AC/DC lota Morumbis com 70 mil fãs e fórmula de meio século


AC/DC lota Morumbis com 70 mil fãs e fórmula de meio século
- Banda fará mais dois shows em São Paulo antes de seguir para Chile e Argentina
- Turnê olha com carinho para a fase Bon Scott, com 11 músicas tocadas
São Paulo
Às 20h59, o AC/DC está no palco. O Morumbis, tomado por 70 mil pessoas. Cerca de noventa e nove por cento do público veste preto. Pequenos pontos vermelhos começam a piscar: os chifrinhos luminosos de Angus Young, vendidos a R$ 20 nas portas do estádio, acesos antes mesmo de “Highway to Hell”.
Angus surge com a tradicional roupa de colegial, desta vez verde, e um boné verde e amarelo. Talvez seja uma alusão ao Brasil, mas convém considerar que a banda foi formada na Austrália, país que usa essas mesmas cores em eventos esportivos.
A primeira música, “If You Want Blood (You’ve Got It)” é do álbum de 1979. A segunda, “Back in Black”, é de 1980 e coloca o estádio em combustão. É um clássico absoluto e funciona como aceleração do motor.
Logo aparece outra preferida do público, “Thunderstruck”. Angus responde bem no palco. Corre, gira, ocupa o espaço. E toca os solos iguaizinhos às gravações originais — fidelidade que parece ser cláusula pétrea da banda.
O som todo, aliás, está excelente, alto, sendo possível distinguir o baixo — pelo menos na pista premium. A impressão é que alcança o Hospital Albert Einstein, visível dali. Os pacientes parecem estar recebendo uma trilha sonora da pesada.
Foi o primeiro show da banda neste ano e o primeiro em São Paulo. Outros dois vão acontecer nos dias 28 e 4/3. São quatro dias de descanso entre cada show — tem sido assim em toda a turnê—, mais ou menos como fazem os jogadores de futebol.
Pudera. Angus tem 70 anos, mas parece ter 80. Brian Johnson, o vocalista esganiçado, 78. E Stevie, o outro guitarrista, 69. Stevie é sobrinho de Angus e entrou no lugar do tio Malcolm, morto em 2017.
O sino de “Hells Bells” desce imponente, com AC/DC escrito em destaque. Mas decepciona: não há pêndulo visível, não se move nas badaladas. Fica ali, parado, cenográfico. É um momento em que a ilusão falha. Ainda assim, a música cumpre seu papel.
Johnson, com braços de fora e uma barriga enorme, impressiona pela voz. O grito ardido de 1980 segue ali, preservado. Durante “Highway to Hell”, o estádio se transforma em mar vermelho piscante. As labaredas sobem no palco, gigantes.
O baixista e o baterista não são membros oficiais. Matt Laug (bateria) e Chris Chaney (baixista) são músicos contratados para a turnê — ambos já tocaram com Alanis Morissette. Funcionam como base sólida, sem protagonismo, sustentando a estrutura para que Angus e Johnson conduzam o espetáculo.
“Jailbreak” é cantada por todo mundo, num coro que evidencia a plateia. A partir daí, na segunda hora, começa a fase Bon Scott. A atual turnê olha com carinho para essa era: 11 das 21 músicas vêm daquele período.
Morto em 1980, envenenado pelo álcool, Scott comparece com “High Voltage”, “Whole Lotta Rosie”, “Let There Be Rock”, “Dirty Deeds Done Dirt Cheap”, “Riff Raff”, entre outras. Há bandas cover do AC/DC que tocam apenas essa fase.
O bis vem com “TNT”, de 1975, e “For Those About to Rock”, de 1981, um deleite. Acaba às 23h15 em ponto. Não haverá shows em outras cidades do Brasil. Daqui, eles seguirão para Chile e Argentina.
Eis uma banda que jamais tentou se modernizar. A turnê atual não tenta atualizar o AC/DC. Não há releitura estética, não há discurso, não há blablablá. Há execução. Guitarra. Volume. Gritos. Uma repetição ritualística de uma fórmula de três acordes que já atravessa mais de meio século.
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📰 Fonte: UOL Notícias
🔗 Link original: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/02/acdc-lota-mo…
Publicado automaticamente pelo Sistema Itaquera News em 25/02/2026 às 02:24

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