concorrência. Um edital estadual estava parado desde abril. Com a decisão, 15 mil coletes devem ser adquiridos, atualmente na fase de testes de amostras pelas empresas classificadas. As licitações para suprimentos devem ser conduzidas pela própria PM, com base na dotação prevista no orçamento anual do Estado.
Ainda de acordo com a SSP, “para 2026, foram destinados no orçamento R$ 12,7 bilhões exclusivamente à Polícia Militar, incluindo recursos para aquisição de equipamentos de proteção individual, como coletes balísticos e uniformes. Os investimentos seguem critérios técnicos, sempre com prioridade à preservação da vida dos servidores e da população”.
Parlamentares têm cobrado publicamente avanços do governador. Em conversa com a coluna, Major Mecca afirmou que ainda não houve entrega de cartas de crédito do programa habitacional voltado a policiais. “Temos o programa Moradia Segura, com carta de crédito de R$ 300 mil, para pagar em até 30 anos e com 0% de juros, para retirar o policial de área dominada pelo crime organizado. Até agora, ninguém recebeu”, declarou.
Há cobrança também pelo envio da nova Lei Orgânica da Polícia Civil à Assembleia Legislativa, promessa feita por Tarcísio no fim do ano, após reunião no Palácio dos Bandeirantes com representantes das polícias Militar, Civil e Penal. O projeto ainda não foi encaminhado. O setor marcou manifestação para a próxima quarta-feira (24), às 10h, na Avenida Paulista.
A pressão por recursos ocorre em meio a mudanças na Secretaria de Segurança Pública após a saída do então secretário, o deputado federal Guilherme Derrite (PP). O delegado Osvaldo Nico assumiu a pasta como gesto à Polícia Civil, enquanto o coronel Henguel Pereira foi nomeado secretário-executivo. Considerado desafeto de Derrite, Henguel promove mudanças e transferências internas na equipe deixada pelo ex-secretário.
*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.
📌 Fonte original: https://jovempan.com.br/opiniao-jovem-pan/comentaristas/beat…
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