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Brasil busca facilitar comércio da carne de frango na Índia, diz ministro da Agricultura

  • Comitiva brasileira se reúne com governo indiano para diminuir taxas cobradas para importação
  • Governo almeja aumentar comércio entre os países de US$ 15 bilhões para US$ 20 bilhões até 2030

Roberto Samora

São Paulo | Reuters

Uma comitiva brasileira na Índia discutiu nesta sexta-feira (20) a abertura comercial para a exportação de carne de frango do Brasil ao país asiático, pedindo redução tarifária, informaram o Ministério da Agricultura e a associação de empresas do setor ABPA.

O mercado de carne de frango no país mais populoso do mundo tem elevado potencial, mas o maior exportador global não vende quase nada ao país asiático diante de proibitivas taxas de importação.

Em 2025, o Brasil exportou apenas 2,47 toneladas para a Índia, enquanto os Emirados Árabes Unidos, principal destino, compraram 479,9 mil toneladas, segundo dados do governo e da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal).

Grupo de galinhas marrons com cristas vermelhas em área verde ao ar livre, com foco em duas galinhas em primeiro plano.
Produção de frango em fazenda de São Paulo

RENATO STOCKLER/Folhapress

“Tratamos da ampliação das relações comerciais. O Brasil está pronto para abrir a romã para importar da Índia e também para receber a noz macadâmia…Como contrapartida, buscamos a abertura do feijão-guandu, além de ampliar oportunidades para a carne de frango brasileira e a erva-mate”, afirmou o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro.

Atualmente, a Índia cobra alíquotas de importação de 100% para cortes e de 30% para o frango inteiro, o que inviabiliza a competitividade comercial, apesar de acordo sanitário entre os dois países já estar estabelecido, segundo a ABPA, que vê a pauta da redução de tarifas como “prioritária”.

A associação do setor apresentou proposta para a criação de cota específica com tarifa reduzida ou zerada “como mecanismo inicial de destravamento do fluxo comercial”.

Na carne suína, a ABPA afirmou em nota que embora o mercado esteja aberto sanitariamente, a tarifa de 26% também limita a viabilidade das exportações. A entidade também defende a adoção de cotas diferenciadas para o produto ou revisão de taxas vigentes.

A reunião de Fávaro com seu colega indiano Shri Singh Chouhan integrou a agenda da comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Nova Déli. O encontro abriu espaço para “avanços concretos” no comércio bilateral de produtos agropecuários, afirmou o ministério.

Entre outros temas tratados, segundo o governo, estiveram bioinsumos, mecanização, inteligência artificial aplicada ao campo e complementaridade produtiva entre as duas potências agrícolas.

A agenda agrícola ocorre em um momento de intensificação das relações bilaterais entre Brasil e Índia.

Em 2025, o comércio total entre os países alcançou US$ 15 bilhões, crescimento de 25,5% em relação ao ano anterior, e a meta comum é elevar esse valor para US$ 20 bilhões até 2030, informou o ministério.

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